sexta-feira, julho 29, 2016

A ONU TEM MAIS O QUE FAZER


Decididamente, o sapo barbudo perdeu o senso da realidade. Ou do ridículo. Apelar para uma Corte internacional -  Comitê de Direitos Humanos da ONU –contra as atitudes de um juiz de primeira instância, sem antes recorrer às instâncias superiores do país é, no mínimo, desrespeitar a Justiça brasileira. Além do mais a ONU deve estar ocupada com questões muito mais graves de violação de direitos humanos mundo afora para se ocupar com os temores do ex-presidente. Lula está cada vez mais enrolado nos casos que envolvem o apartamento no Guarujá e o sítio em Atibaia, e deveria agradecer a Sergio Moro por ainda não estar preso. Mas o pânico provocado  pela provável iminente prisão o faz transformar um caso que é estritamente criminal num caso de perseguição política. Moro pode até estar exorbitando de sua função em alguns casos, mas é inegável o bem que vem causando ao país com a investigação e condenação de criminosos de colarinho branco, antes impunes. Se Lula não tivesse nada a dever deveria ser um dos milhões de brasileiros   a aplaudir Moro. Mas Lula tem culpa no cartório e tenta desviar o foco da questão para  um caso de perseguição política

sexta-feira, julho 22, 2016

INVISÍVEL, PORÉM CONSISTENTE


O ministro da Defesa, Raul Jungmann, considera que a 14 dias do início da Olimpíada há uma espécie de "paranoia exacerbada" em torno do tema terrorismo. Jungmann afirmou que não há qualquer "ameaça consistente" de ação durante os Jogos. O que vem a ser “ameaça consistente”? A França e a Bélgica, vítima dos últimos atentados, tinham conhecimento de alguma ameaça consistente? É compreensível que as autoridades não queiram imprimir um clima de pânico na população que possa levar ao fracasso dos Jogos. Mas também é preciso entender  que o terrorismo não avisa, não manda sinais. Com a ajuda de organismos de segurança internacionais, o Ministério da Defesa chefiado por Raul Jungmann vem desempenhando o seu papel e armando um aparato de segurança que impressiona. Mas não garante que o País esteja  a salvo de um ataque durante o evento esportivo. Isso porque o Estado Islâmico ou os lobos solitários que agem em nome da “causa” o fazem de modo sorrateiro,   às ocultas, tacitamente, sem ser pressentido. O EI através do aplicativo Telegram divulgou uma compilação com  17 recomendações para execução de atos terroristas  durante os Jogos . Não se sabe quantos lobos solitários fiéis ao EI estarão dispostos a colocar em prática  as determinações da organização. Portanto, a ameaça existe. Podem não ser visíveis, mas nem por isso deixam de ser consistentes.

quinta-feira, julho 21, 2016

GOL CONTRA DE ROMÁRIO



GOL CONTRA DE ROMÁRIO
O craque Romário brilhou nos gramados, mas o político não brilha no Senado. Após votarem pela admissibilidade do julgamento do impeachment de Dilma, Romário e seu colega Acir Gurgacz  admitem mudar o voto.  Não se sabe o que tem levado ambos a mudar de opinião. Certamente não são os "belos olhos" de Dilma, nem alguma motivação de cunho ideológico. Tanto Romário como Acir não se destacam por opiniões claras sobre os principais problemas do País. Ambos têm atuação medíocre e somente a possibilidade de algum ganho - leia-se, cargos no primeiro escalão ou estatais - poderá levá-los  a tomar uma decisão tão drástica que irá  de encontro ao desejo da sociedade de ver-se livre de Dilma. Caso isso aconteça, e esses votos forem decisivos para o retorno da presidente, o Brasil vai sofrer uma derrota. Não que o presidente Temer esteja realizando um governo maravilhoso, mas o país vem dando sinais de recuperação econômica e estabilidade política. O retorno de Dilma seria, pois, um desastre, e Romário e Acir teriam que pagar essa conta.

terça-feira, julho 19, 2016

A CHAMA OLÍMPICA NÃO ACENDEU


A chama olímpica não acendeu o entusiasmo dos brasileiros. É o que revela a pesquisa do Datafolha divulgada nesta terça-feira (19) que 50% dos brasileiros são contrários à realização do Jogos do Rio, que começam na próxima semana. Nenhuma surpresa no que a pesquisa revela. Passada a euforia inicial, quando do anúncio de que o Brasil sediaria num curto espaço de tempo os dois maiores eventos esportivos do mundo, o brasileiro caiu na real. Constatou, a respeito da Copa do Mundo,  que um oceano de dinheiro foi empregado na organização , e, em meio a desvios, superfaturamento de obras e corrupção, pouco restou. Ou melhor, restaram alguns estádios modernos, porém dispendiosos e de difícil administração. A Copa não foi a causa da crise do governo Dilma, mas teve a sua parcela de contribuição. Das Olimpíadas, o que restará? Como estarão daqui a cinco anos as estruturas construidas para a disputa dos jogos? Ninguém sabe, nem mesmo os governantes do Rio que são os primeiros a desqualificar o evento, num convite a que os turistas permaneçam em seus países e não se aventurem por estas bandas.

