quinta-feira, dezembro 29, 2016

CAOS À VISTA




Inicialmente, no caso da possível cassação da chapa Dilma-Temer, não vejo como o vice seria responsabilizados por atos de campanha que estão sob a inteira responsabilidade do cabeça de chapa. A não ser que se prove a participação ativa de Temer nesses eventos ilícitos.

Dito isso, tudo o que o País não precisa nesse momento é de uma eleição presidencial direta ou indireta. Bem ou mal, o atual governo tem um projeto em execução e  vem conduzindo bem a economia, recolocando o País nos eixos,  tanto no reequilíbrio das contas da União quanto na recuperação financeira dos Estados.  Tal projeto, se interrompido, pode gerar o caos financeiro e social.

O que significaria uma eleição num momento desse? Certamente o retorno da desordem econômica, característica marcante do governo Dilma, e do caos social, com conflitos políticos permanentes entre a direita e a esquerda. Numa  eleição indireta feita pelo Congresso a possibilidade de se colocar no poder um político contaminado pela corrupção e sem respaldo popular é muito grande.

Uma eleição direta traria de volta à cena velhos personagens  - Lula, Marina, Ciro, Aécio – e com eles um desfile de demagogia e hipocrisia. Já imaginaram Lula , réu em cinco processos, de volta ao poder? Além disso, o perfil populista desses candidatos não os recomenda para a tarefa de  tomar providências duras, impopulares, porém necessárias.  A não  ser por um ato de extrema gravidade, a meu juízo a “pinguela” –como se referiu FHC ao governo Temer - deve permanecer para que façamos a travessia até 2018, e a ordem Constitucional não seja quebrada.

terça-feira, dezembro 20, 2016

RUIM NA FORMA, BOM NO CONTEÚDO




Inconstitucional ou não, a reforma do Ensino Médio é necessária. Assim que foi anunciada, se tornou numa espécie de cavalo-de-batalha da esquerda, especial de um grupo de estudantes que ocupam escolas por todo o país. A maneira como foi instituída, através de uma MP não é a mais legal e democrática. Mas não se pode tirar o mérito de uma mudança que pretende desengessar o EM, dando-lhe maior flexibilidade. O fato de tornar opcional o ensino de Artes e Educação Física não significa que esses conteúdos foram retirados do currículo. Significa apenas que os estudantes terão a liberdade de fazer ou não essas matérias. Quanto ao fato de o terceiro ano ter  um conteúdo voltado para o rumo que o estudante pretenda tomar no ensino Superior, é excelente medida. Fica sem sentido um estudante que pretenda fazer Direito estudar Física ou Química, tanto quanto um qur pretenda fazer Medicina estudar História ou Geografia. Os protestos pela  implantação da reforma só tem sentido pela forma como está sendo instituída. Não pelo mérito da matéria.

quinta-feira, dezembro 15, 2016

O JOIO E O TRIGO




O povo tem ido às ruas para exigir a moralização da política. Mas os políticos parecem surdos ao clamor popular, e  no Congresso tentam criar leis para obstruir o trabalho daqueles que têm por obrigação combater a imoralidade na política.

A chamada Lei do “Abuso de Autoridade” , cuja votação foi adiada, é  mais uma dessas imoralidades, com a agravante de colocar os criminosos como justiceiros e criminalizar a justiça. O principal  responsável por essa   lei, Renan Calheiros, já é o retrato pronto e acabado de uma autoridade a praticar abuso. É o que  sabe fazer de melhor. Renan procura legislar de acordo com sua conveniência e em benefício próprio, mesmo que tenha que colocar juízes e promotores no banco dos réus, como deseja, numa completa inversão de valores. Para isso  conta com a solidariedade de colegas que  também  acumulam na Justiça uma série de inquéritos e denúncias por práticas ilícitas.

Sinceramente, - talvez seja muita ingenuidade - não acredito que todo político seja  ladrão, safados e sem-vergonha. Creio que existem políticos, honestos, sérios e competentes, embora a maioria passe a impressão contrária. O que falta é separar o joio do trigo, tarefa que cabe ao eleitor, na hora do voto. Acontece que os bons se acovardam e se calam, por conveniência ou pelo espírito corporativista, sob  a avalanche dos malfeitores o que deixa transparecer que todos são desonestos. O fato é que os desonestos se apropriam dos principais cargos da república e passam a ditar normas  e praticar as malfeitorias.

