sexta-feira, maio 13, 2016

FIM DO POPULISMO?




 É uma praga política  registrada do Brasil, mas não exclusiva. A América Latina de Maduro, Rafael Correa e  Evo Morales que o diga. A fraqueza das instituições, bem como o a despolitização de grande parte  da população, fizeram com que alguns governantes incorporassem um   tipo de liderança que, desprezando ou subjugando as instituições democráticas, procuravam manter uma relação direta com a massa popular, colocando-se como paladinos do povo. Alguns, como Getúlio Vargas, conseguiram relativo sucesso, outros, como Jânio e Collor, não passaram de   farsantes. O fato é que o populismo é  uma praga a infestar nossa política tornando impossível a existência de projetos   consistentes, de médio e longo prazo, uma vez que são características destes governos promessas demagógicas e políticas urgentes que atendam ao clamor da massa por medidas imediatas de caráter eleitoreiro. Os governantes populistas se fixam num anseio nacional e fazem dele a sua bandeira: Vargas tinha a defesa do nacionalismo e do trabalhismo; Jânio, a defesa da moralidade pública; Jango, as reformas de base; Collor, a caça aos "marajás", e Lula o combate à fome e ao desemprego.
Quase sempre,  governos populistas não terminam bem: Vargas suicidou-se; Jânio renunciou, Jango foi deposto por um golpe; Collor teve os seus direitos políticos cassados, e Lula foi  uma quase exceção, pois, mesmo tendo carregado nas costas um governo sob grave denúncias de corrupção, teve apoio político e popular suficiente para se conservar no poder e ser reeleito com 60% dos votos válidos.Mas a sua história se confunde com o de sua sucessora, uma populista desajeitada e inexperiente que acaba de ser afastada da presidência.
O fato é que no Brasil, a presença constante do populismo tem se mostrado trágica para a consolidação da democracia, uma vez que atitudes irresponsáveis   conduzem à sucessão de conflitos  políticos e  crises econômicas que muitas vezes acabam por levar  à  instalação do autoritarismo, como em 1964. O populismo é um vírus  que enfraquece as instituições, tornando-as submissas ao executivo, desvaloriza os projetos sérios  de médio e longo prazos.  Fortalece o personalismo e o clientelismo político, enfraquece a cidadania e é um entrave à consolidação da democracia e ao progresso do país.
A saída do PT do poder talvez não marque  o fim do populismo, mas sinaliza que ele se enfraqueceu. A presença de multidões nas ruas a clamar pelo fim da corrupção e por governos sérios, pode ser  um forte indício de que a população não está disposta a aceitar demagogos, ladrões e incompetentes. Que sirva de lição para o novo governo que se inicia. Temer não parece ter a marca do populismo, mas pode ser picado pela mosca do vírus.

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