quinta-feira, maio 19, 2016

FIM DA CULTURA DEPENDENTE?




A extinção do Ministério da Cultura, ou melhor, a sua incorporação ao Ministério da Educação sob forma de Secretaria, tem motivado intenso frenesi na classe artística e pessoas ligadas à cultura. Mas toda essa celeuma é desproporcional ao tamanho da decisão do governo. O fato de o Ministério da Cultura  ter se transformado em Secretaria não diminui nem aumenta  sua importância,  nem significa  que as ações praticadas pelo primeiro não possam ser executadas pelo segundo. O problema não é esse, mas sim a extrema dependência dos agentes culturais dos patrocínios  e verbas estatais, em especial da Lei Rouanet. Isso, sem contar que o ministério se transforma em cabide de emprego,  acolhendo “artistas de gabinete”, qual sejam    pessoas da área cultural presenteados com cargos comissionados,  secretarias ligadas ao setor, ou o próprio ministério.
Como qualquer outro setor da livre iniciativa, os promotores culturais não podem esperar  que o Estado os acolham em eterno berço esplêndido e continue os alimentando indefinidamente obras artísticas – muitas delas de qualidade duvidosa - com recursos públicos. Principalmente em se tratando de  num país carente em áreas essenciais, como saúde e educação. Cabe aos artistas e promotores culturais  criarem mecanismos de captação de recursos para  suas atividades, como acontece com qualquer setor produtivo. A cultura é um bem  como qualquer outro, e visa atender parcela da sociedade que se interessa por ela. Por mais que isso choque os puristas, deve se submeter às leis do mercado onde o bom produto encontra “compradores, e o de pior qualidade é retirado. É uma maneira de que produtos culturais de boa qualidade sejam ofertados, ao contrário do que acontece quando todos recebem verbas governamentais, e a concorrência desaparece. Mas a essência da presente polêmica -  os protestos contra  a extinção do MinC – vai muito além, pois tem um viés nitidamente ideológico. Faz parte da reação da esquerda ao que eles denominam golpe da direita contra o governo Dilma.
O governo Temer, se é que seu propósito de enxugar a máquina pública é  sincero , não pode recuar dessa decisão. Os artistas viciados em  mamar nas tetas do governo, se tiverem competência, encontrarão outras saídas para os seus projetos. Quem sabe, assim, o país produzirá  produtos culturais independentes e de melhor qualidade do que têm  produzido no presente.


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