quarta-feira, junho 29, 2016

JANAINA, A VERDADE INTEIRA






Não é difícil encontrar o calcanhar de Aquiles dos políticos brasileiros. Eles são autoritários, arrogantes, dissimulados, e, muitos deles, corruptos. Quando se deparam com alguém que não tem esses vícios e está disposto a confrontá-los, eles deixam cair a máscara. A advogada Janaina Paschoal sabe disso, e na  comissão do impeachment costuma falar certas verdades que surpreendem e incomodam  principalmente os senadores que fazem a defesa de  Dilma Rousseff.

Na última segunda–feira, o petulante senador Lindebergh Farias  provou da contundência de Janaína. Falou o que queria e ouviu da advogada o que não esperava.. Durante uma discussão sobre a prisão do marido da senadora Gleisi Hoffmann, Lindebergh atacou Janaina afirmando que a advogada estava ali “não por idealismo”, mas “por R$ 45 mil”. Janaina poderia ter devolvido perguntando qual o salário do senador, fora as mordomias. Mas preferiu ser mais certeira e indagou a respeito dos R$2 milhões que Lindebergh teria recebido de uma empreiteira, segundo denúncia de Paulo Roberto Costa. Lindebergh murchou.

Foi o que bastou para o restante da tropa de choque petista entrasse em ação e pedisse, numa questão de ordem,  que o presidente limite a fala da advogada, querendo impor, na verdade, uma censura descabida.O que os amedronta os petistas é que  a advogada   não costuma falar meias verdades, como os políticos, mas a verdade inteira.

Na comissão, Janaina parece um peixe fora d água. Quando demonstra indignação, tristeza ou revolta deixa transparecer  uma sinceridade que surpreende e amedronta seus adversários, que , dissimulados como são, costumam teatralizar cada palavra e  cada gesto. É também explícito a má vontade do presidente da comissão para com Janaina, em contraste com a deferência que ele dá ao advogado de defesa, o ex-ministro José Eduardo Cardozo. Mesmo assim, ela cumpre o seu dever com altivez: a cada paulada que leva, ela responde com duas.

segunda-feira, junho 27, 2016

OS CÚMPLICES E OS TOLOS



O alegado "show" da prisão do marido da senadora é simplesmente um nada diante da gravidade das acusações contra o ex-ministro. Existem graves  suspeitas de que o esquema se repetia em outros ministérios  quando ministros usavam de seus cargos para carrear recursos públicos para o caixa do PT, o que não é grave. É gravíssimo Gleisi Hoffmann em seu discurso contou com a conhecida complacência da oposição e com a cumplicidade de seus colegas de partido. É um corporativismo indecente que despreza solenemente a opinião pública. A solidariedade recebida pela senadora apenas confirma  que na quadrilha petista existem dois tipos de bandidos: os cúmplices e os idiotas, ou inocentes úteis. Os cúmplices agem de má fé e organizam esquemas sobre esquemas para enriquecer  o partido e   a si próprios. Os idiotas são os que não recebem nenhuma migalha,  mas aplaudem freneticamente os criminosos , tal como acontece agora, em relação à senadora Gleisi.

RAPOSAS FAMINTAS




Na disputa pelo cargo de presidente, as táticas usadas por Dilma e Temer são as mesmas: conseguir apoio de senadores indecisos pela oferta de cargos e vantagens. É incrível como esse pessoal não desconfia. Mesmo com a Lava Jato e outra operações de combate à corrupção a pleno vapor, as raposas continuam ávidas pelos galinheiros. Afinal, senadores foram eleitos para quê? Os estudantes são ensinados nas escolas que os senadores  representam os estados da federação e tem como tarefas, projetar leis, fiscalizar o executivo, avaliar e aprovar  ministros do STF, embaixadores , Procurador da República, etc.. Mas pelo que se está vendo, interessa a esses senhores sobretudo o controle de estatais e secretarias, de preferência aquelas recheadas por muitas verbas do Orçamento e que representem fonte de muito poder. É o velho fisiologismo de sempre.

sexta-feira, junho 24, 2016

A SENADORA E O MARIDÃO




A senadora Gleisi deixou de comparecer às sessões da Comissão do Impeachment durante esta semana. Ótimo para a Comissão que trabalhou num clima mais ameno, livre das interferências, do cinismo  e da petulância da senadora paranaense. Ruim para ela que viu seu apartamento invadido por ordem judicial e seu marido levado sob custódia. O marido da senadora, Paulo Bernardo está envolvido num escândalo de corrupção que difere dos demais pela crueldade: a quadrilha de Paulo Bernardo  tomava dos aposentados e funcionários públicos parte do pagamento de empréstimos consignados, que o ministério do  Planejamento coordenava. Um roubo bem lucrativo. Sorte da Senadora que é protegida  por foro privilegiado e só pode ser investigada pelo STF. Mesmo assim, Gleisi terá que dividir o seu tempo entre defender a presidente  afastada e defendes a si própria , pois também é alvo de inquéritos.

