segunda-feira, abril 13, 2015

INDIGNAÇÃO E IMPASSE


Com menos intensidade que nas vezes anteriores, cidadãos indignados foram às ruas, nesse último domingo, para protestar contra o governo. Desde 2013, assistimos a essas manifestações cívicas que, basicamente, contestam o modo petista de governar.  Mas todo esse protesto tem resultado muito mais  em algumas pouco convincentes promessas  do que em mudanças efetivas.

Os manifestantes reivindicam o fim da corrupção e melhor qualidade dos serviços públicos essenciais. Protestam também contra a crise econômica, os altos impostos, e exigem o impeachment da presidente Dilma, por considerá-la incompetente e conivente com a corrupção. Uma minoria pede uma “intervenção militar constitucional”, eufemismo para golpe e ditadura.

A grande questão, e isso ficou claro no último domingo, é que as manifestações correm o risco de cair num impasse por não estabelecer canais de negociação com o governo e com a oposição parlamentar. Falta ao movimento  lideranças representativas para tal. Dessa forma, o movimento perde a continuidade  e a efetividade nos dias e meses que se seguem aos protestos de rua. Vamos torcer para que as manifestações amadureçam e tomem um sentido prático.

A insatisfação com o governo  se estende à desconfiança com a oposição institucional. Isso expressa um sentimento de repudio às instituições democráticas e aos políticos em geral, o que talvez explique a total ausência de canais de comunicação entre o movimento e os poderes constituídos.  Assim, fica difícil que as exigência manifestadas nas ruas  se concretizem na prática.

130415

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