quinta-feira, fevereiro 09, 2017

ESTANCANDO A SANGRIA




Ainda está fresca em nossa memória a  conversa entre  Romero Jucá e Sérgio Machado a respeito de “estancar a sangria”. Pois  o PMDB está colocando em prática o seu propósito de liquidar com a Lava Jato antes que a Lava Jato liquide com o  partido. Tudo caminha na direção de esfriar  as investigações e desqualificar a atuação do juiz Sérgio Moro. A morte do relator  no Supremo, Teori Zavascki impactou negativamente  as investigações, em que pese a atuação firme da presidente do STF, Carmem Lúcia. A escolha do ministro da Justiça de Temer,  Alexandre de Moraes, parece ser   um passo na direção da proteção dos políticos envolvidos, em especial do próprio Temer.A escolha de um político sob o qual pesam acusações graves, Edison Lobão, para presidir a CCJ soa como um escárnio. Assim, o trio peemedebista EunÍcio, Renan e Lobão vão controlar  a  agenda do Senado, e nada acontecerá sem a anuência dos três. Ou seja , no Senado está tudo dominado.

Tudo indica ter o presidente Temer participação  nesse esquema. Se havia alguma dúvida, ela se desfez após Eduardo Cunha ter declarado a Moro que Temer participou da reunião do PMDB para a distribuição de cargos na Petrobras. Ou seja, o presidente  também está na roda, e é impossível que as decisões tomadas pelos caciques do partido não tenham a concordância dele. Embora  ainda preservado pela grande mídia,Temer começa a dar indícios de que poderá trilhar o mesmo de sua antecessora. . O fato é que o PMDB chafurda  na mesma lama em que o PT se atolou quando governou o País. O apoio que os tucanos, que dá a esse governo uma dose de credibilidade, poderá se esvair na medida que as revelações se sucederem. Ficaria mal para o projeto eleitoral do PSDB permanecer atrelado a um governo e a um partido que a cada dia são alvos de acusações graves.

O papel do Supremo seria  decisivo, não fosse as suspeitas que pesam sobre ele. Até agora, o tribunal tem sido passivo diante de todo esse lamaçal. Não se sabe qual será o rumo que o novo relator  Edson Fachin dará ao processo. O ministro Gilmar Mendes já se manifestou contrário às “prisões alongadas”, numa referência aos presos de Curitiba. Se essa for a tendência da maioria da Corte, a Lava Jato corre perigo de morte. O atual perfil do STF não é animador. Com exceção da presidente que já deu provas de prezar a ética e a moral públicas,  a maioria do ministros da Corte jamais  deram uma demonstração clara nesse sentido.Mergulhado numa grande crise, ameaçado por uma onda de violência jamais vista, e dominado por políticos corruptos e incompetentes, assim caminha o Brasil. Se a sociedade não reagir com contundência,  a exemplo do que fez a população da Romênia, o que é ruim ficará péssimo.

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