O governo Temer sofre dessa síndrome da safadeza, pois tem no seu ministério  e cargos relevantes, um bom número de  cidadãos sob os mais diversas acusações de ilicitudes. Esse tem sido o calcanhar de Aquiles do novo governo. Enquanto sua equipe econômica merece elogios tanto na questão ética quanto na  sua atuação, a equipe política deixa a desejar, e a cada semana recebemos a notícia de que algum ministro teve que se afastar do governo acusado por práticas ilegais.

quarta-feira, dezembro 07, 2016

O CORONEL DO ATRASO



Ele se julga superior aos demais. O dono da República. O rei da cocada preta, sem o qual a política brasileira não se move. Mas não passa de um coronel nordestino, representante do atraso político do País, em pleno século XXI. Réu no Supremo, Renan Calheiros afronta a justiça e cria o que a mídia vem chamando de “crise entre os poderes”. Não considero isso uma crise entre poderes, mas tão somente um ato de desobediência explícita que merecia a punição imediata, na forma de prisão do desobediente. A mídia também insiste que, sem Renan, os projetos do governo no Senado não avançarão. É certo que a presença de um petista – Jorge Viana -, na presidência, pode dificultar a tramitação, mas não tem fôlego para impedir a votação, desde que a maioria do plenário assim queira. E a maioria dos senadores é da base governista. O fato é que Renan se julga mais importante do que realmente é, e a mídia comprou essa idéia, assim como havia comprado a de que Eduardo Cunha, na Câmara, também possuia super poderes. Hoje, ele mofa numa na cela de uma prisão, em Curitiba, e ninguém mais se lembra dele. Esperamos que Renan tenha o mesmo destino.

segunda-feira, dezembro 05, 2016

quinta-feira, dezembro 01, 2016

NA CALADA DA NOITE





O Brasil está de cabeça para baixo. Só mesmo num País onde políticos roubam descaradamente e não são punidos, pode acontecer  o que aconteceu na madrugada de terça-feira. Aproveitando-se da comoção geral provocada pela queda do avião da Chapecoense e a morte da maioria dos passageiros, os deputados incluíram  no "pacote anti-corrupção", em votação na Câmara, um artigo que pune juízes e promotores "por abuso de autoridade". Suprema ironia: no pacote, cuja finalidade seria fortalecer o combate à corrupção, foi inserido um artigo que praticamente dá livre trânsito à corrupção, pois amarra os juízes e promotores ao humor dos acusados. Se algum promotor olhar  enviesado para Renan, pode ser acusado de abuso de autoridade. Se algum juiz chamar Lula para depor, pode ser acusado do mesmo crime. Esperamos que a sociedade reaja, e o STF ponha fim a essa verdadeira agressão aos direitos constitucionais de juízes e promotores

quarta-feira, novembro 30, 2016

INCONFORMADOS PROTESTAM E VANDALIZAM




Quando estava no governo, a esquerda gastou o que não podia e o que não devia. Resultado: um País endividado e   em crise. Mesmo assim, os vermelhos se agitam contra o projeto que se propõe a reduzir os gastos do governo. Na última terça-feira a Praça dos Três Poderes se transformou num campo de batalha, quando os que protestavam passaram das manifestações pacíficas “contra Temer e contra a PEC dos gastos” a atos de extremo vandalismo contra o Patrimônio Público, durante a votação do projeto, no Senado.

Na verdade, esses discípulos de Lula e Fidel, mais do que  atacar a falta de recursos para a educação e saúde, como alegam, se revoltam  e mostram a sua inconformidade  com a saída forçada do poder,  e a conseqüente perda de cargos e privilégios a que estavam acostumados, e que, se traduzirão, agora, em demissões e em redução ou congelamento de salários.  Na verdade, esse pessoal representa uma parcela menor da sociedade, que faz  muito barulho,  nada produz  e muito consome  em termos de verbas públicas. São os  sanguessugas do Estado.

A atual equipe econômica aplica uma política sóbria e conservadora,  não por maldade ou sadismo, mas porque não há outro jeito: o PT quebrou o Brasil. Estados e municípios estão com a corda no pescoço,  e  seus recursos mal dão para pagar o funcionalismo. Negar esse fato é estar cego ou mal-intencionado.

Depois de ter conduzido o País à maior crise das  últimas décadas, com queda da atividade econômica, inflação e desemprego, o PT tem ainda a ousadia  e o cinismo de dar lições de governança. O projeto de Emenda Constitucional que prevê um teto para os gastos pode até resultar em fracasso, mas é uma proposta racional para recolocar as contas públicas em dia. Quanto à oposição vermelha, é bom lembrar que em 1994, o PT  se colocou  contra o Plano Real, na contramão do desejo da sociedade.