terça-feira, setembro 13, 2016

NAS MÃOS DE MORO



O agora ex-deputado Eduardo Cunha quis voar mais alto do que suas asas permitiam e se deu mal. Envolvido no propinoduto da Petrobras, e enrolado em contas bancárias milionárias no exterior, o deputado foi, literalmente, pego na mentira. Ironicamente, não foram as suas milionárias falcatruas que o conduziram ao cadafalso político e moral, mas sim o fato de, segundo o relatório do Conselho de Ética, ter mentido na CPI da Petrobras, ao negar a existência de tais contas.

Cunha sonhava alto. Seu projeto era nada menos do que a Presidência da República, em 2018.,  Para isso, ascendeu ao comando da Câmara cooptando o apoio da maior parte do PMDB, da bancada evangélica, e de um significativo número de parlamentares fisiológicos, conhecidos como “centrão”.

O deputado fluminense passou a colocar em pauta para votação um grande número de projetos até então engavetados, e a se contrapor ao governo Dilma com um discurso liberal na política e conservador nos costumes. Ganhou o ódio da esquerda e a simpatia de setores da direita, até que seus pecados começaram a vir a público. Desgastado pelo noticiário negativo e pela instalação de uma Comissão de Ética para investigá-lo, Cunha entrou num acordo com Dilma, segundo o qual o deputado se comprometia  a não desengavetar nenhum dos vários pedidos de impeachment contra a presidente, enquanto o PT prometia apoio ao deputado no Conselho de ética. O típico acordo do sujo com o mal lavado.

Como se sabe o tal acordo fez água, e Cunha desencadeou na Câmara o início do processo contra Dilma. A essa altura, toda a base de apoio a Cunha já havia se desmoronado, e o deputado transformado numa espécie de “Geni” da política. Afastado de suas funções pelo STF, ele tentou impedir o inevitável, ou seja, a sua cassação. Nunca um político foi tão ofendido e humilhado pelos seus próprios pares. Nem Maluf, nos seus áureos tempos. Cassado, na noite de ontem, o futuro de Cunha está nas mãos da Justiça.

Um comentário:

Enimurta disse...

Vingança dos quadrilheiros do PT. Com ceteza.