terça-feira, novembro 15, 2016

PLANEJANDO O ASSALTO




Quando se trata de assaltar o bolso do cidadão, os políticos são criativos. O deputado tucano Marcus Pestana que o diga. Ele quer que o Imposto de Renda sustente sozinho, partidos e campanhas eleitorais. Sob o argumento de que com a crise econômica e a proibição de doação de empresas, os partidos passam por momentos de dificuldade financeira, o deputado mineiro apresentou um Projeto de Lei (PL), na Câmara, segundo o qual os contribuintes entregariam aos partidos R$ 3 bilhões anuais. Para isso seria criado o Fundo de Financiamento à Democracia (FFD) em substituição ao atual Fundo Partidário.

Os políticos parecem viver em outro planeta e desconhecer a dimensão da atual crise que atinge o País. Esquecem-se de que sua função é legislar e fiscalizar o Executivo, não trabalhar em causa própria, como acontece. É muito atrevimento uma proposta como a do deputado Pestana. Se os partidos reivindicam mais recursos, que os consigam através de outros meios que não assalte o bolso do cidadão, num País onde a carga tributária já é absurda.

Aliás, o contribuinte, há muito vem financiando as campanhas e os partidos, seja por meio do tal Fundo Partidário, seja mesmo através do chamado “caixa 1”, que são recursos legalmente arrecadados , mas que a operação Lava Jato revelou serem de fato propinas  geradas pelas relações promíscuas entre agentes do governo e empreiteiras.

A solução talvez esteja com o professor Antonio Testa (UnB), que sugere  que os partidos busquem renovar as suas bases e “buscar financiamento com pessoas físicas que acreditam em suas idéias “. É assim, com o aperfeiçoamento dos partidos e o engajamento dos cidadãos no processo político,  que a democracia se aperfeiçoa.

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