segunda-feira, janeiro 09, 2017

DEMOCRACIA EM CRISE





A democracia neste país está sob risco. Embora as instituições pareçam sólidas, os atores por elas responsáveis são da pior qualidade. Não bastou o impeachment de Dilma para  mudar os rumos da política. Saiu Dilma, mas permaneceu a maioria dos personagens que contribuíram para naufragar o seu governo. Estão todos aí a contribuir para tornar o governo Temer confuso e claudicante.. Estão aí o Senado e a Câmara repletos de políticos suspeitos, a lutar pela manutenção de seu poder, seus cargos e privilégios. Essa situação se replica por todas as Assembléias Legislativas e Câmaras dos Vereadores, Brasil afora.

Temer acertou na escolha de sua equipe econômica, que tem feito um bom trabalho, mas errou feio no resto. É um governo vacilante rodeado de assessores citados na Lava Jato. Mas não é só no executivo e no legislativo que a nossa democracia dá sinais de desintegração. O judiciário tem se mostrado cada vez mais lento, tomando decisões contraditórias, e,  em alguns casos, dado à prática da malandragem e da corrupção.

A incapacidade da sociedade e dos nossos homens públicos de organizar uma democracia compatível com o grau de desenvolvimento a que chegou o Brasil, nos faz ridicularizados por outras nações. A crise do sistema penitenciário que levou ao assassinato de dezenas de presos sob a guarda do Estado demonstra a incapacidade geral dos três poderes de lidar com uma questão que, há muito, se previa explosiva. Bateram cabeça com cabeça de tal forma que um secretário de governo teve a ousadia  de defender um massacre de presos por semana. Se O Brasil  quer a pena de morte,  que o faça, mos por meios legais.

O desespero e a revolta  chegaram  a tal ponto que uma parcela inconseqüente da sociedade passou a defender uma intervenção militar, como se isso fosse solução, e não a aniquilação total de democracia, ou que as Forças Armadas estivessem dispostas a  essa aventura. Transformar o Brasil num quartel não é solução.

O fato é que a sociedade tem que buscar dentro da legalidade uma solução para a crise política. A meu ver tal começaria pela instituição de uma Constituinte exclusiva. Se não formos capazes de buscar uma saída longe de medidas de exceção, é melhor apagar as luzes e entregar as chaves para algum país com democracia evoluída.

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