quinta-feira, agosto 03, 2017

INSTINTO DE DEFESA

Nenhuma causa nobre moveu os deputados a votarem contra a investigação de Temer pelo STF. Embora em seus discursos justificassem sua posição pela necessidade de continuarem as reformas, a verdade era bem outra: votaram com Temer por instinto de auto defesa: protegendo o presidente de uma investida da PGR, estariam por consequência se protegendo. A justificativa da defesa da continuidade das reformas, portanto, soa falso na medida em que Temer é importante , mas não essencial para a continuidade dos projetos. Se fosse aceita a denúncia , e Temer afastado, seu substituto, Rodrigo Maia poderia perfeitamente dar continuidade à pauta reformista pelo fato de ser afinado com ela. Portanto, a desculpa não colou. Temer venceu essa etapa basicamente por dois motivos: conhece a Câmara como ninguém e praticou com grande desenvoltura o "é dando que se recebe". Essa prática não foi inaugurada por Temer. Desde o governo Sarney - passando por FHC, Lula e Dilma - é tradição essa troca de favores:o voto dos deputados a favor do governo em troca de cargos e emendas orçamentárias. A novidade está no fato de que pela primeira vez um presidente usou desse artifício para escapar das garras da justiça, acusado que é por corrupção passiva.

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