quarta-feira, julho 06, 2016

A VIOLÊNCIA VENCEU

A violência venceu porque  a  impunidade grassa neste País: as leis são brandas demais, a polícia é corrupta demais, o judiciário é lento demais. A violência venceu porque o lema  da bandeira, "ordem e progresso", não é respeitado e   vivemos uma época de desordem e regresso.A violência venceu porque nossas autoridades constituídas são as primeiras  a desrespeitar  a lei, e o espírito público que deveria prevalecer entre eles é substituído pelo total desprezo pelo senso público. A violência venceu porque o famoso jeitinho brasileiro encontra saída para tudo, e muitas dessas saídas não são honestas e nem legais. A violência venceu porque um criminoso de 15, 16, 17 anos  não é punido com rigor. A violência venceu porque se pune apenas o traficante, mas não o consumidor de drogas ilegais. A violência venceu porque nas escolas as crianças não aprendem civismo ,moral e ética. A violência venceu porque falta vergonha na cara de muitos, principalmente dos políticos.

SUA HORA PASSOU

Em seu discurso de defesa perante a Comissão do Impeachment,  - que foi lido pelo advogado José Eduardo Cardozo, porque   a presidente   não teve a coragem de fazê-lo pessoalmente, - Dilma atacou várias vezes os que se colocaram a favor do impeachment. Foram chamados de chantagistas, farsantes, traidores embusteiros, mentirosos e golpistas. Ou seja, a presidente não caiu na real. Além de não apresentar nenhum fato novo além daqueles que foram repetidamente discutidos na comissão ao longo de dois meses, ela se colocou, mais uma vez,como uma vítima de um golpe liderado por um traidor que "não recebeu um voto sequer", deturpando o fato de  que Temer foi eleito numa aliança entre o PT e o PMDB. Por intermédio de Cardozo, Dilma prometeu que comparecerá no plenário para fazer a sua defesa, o que eu duvido. Melhor seria se ela desconfiasse que a sua presença na cena pública atrapalha o país. Se tivesse um desconfiômetro, talvez percebesse que sua hora passou. Seria muito mais digno, se é que lhe resta alguma dignidade, renunciar ao cargo.

segunda-feira, julho 04, 2016

MINISTROS OU MILITANTES ?



MINISTROS OU MILITANTES
Os poderes da República estão doentes. Não bastassem a corrupção e a incompetência que grassam  no Congresso e no Planalto, com Dilma, o Supremo Tribunal Federal  vem se destacando  na mídia mais do que o necessário e tomando decisões no mínimo controversas. A última delas, a soltura do ex-ministro Paulo Bernardo, foi de doer. O crime cometido por esse cidadão é daqueles que deveriam ser inafiançáveis. Bernardo  usou  e abusou de seu cargo de ministro para – o termo é esse mesmo -assaltar o bolso de aposentados e funcionários públicos que tinham créditos consignados.

O Supremo, nos últimos tempos, tem agido muito mais politicamente do que juridicamente, e com isso, desrespeitado frontalmente a Constituição. Foi o que se deu, por exemplo, no caso Toffoli-Paulo Bernardo, no afastamento do presidente da Câmara, antes de ser julgado e condenado, na aceitação de denúncia contra  Jair Bolsonaro por “apologia ao estupro” quando se sabe que o parlamentar tem imunidade parlamentar quanto ao direito de expressão. Nos três casos, o Supremo errou,  ao que tudo indica, intencional e premeditadamente.

No Brasil, o órgão máximo do Judiciário está a merecer uma reforma para que se livre do partidarismo que contagia principalmente os ministros Marco Aurélio, Dias Toffolli, e Lewandovski, todos simpáticos ao PT, e Gilmar Mendes, muito amigo dos tucanos. Eles têm se comportado muito mais como militantes partidários do que como ministros do Supremo. Tal acontece porque  os ministros são escolhidos pelo presidente e aprovados pelo Senado , o que estabelece uma espécie de relação em que os ministros se colocam como “devedores” em relação aos políticos.

Exemplo disso é o fato de a Lava Jato de Curitiba ter indiciado mais de 120 pessoas, entre empresários e ex-políticos e condenado mais de 40, enquanto no Supremo o relator  Teori Zavascki dorme solenemente sobre os processos que envolvem políticos. Resultado: nenhum político em atividade preso. Faz-se urgente, portanto, que os  ministros do Supremo sejam  escolhidos não por critérios políticos, mas por critérios exclusivamente jurídicos, que avalie a competência de cada candidato. E isso se dá pela evolução na carreira da magistratura e por concurso de provas e títulos, sem interferência política.