segunda-feira, outubro 20, 2014

O MANIQUEÍSMO PETISTA

A realidade desmente a propaganda. Mesmo que alguns indicadores sociais mostrem  avanços, esses  não se deram  por políticas sociais consistentes , mas por práticas governamentais meramente assistencialistas,que, como sabemos, deveriam ser emergenciais, mas assumiram caráter permanente e passaram a própria razão de ser do “projeto social”  do governo, além, é claro, de principal fonte de votos para a manutenção do poder.


Na visão estreita do PT, a sociedade se encontra dividida entre os “bons e os maus”, os “progressistas e os reacionários”, o “povo e a elite”. O partido coloca-se como o representante  da parte fraca da sociedade,  arvora-se  em  defensor dos pobres e dos oprimidos , e atribui ao PSDB o papel de vilão, sempre disposto, sob essa ótica, a destruir as “conquistas sociais” do partido de Lula e Dilma.

Não é bem assim. Mas ante a possibilidade de perder o poder conquistado em 2002, o partido de Dilma radicalizou a campanha eleitoral, dividiu o eleitorado, e iniciou uma condenável divulgação de mentiras sobre as supostas maravilhas do seu governo, ao mesmo tempo em que partiu para a desconstrução dos adversários. Aparentemente não tem dado certo, visto  o resultado do primeiro turno, que mostrou que a maioria do eleitorado votou preferiu a alternância.

Acuado pelo resultado das pesquisas, que indicam ligeira vantagem do candidato de oposição, o PT luta para se garantir no poder, a todo custo,  sustentado sobre a grande falácia  de que somente  o partido da estrela vermelha  será capaz de superar a pobreza, as desigualdades sociais.

A realidade desmente a propaganda. Mesmo que alguns indicadores sociais mostrem  avanços, esses  não se deram  por políticas sociais consistentes , mas por práticas governamentais meramente assistencialistas,que, como sabemos, deveriam ser emergenciais, mas assumiram caráter permanente e passaram a própria razão de ser do “projeto social”  do governo, além, é claro, de principal fonte de votos para a manutenção do poder.

A principal dificuldade da oposição, no enfrentamento eleitoral, tem sido escapar dessa armadilha sem perder votos. E esse combate não pode ser travado no terreno proposto pelo governo - o do assistencialismo social,  com destaque para o Bolsa Família. Serra e Alckmin perderam três eleições para o PT porque não souberam escapar  dessa arapuca petista.

A oposição não pode  ficar discutindo práticas sociais do PT  dizendo que vai melhorá-las. Tem que trazer à disputa propostas efetivas que resgatem os milhões da pobreza, e cujo carro chefe não poderia ser outro senão a da urgente  revolução na educação brasileira, projeto  completamente desprezado pelos petistas nos 12 anos de governo.

Sem propostas corajosas e consistentes nesse sentido, a atual oposição, mesmo como eventual futuro governo, continuará  a ser,  na concepção maniqueísta  e mesquinha do PT, o lado mau da política brasileira, o anti-povo disposto  a explorar os pobres  e assaltar o país.
201014

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