quarta-feira, maio 18, 2016

UMA QUESTÃO DE ÉTICA



O ministro do STF, Dias Toffoli, afirmou que, sob o ponto de vista jurídico, nada impede que Temer nomeie auxiliares citados e investigados na Operação Lava Jato. O novo ministério está maculado pela presença de  cinco políticos nessa situação. São eles: Romero Jucá ( Planejamento); Henrique Alves (Turismo); Geddel Vieira (Secretaria de Governo); Eliseu Padilha ( Casa Civil) e Moreira Franco (Programa de Parcerias e investimentos. Desses, o caso mais grave é o de Romero Jucá, suspeito de favorecer a empreiteira UTC em obra da Usina Angra, em troca de doações para campanha de seu filho, candidato a vice-governador de Roraima.Jucá alega, em sua defesa, que as doações foram legais.

Corroborando Toffoli, de fato a tradição jurídica diz que todos são inocentes até prova em contrário. Nenhum dos suspeitos acima foi processado, julgado e condenado. Mas não se trata apenas de uma questão jurídica. Trata-se sobretudo de uma questão ética. Um presidente que se diz preocupado em inaugurar uma nova era – “ordem e progresso”- não pode se dar ao desplante de ter em sua equipe pessoas suspeitas de envolvimento com esquemas de corrupção. Temer está onde está porque multidões foram às ruas exigindo ética na política e o fim da corrupção. Se não fosse por esse movimento de reivindicação, Dilma ainda estaria no governo, e Temer na obscura função de vice.

A sociedade  não transige mais com a roubalheira. Não apenas   a roubalheira do PT, mas  a de todos os partidos. É bom que Temer reveja seus critérios na escolha de sua equipe. A lua-de-mel entre a sociedade e o novo governo ainda persiste, mas o povo poderá voltar às ruas e às panelas se for preciso.

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