sexta-feira, julho 31, 2015

FIM DO SONHO DE CUNHA?


Cunha é um político astuto e frio que se contrapôs ao PT  com uma postura que o identifica com o pensamento majoritário da própria sociedade nesta década, qual seja a  defesa das liberdade econômica, diminuição do tamanho do Estado, e conservadorismo no campo no campo dos costumes e das  relações sociais. A  sua adesão a  teses como a diminuição da maioridade penal, a oposição ao aborto e ao “casamento gay” fizeram dele , aos olhos de muitos, um político fora do padrões normais. Mas se as denúncias contra ele se confirmarem, concluiremos que ele estava mais para Collor do que para  o estadista que projetava ser.


A advogada Beatriz Cata Pretta abandonou a defesa dos acusados, abandonou a profissão, e pretende abandonar o  Brasil. Decisões tão drásticas, segundo ela, foram motivadas por ameaças veladas de membros da CPI da Petrobras, aliados do presidente da Câmara Eduardo Cunha. Faz ela muito bem, pois tem que preservar a sua integridade física e a de seus familiares. Com bandidos não se brinca.

E a política brasileira tem se tornado um território de gangsteres, nos últimos tempos. O banditismo atinge tanto o Poder Executivo, quanto o Legislativo, passando,  em alguns casos, pelo Judiciário. Ao invés de projetos no campo da educação, saúde e segurança que beneficiem a população, o noticiário da imprensa tem falado em corrupção, propina, lavagem de dinheiro, contas secretas.

Beatriz Catta Preta, especialista em delação premiada, passou a ser alvo dos aliados de Eduardo Cunha a partir da denúncia do réu Júlio Camargo de que o político havia pedido, ou recebido, propina no valor deUS$ 5 milhões.  Uma denúncia dessa gravidade,  se provada, põe por terra o principal projeto político de Cunha,  que é a presidência da República, em 2018. Liquida com  o sonho alimentado por todo o grupo de Cunha, composto de membros do PMDB e outros partidos.

Cunha é um político astuto e frio que se contrapôs ao PT  com uma postura que o identifica com o pensamento majoritário da  sociedade nesta década, qual seja a  defesa das liberdade econômica, diminuição do tamanho do Estado, e conservadorismo no campo no campo dos costumes e das  relações sociais. A  sua adesão a  teses como a diminuição da maioridade penal, a oposição ao aborto e ao “casamento gay” fizeram dele , aos olhos de muitos, um político fora do padrões normais .

Alem disso, sob seu comando, nunca a Câmara trabalhou tanto como nos últimos meses. Isso, é claro lhe granjeou a  simpatia de grande parte da população, o que  aumentou a sua chance de chegar ao Planalto, já que o PT está desmoralizado e o PSDB não consegue convencer ninguém. Mas, no caminho de Cunha apareceram Júlio Camargo e sua advogada. Se  as denúncias contra ele se confirmarem, concluiremos que ele estava mais para Collor do que para  o estadista que projetava ser.
3108015


quarta-feira, julho 22, 2015

DE COADJUVANTE A PROTAGONISTA?



Difícil acreditar que o PMDB deixe  o governo agora. Primeiro porque o partido é heterogêneo, dividido em diversas alas e  ramificações, submetidas a diversos caciques. Segundo porque é um partido altamente fisiológico, agregado ao poder, tanto faz se for  do PSDB  ou do PT. O "rompimento" de Eduardo Cunha pouco significa, porque a sua liderança é mínima. O partido está muito mais para a cautela de Temer do que para o arrojo de Cunha.

É claro que se a situação complicar e o impeachment de Dilma prosperar. O PMDB não vai querer a sua imagem   associada à incompetência e corrupção do PT,  Vai tratar de cair  fora,   arrumar um candidato, e tentar deixar de ser coadjuvante, para assumir a posição de protagonista. Eduardo Cunha até que vinha se saindo bem nesse papel, mas as últimas denúncias da investigação da Lava Jato complicaram a sua vida. Vamos ver no que dá, mas uma coisa é certa: o PMDB vai para onde soprar a brisa do poder.
220715

quarta-feira, julho 01, 2015

A IMPUNIDADE CONTINUA



Um show de hipocrisia com demagogia foi protagonizado, ontem, por  deputados federais na votação do substitutivo à PEC que institui  a maioridade penal acima de 16 anos. Por 303 votos a favor e 184 e quatro abstenções, a PEC foi rejeitada . Faltaram justamente cinco votos para que a proposta pudesse ser aprovada.

Os defensores de que tudo deve continuar como está – a maioria de partidos de esquerda – argumentaram sobre a “inutilidade” da alteração constitucional em razão da inexistência  de prisões , da precariedade  do ensino público brasileiro e da idéia de que  a modificação “não resolveria a questão da criminalidade” no país.