quarta-feira, junho 22, 2016

BEM VINDO, TURISTAS


DE MARAVILHOSA À CALAMITOSA






O Rio de Janeiro continua lindo. Visto do alto, é claro. Ao aterrissar, o visitante conhecerá a preocupante realidade de uma cidade e de um país cuja  megalomania irresponsável do presidente Lula quis fazer crer serem  ricos o suficiente para sediarem, num curto lapso de tempo, os dois maiores eventos esportivos do mundo.



A Copa do Mundo  se realizou aos trancos e barrancos, ao sabor do improviso, deixando como herança dívidas monumentais, corrupção generalizada, e algumas arenas esportivas transformadas em elefantes brancos. As Olimpíadas programadas para o Rio de Janeiro correm o risco de um vexame maior, uma vez que o próprio governador do estado acaba de decretar estado de calamidade pública. Seu propósito é  conseguir do governo federal socorro financeiro. Em que pese o prefeito do Rio, Eduardo Paes, ter afirmado que as finanças do município estão   bem, é evidente que a situação caótica do estado  se  reflete na capital.

Independentemente do decreto estadual, a cidade do Rio vive de fato dias difíceis. Desde a violência incontrolável que transita entre os morros e o asfalto à proliferação também incontrolável do aedes aegypti  a ceifar ou inutilizar centenas de vidas. Desde a situação caótica do sistema público de saúde às reivindicações rotineiras de funcionários públicos por melhores salários. Muito do que foi prometido em termos de infraestrutura não se concretizou. A  Baía de Guanabara, porta de entrada da cidade, e as lagoas continuam  mais para esgoto a céu aberto do que locais adequados às competições náuticas. O metrô não foi concluído e parte da ciclovia desabou pela força das ondas.

Tudo isso sem falar na   recessão econômica e na crise política, com uma presidente afastada que não sabe se volta, e um presidente em exercício que não sabe se fica. O governador do Rio conseguiu o socorro federal da ordem de R$ 2, 9 bilhões  para solucionar parte dos problemas, principalmente o da segurança pública. Só se espera que esses recursos sejam realmente aplicados sem que parte deles se desvie pelos caminhos da corrupção. Diante de um quadro desses, quem se arriscará a vir ao Brasil?

quinta-feira, junho 16, 2016

quarta-feira, junho 15, 2016

OS PRIMEIROS PASSOS DE TEMER




Não tem sido fácil para o presidente Michel Temer consertar os estragos causados pela administração ruinosa de Dilma Roussef. Para isso, tem que contar com a colaboração de um Congresso pouco confiável, que se dispõe a apoiar na medida em que seus pleitos por cargos e verbas sejam atendidos. Temer terá que recorrer a toda a sua habilidade  de  negociação para convencer deputados e senadores  de que o momento exige sacrifício de todos.

O presidente vem sendo muito criticado pela seleção da parte, digamos, política de seu ministério, recheado por  figuras sobre as quais pesam suspeitas e indícios de mau comportamento público, passíveis de investigação. Teve que demitir dois ministros – o do Planejamento e o da Transparência – por este motivo. Alguns deles são políticos competentes no campo da articulação política – daí, talvez, o motivo de suas escolhas –, mas com fichas suficientemente sujas para que se mantenham bem distantes de cargos de tamanha importância e responsabilidade.

Na área econômica, o novo governo acertou em cheio ao escolher uma equipe de economistas da melhor qualidade, afinada com a escola ortodoxa do equilíbrio fiscal, combate ao desperdício e privatizações de estatais deficitárias, práticas que o populismo petista desprezou. Por, aparentemente, não ter grandes pretensões políticas futuras, Temer tem a faca e o queijo para programar  um governo cuja marca principal seja a  da austeridade, o que certamente resultará em impopularidade do governo e em  reações agressivas dos movimentos ligados ao PT. Em que pese os percalços,  é a agenda que o país precisa para recuperar a confiança, atrair investimentos e retomar o crescimento. FAS

Enquanto a nova equipe trabalha, Dilma descansa e agita. Desesperada pela certeza de que seus dias estão se esvaindo, ela insiste na estapafúrdia idéia do plebiscito seguido por eleições presidenciais. Na verdade, tenta conquistar votos de senadores indecisos que seriam suficiente para  o seu retorno ao cargo. E suficientes também para o mergulho do país no caos definitivo.