quinta-feira, setembro 04, 2014

HIPOCRISIA TEM LIMITE




A imprensa gaúcha conta que Patrícia Moreira,   a moça flagrada chamando  o goleiro do Santos da “macaco” está passando horrores em Porto Alegre. Perdeu o emprego, teve a casa apedrejada, e tem sido execrada  por onde passa.  Ela de fato cometeu grave erro e merece alguma forma de punição dentro da lei. O que não pode é ser execrada por uma parcela  da sociedade que guarda seus próprios preconceitos no armário para se  arvorar em juiz dos demais, em praça pública.  

Sim, porque muitos dos que condenam a moça à fogueira do inferno são também preconceituosos. Afinal, culturalmente o Brasil carrega a marca do preconceito. Não só contra os negros. Aqui, o preconceito é generalizado contra pretos,  deficientes,   homossexuais,   índios, pobres,   nordestinos,  orientais, e por aí vai.

Muitos dos que atiram pedra na moça e escrevem posts indignados  nas redes sociais têm muitos  desses preconceitos. Não que eu queira equiparar o racismo aos  demais tipos de preconceito, pois sei da carga histórica de escravidão, colonialismo, perseguição, ódio e sofrimento que essa atitude envolve. Mas o que vem ao caso  é que pessoas preconceituosas   se arvorem em juízes do preconceito de outros.

É inegável que a moça  deve ser julgada pelo crime de injúria racial. Quanto à execração pública  só teria sentido se seus algozes se livrassem   de seus próprios preconceitos. Aqui vale a velha máxima   “quem não tem algum preconceito, que atire a primeira pedra”. Hipocrisia tem limite.
020914

Um comentário:

Anônimo disse...

Apoiado, amigo. O que fizeram com a moça é atitude bárvara diante de um país onde as leis deveeriams er cumpridas