Pura demagogia, aplaudida freneticamente, nas galerias da  Câmara, por uma claque de jovens da UNE e militantes de esquerda. Se não existem prisões, que se construam, tal como foram construídas majestosas arenas de futebol. Se a educação é precária, que seja revolucionada e elevada a níveis de primeiro mundo. Aliás, nos seus doze anos de mandato, os presidentes petistas nada fizeram nesse sentido.

Por último, o argumento de que a redução da maioridade não resolveria  o problema da criminalidade, é evidente que não, e nem era a sua pretensão. O seu propósito é simples e direto: impedir que jovens que cometem crimes hediondos – como seqüestro, assassinato e roubo seguido de morte - continuem impunes. Ao rejeitar a PEC, 184 deputados evidenciaram para a sociedade que, de alguma forma, compactuam com esses criminosos.

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terça-feira, junho 16, 2015

ACORDA, MINISTRO!



O governo do PT, através de seu Ministro da Justiça, defende punição mais severa para adolescentes que praticam crimes hediondos. Não basta. É necessário e urgente que eles sejam punidos segundo a legislação penal, que, aliás, precisa ser aperfeiçoada.. O ministro  alega a superlotação dos presídios e as péssimas condições dos prisioneiros para não admitir a redução da maioridade penal.

Se as prisões são insuficiente , que se construam mais prisões. Se são de péssima qualidade, que seja melhorada as suas condições.O que não pode é  aplicar  penas "sócio-educativas" a quem estupra, assassina, tortura de maneira bárbara. Ah, educação  de qualidade também ajudaria a diminuir o número de criminosos,e consequentemente de prisões. Acorda, ministro


segunda-feira, maio 25, 2015

INTERVENÇÃO MILITAR OU GOLPE?

Dentre os que protestam conta o desgoverno de Dilma Rousseff, estão os que defendem  uma “intervenção militar constitucional”. Em toda a  parte do mundo, e em qualquer momento da História,  intervenção militar quase sempre resulta em ditadura. Derrubar um governo legitimamente eleito, por pior que seja, para instalar uma ditadura, não é bom negócio para a vida política do país.


Esse discurso golpista faz lembrar 1964, quando, motivado pelo aumento da corrupção e pela ameaça comunista no governo João Goulart, os militares fizeram uma “intervenção” que durou 21 anos. A diferença é que, àquela época, a ação dos militares recebeu amplo apoio da classe média, o que, felizmente, não acontece agora. Hoje também, ao contrario dos anos 60, os militares não estão envolvidos em  política, e cuidam apenas de suas missões constitucionais.

Os defensores da tal “intervenção” tentam argumentar no sentido de que o PT no poder estaria a trabalhar pela  implantação de um regime comunista no país. Argumento torto porque o problema do PT é muito mais  a  total falta de competência, e deslavada corrupção na gestão do Brasil,  do que o caráter ideológico  do partido. Além do mais, o comunismo faliu em todo  o mundo,  e só prevalece em países insignificantes anacrônicos, como Cuba e Coréia do Norte.

Tentar afastar o PT por  um golpe militar é como matar uma pulga com um tiro de canhão. Para isso existem  dois remédios constitucionais: aguardar o ano de 2018 para escorraçar o PT do governo através das eleições, ou trabalhar pelo impeachment da presidente Dilma. Trocar uma provável ameaça à democracia – governos do PT -  pela certeza do fim da democracia – golpe militar – não compensa. Vamos afastar o PT do poder por meios constitucionais.

250515

segunda-feira, abril 13, 2015

INDIGNAÇÃO E IMPASSE


Com menos intensidade que nas vezes anteriores, cidadãos indignados foram às ruas, nesse último domingo, para protestar contra o governo. Desde 2013, assistimos a essas manifestações cívicas que, basicamente, contestam o modo petista de governar.  Mas todo esse protesto tem resultado muito mais  em algumas pouco convincentes promessas  do que em mudanças efetivas.

Os manifestantes reivindicam o fim da corrupção e melhor qualidade dos serviços públicos essenciais. Protestam também contra a crise econômica, os altos impostos, e exigem o impeachment da presidente Dilma, por considerá-la incompetente e conivente com a corrupção. Uma minoria pede uma “intervenção militar constitucional”, eufemismo para golpe e ditadura.

A grande questão, e isso ficou claro no último domingo, é que as manifestações correm o risco de cair num impasse por não estabelecer canais de negociação com o governo e com a oposição parlamentar. Falta ao movimento  lideranças representativas para tal. Dessa forma, o movimento perde a continuidade  e a efetividade nos dias e meses que se seguem aos protestos de rua. Vamos torcer para que as manifestações amadureçam e tomem um sentido prático.

