segunda-feira, junho 06, 2016

FEITIÇO CONTRA O FEITICEIRO




As revelações publicadas pela Isto É, de que Dilma Rousseff teria exigido de Marcelo Odebrecht  a “doação de R$ 12 milhões” para sua campanha, em 2014, foi como um balde de água fria  na tese de que Dilma era uma inocente cercada de malfeitores. Também põe por terra o propósito da defesa da presidente afastada de introduzir a Lava Jato na pauta da Comissão do Impeachment.

Na última reunião do colegiado, o advogado de Dilma, José Eduardo Cardozo, insistiu nessa tese, e pediu a inclusão dos diálogos de Sérgio Machado nos debates, contrariando a decisão do relator Antonio Anastasia de só analisar os fatos que geraram a  abertura do processo. Agora são os atuais governistas que desejam a ampliação da agenda, incluindo todos os fatos que comprometem a presidente com o escândalo da Petrobras e o esquema da Lava jato, o chamado “conjunto da obra”. O feitiço virou contra o feiticeiro.

Existe, porém, um complicador nessa história e foi levantado pelo  senador Randolfe Rodrigues. Sabe-se que o financiamento da campanha de Dilma está sob investigação do TSE,  à espera de decisão. Se confirmadas as doações ilegais à campanha da petista, estará nas mãos dos ministros do tribunal decidir   se a possível condenação ficará limitada à presidente, ou se  estenderá também ao vice. Nesta hipótese, ocorrerá a cassação da chapa, o país ficará à deriva, e a crise política se agravará, com resultados imprevisíveis.

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