segunda-feira, maio 23, 2016

MAIS ERROS QUE ACERTOS



O presidente em exercício Michel Temer acertou na formação de sua equipe econômica, mas errou feio na nomeação dos chefes de outros ministérios. Vem cometendo muitos erros para quem está há tão pouco tempo na chefia do governo. Políticos suspeitos de atividades ilícitas chefiam pastas importantes. O caso de Romero Jucá, acusado de  tentar obstruir a Lava Jato é o mais grave, e o ministro do Planejamento deveria ser demitido sumariamente.

A justificativa para essas indicações é a de que  o presidente necessita de apoio político no Congresso, e, para isso, se vê obrigado a adotar o viciado método do toma lá dá cá, tão praticado pelos governos petistas e  tão condenado pela sociedade. É a meritocracia dando lugar ao fisiologismo.
Mas, mesmo  que admitamos a necessidade do presidente atender a fome dos partidos, por que nomear  tanto suspeitos e tantas nulidades? Não teria o Congresso pessoas competentes e de reputação ilibada? Óbvio que o Congresso não é composto apenas por  larápios,  safados e corruptos. Temer, se tivesse vontade e inteligência, poderia encontrar bons quadros para formar o seu ministério e atender a ganância dos partidos, sem comprometer eticamente o seu início de governo

Cito alguns nomes para ratificar que o Congresso tem o seu lado bom: o senador mineiro, Antonio Anastasia, que fez uma boa gestão em Minas, e brilhou na relatoria da comissão do impeachment; a senadora Ana Amélia, que tem se destacado pela defesa da ética na política; a senadora Simone Tebet, que foi vice-governadora  do Mato Grosso do Sul e se destaca do por um comportamento correto e equilibrado; a deputada Mara Gabrilli, combativa  parlamentar de São Paulo, que tem denunciado, com muita coragem, o esquema petista  que levou à morte   o prefeito   Celso Daniel, de Santo André. O problema é que na maioria das vezes são os partidos que indicam os nomes, e isso pode levar a aberrações  como tentar fazer do deputado Newton Cardoso Jr. o ministro da Defesa. Se Temer pretende chegar prestigiado ao final de seu curto mandato, é melhor rever seus critérios de escolha dos seus auxiliares.

Mesmo assim, não é hora de torcer contra Temer. Assim, estaremos torcendo pelo aprofundamento do caos legado por Dilma Rousseff, e até contribuindo para o seu retorno ao poder, se o julgamento  demorar além do necessário. Mas Temer tem que demonstrar firmeza em  seus atos – o que lhe faltou no episódio da recriação do MinC – , e capacidade para convencer os partidos a dar ao país um mínimo de estabilidade para que seja conduzido , sem sustos, às eleições de 2018, quando a palavra e o voto estarão com a sociedade.


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