A insatisfação com o governo  se estende à desconfiança com a oposição institucional. Isso expressa um sentimento de repudio às instituições democráticas e aos políticos em geral, o que talvez explique a total ausência de canais de comunicação entre o movimento e os poderes constituídos.  Assim, fica difícil que as exigência manifestadas nas ruas  se concretizem na prática.

130415

terça-feira, abril 07, 2015

PERIGOSA INSENSATEZ

 Submeter o país a uma “intervenção militar”, como querem alguns, sob o pretexto da ameaça da comunização do país pelo governo do PT, não é uma solução. É uma perigosa insensatez. O que coloca em risco o Brasil, muito antes da ameaça comunista, são a gigantesca incompetência da presidente e a fenomenal expansão da corrupção. Portanto, é um problema de má gestão. Golpe militar e ditadura não resolvem esse problema além de criar outros. Existem instrumentos constitucionais para afastar presidentes incompetentes e/ou corruptos. O fim da democracia e das liberdades individuais é um preço muito alto a pagar pela interrupção  do governo Dilma e da era PT.
070415

segunda-feira, março 16, 2015

PROTESTO E CIVISMO




As manifestações de 15 de março foram uma aula de civismo marcada pela indignação. Indignação com o desgoverno  de  Dilma  Rousseff, protesto contra a corrupção, e uma clara demonstração de civismo, que levou às ruas milhões de brasileiros vestidos de verde e amarelo a demonstrar a sua preocupação com os rumos deste país.

Os governistas, adeptos do vermelho, tentaram diminuir o movimento – como se isso fosse possível – qualificando-o como “manifestação  da direita”. Não foi. Foi uma  contundente  manifestação contra os rumos que o país tomou nos últimos anos, contra a corrupção, a inoperância  do Congresso, o crescimento da inflação, a absurda carga tributária, as elevadas taxas de juros, e, para coroar, a roubalheira que tomou conta da Petrobras, outrora tida como uma empresa de respeito. Para muitos dos que protestavam, foi também um movimento pelo impeachment de Dilma Rousseff.

Esses milhões foram às ruas exigir que o Brasil seja passado a limpo,. Que o Judiciário, o Legislativo e o Executivo ajam com rapidez para colocar o país nos trilhos. Para isso, cabe ao Judiciário, em especial o STF, a tarefa de apressar o processo dos políticos acusados de corrupção; ao  Congresso, a urgente obrigação de expurgar a sua banda podre que coloca toda a instituição na lama; ao Executivo, o dever de apresentar à Nação, o mais depressa possível, um plano de governo que imponha a austeridade em seus quadros, metas factíveis de crescimento e alívio no bolso da sociedade.   

Os nossos políticos costumam se fazer  de surdos aos clamores da sociedade, mesmo os mais contundentes como os de ontem. Esperamos que dessa vez seja diferente porque a paciência do povo chegou ao fim.
160315

terça-feira, março 10, 2015

QUEM QUER DESTRUIR A DEMOCRACIA


Em recente discurso - http://migre.me/oXXMY -  o ex-presidente Lula se mostrou mal informado ou mal intencionado ao afirmar que a direita quer “negar ou destruir a política” no  Brasil. Se o líder do PT freqüentou pouco ou nada as aulas de política ou de História, é necessário que fique sabendo que nem a direita, nem a esquerda ou o centro, vão acabar com a política. Simplesmente porque a política é um valor inerente à sociedade desde os tempos mais remotos. A Política existe e continuará a existir tanto em nações democráticas, como as da Europa Ocidental, quanto nas mais opressivas ditaduras, como Coréia do Norte ou Cuba.

Talvez o que Lula estivesse querendo dizer, no afã de  desqualificar as recentes manifestações da sociedade contra o desgoverno de Dilma , é que a direita está pretendendo  destruir a democracia.

É inegável que setores da chamada direita, de fato, não morrem de amores pelo regime democrático, e manifestam clara simpatia pela volta dos militares ao poder da República. Mas são, creio, minoritários.  O que a maioria da sociedade deseja é a permanência e a consolidação da democracia. Por isso se opõem às práticas do PT no governo. Sim, porque se existe alguma instituição que tenta liquidar  a democracia neste país, esta é o Partido dos Trabalhadores, chefiada por Lula.

De que maneira? Com o aparelhamento de todo o setor público, com a política  de  submissão do Congresso e do Supremo Tribunal ao Executivo, com as tentativas de cercear a liberdade de Imprensa, com a roubalheira institucionalizada na máquina pública e nas estatais, com o apoio explícito a “movimentos sociais” que agridem o setor produtivo, com a manifesta simpatia por ditaduras e movimentos terroristas internacionais, e , para coroar, com  as fortes suspeitas de fraude nas últimas eleições presidenciais.

