terça-feira, maio 31, 2016

IMPASSE E SOLUÇÃO


O Brasil chegou a um impasse jamais visto em sua História. Nem mesmo no tempo que se seguiu à morte de Getúlio, ou na crise do governo João Goulart, que resultou no golpe militar de 1964. Naquelas duas ocasiões havia poucas dúvidas quanto à solução dos impasses. Hoje não. O que parecia ser uma solução –o governo Temer –tem se revelado um enigma e uma  frustração. Uma presidente incompetente e conivente com a corrupção foi afastada, mas, em seu lugar, assumiu um governo que não incorporou os anseios e reivindicações das multidões que foram às ruas gritar pelo impeachment da presidente e pelo fim da corrupção.
Os fatos recentemente divulgados  pela mídia revelam que o país e o atual governo também estão contaminados pela ausência de ética. O ministério de Temer está recheado de figuras notórias, viciadas em comportamentos escusos, cuja principal tarefa tem sido montar esquemas para dificultar os trabalhos da Operação Lava Jato. E não é só o Executivo que padece de podridão ética, mas principalmente o Legislativo, sob o comando de dois políticos que já deveriam estar longe da atividade pública: Renan e Cunha. Não foi para isso que a sociedade protestou a exigir ética na política, também  conhecida como vergonha na cara.
Por outro lado, o que acontece no governo e no Congresso não valida a tese petista de que houve  um grande esquema arquitetado para tirar Dilma do poder, o tão falado “golpe”.O fato de o governo provisório estar se mostrando aquém das expectativas, não concede a Dilma e sua turma o passaporte para a volta ao poder. A solução para crise passa longe do retorno do PT, como também passa longe da antecipação das eleições presidenciais, ou mesmo da “intervenção militar”, defendida por alguns. Novas eleições, agora, apenas mudariam os personagens, mas permaneceriam as estruturas geradoras dos vícios que degradam as instituições. Ainda correríamos o risco de ter na presidência, populistas como Marina Silva ou Ciro Gomes, o que, convenhamos, não solucionaria coisa alguma. Intervenção militar é uma ideia completamente tresloucada de meia dúzia de extremistas de direita, que, concretizada, exterminaria de vez nossa incipiente democracia. Nem vale a pena comentar.
Uma Constituinte Exclusiva me parece solução adequada para, quem sabe, reformar o nosso quadro partidário, reduzir o Congresso,modificar o sistema de governo, e , principalmente, estabelecer mecanismos  para liquidar  a corrupção, e, por conseqüência, introduzir na política atores mais comprometidos com a causa pública. Voltaremos ao assunto.

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