Ao contrário do que o boquirroto Lula afirma,  não fosse a vigilância atenta dos que ele diz querem “destruir a política”, e o PT já teria , ele sim, conduzido este país a algo bem próximo do que é Cuba, ou na melhor das hipóteses, do que é a Venezuela.
100315

terça-feira, fevereiro 24, 2015

LONGE DO SACRIFÍCIO



O ajuste fiscal e a contenção dos gastos públicos, anunciados pelos ministros da Fazenda e do Planejamento, são políticas necessárias e urgentes para superar a crise, debelar o descontrole da dívida pública e o aumento da inflação. O problema é que todo ajuste, no Brasil, significa uma paulada na cabeça dos menos favorecidos, os que se situam no andar de baixo da administração, se estendendo aos trabalhadores  e empresários da iniciativa privada. O pessoal do andar de cima quase nunca é atingido. Gastos públicos com a Previdência são alvos da tesoura da Fazenda. Gastos e desperdícios do alto escalão não são afetados.


Políticos e altos funcionários dos três níveis da administração e das três esferas de governo  continuam a se comportar como se a crise que atinge o país estivesse acontecendo na Islândia, não aqui. Continuam a exigir reajustes  em seus contracheques, e a multiplicação de seus privilégios e mordomias. Uma indecência que, há muito está por merecer uma manifestação mais contundente  dos cidadãos. Mas o povo permanece surpreendentemente quieto, aceitando passivamente os abusos cometidos por esse pessoal. Portanto, ajuste fiscal, sim. Mas com o sacrifício de todos. Repito, de TODOS.

sexta-feira, fevereiro 13, 2015

MANCHA DE SANGUE SOBRE O CARNAVAL



VERGONHA!
O carnaval do Rio prepara-se para homenagear, de forma indireta, um dos mais sanguinários ditadores da atualidade. Trata-se de Teodoro Obiang, que desde 1979 governa a Guiné Equatorial com mão de ferro. O ditador, considerado um dos governantes mais ricos do planeta , graças à riqueza gerada pelo petróleo em seu país e pela corrupção escancarada, governa um país que tem um dos menores IDHs do planeta.

Obiang é um entusiasta do carnaval carioca e, em anos anteriores,  já esteve discretamente na cidade para assistir ao desfile das escolas de samba. Desta vez, resolveu participar ativamente , e, para isso, pagou cerca de dez milhões de reais à Beija- Flor, que organizou um desfile dedicado a este pequeno país africano. O tema oficial da escola de samba no Carnaval 2015 é “um griô conta a história: um olhar sobre a África e o despontar da Guiné Equatorial”.

A letra do samba tem referências diretas ao país africano. “Nego canta, nego clama liberdade/Sinfonia das marés saudade/Um africano rei que não perdeu a fé/Era meu irmão, filho da Guiné”, lê-se no refrão. Outra passagem da letra diz: “A chama da igualdade não se apaga/Olha a morena na roda e vem sambar/Na ginga do balelé, cores no ar/Dessa mistura, eu faço o carnaval/canta Guiné Equatorial”. A menção completa ao país teria sido uma exigência de Obiang, já que inicialmente esta passagem falava apenas de Guiné.


Obiang tem sofrido contundentes acusações de agressão aos direitos humanos em seu país, estando inclusive, por força dessa e de outras acusações proibido de entrar em vários países da Europa. Mas o Brasil é generoso: além de permitir a presença dessa abjeta figura em solo pátrio , ainda se dá ao luxo de prestar-lhe uma homenagem. Mas como  esperar um comportamento ético de uma escola de samba que nasceu, cresceu e viveu sob a proteção de bicheiros?
130215

quinta-feira, fevereiro 12, 2015

IMPEACHMENT NÃO É GOLPE


O país vive uma das piores crises de sua História: inflação subindo, PIB caindo, desemprego aumentando, água sumindo.E os políticos agem como se estivéssemos num mar de rosas. Mar de rosas para eles, que não perderam um centavo de suas  vantagens e privilégios.

Por  outro lado, continuamos  governados por uma presidente que disputa o título de governante mais incompetente de nossa História, e por um partido que, mesmo atolado até o pescoço no escândalo do Mensalão, não aprendeu a lição e se afunda  agora no fosso do “petrolão”, com certeza o maior escândalo de corrupção acontecido neste país..


E a presidente Dilma, faz o quê, para  tirar o país do buraco? Nada, absolutamente nada. Ela se esconde , como se não tivesse nada com isso, ou como se tivesse culpa no cartório. Estamos vivendo um ano triste e preocupante. Por isso, não me venham   falar que exigir  o impeachment da grande responsável por tudo isso é “golpe”. Processar e afastar  legalmente um chefe de governo reconhecidamente incompetente não é golpe. É zelar pelo bem do país e dos  seus cidadãos.