quarta-feira, setembro 24, 2014

VIDA DIFÍCIL PARA AÉCIO




A  se confirmarem as pesquisas, Aécio Neves está prestes a sofrer uma inédita derrota em  sua bem sucedida carreira política. E não pode culpar apenas Marina Silva pelo seu fracasso. Antes, deve fazer uma autocrítica sobre sua atuação nessa campanha eleitoral, e buscar os seus próprios equívocos.

Aécio se apresentou como principal força de oposição à hegemonia do PT,  mas não soube incorporar o sentimento de inconformismo de uma parcela  grande da sociedade, em especial da classe média. O candidato trilhou o mesmo e questionável caminho dos candidatos tucanos nas eleições anteriores – Serra e Alckmin. Carregou nas críticas às mazelas do governo, mas não foi convincente ao propor o seu  próprio projeto. Como os tucanos que o antecederam,  não soube  escapar das  armadilhas eleitorais engendradas pelo PT, quais sejam  as políticas  assistencialistas, em especial o Bolsa Família.

Após  um ano de campanha, permanece  impossível ao eleitor responder quais  os projetos do PSDB para a educação, saúde, segurança habitação e transporte. Ou o que pretendem os tucanos  em relação à reforma  do estado, às privatizações, à reforma tributária e à reforma política. Aécio e os tucanos não souberam estabelecer uma marca que os diferenciassem do que o PT já vem praticando nos últimos doze  anos.

Aécio se ocupou muito das fraquezas éticas  do PT, que são graves, mas não soube atacar as fraquezas administrativas, que são tão graves quanto. Enquanto isso, acabou vendo  a sua retaguarda  atacada  por críticas   a fatos de sua vida pessoal e   aos seus deslizes políticos, como a inexplicável construção de um aeroporto em Cláudio,em propriedade de parentes.

Mais dolorida do que a derrota nacional, será a  débâcle  em Minas, com  a prevista ascensão do petista  Fernando Pimentel ao governo do  estado onde   reinou absoluto nos últimos doze anos. Em Minas, Aécio  terá que enfrentar a máquina do PT e sua já conhecida competência para se manter no poder, e  aversão à ética, moral e bons costumes políticos. No plano interno, partidário, terá que conviver  com Geraldo Alckmin, que, fortalecido pela vitória ao governo de São Paulo, assumirá o status de comandante do PSDB.Não será fácil a vida de Aécio.
240914


segunda-feira, setembro 22, 2014

PROMESSAS, PROMESSAS, PROMESSAS





Os candidatos à presidência lançam  propostas, fazem promessas e anunciam projetos que, fossem viabilizados, causariam estrago gigantesco nas contas do Estado. São propostas impactantes, algumas mirabolantes,  suficientemente  genéricas para iludir o eleitor pelo coração.

Algumas são explicitamente absurdas, como a do candidato do PCO, Rui Pimenta, que promete salário mínimo de R$3500; ou a do candidato Levy Fidelix, que defende a abertura de uma poupança no valor de quatro salários  para toda criança nascida no país.

Outras são até razoáveis e  representam de fato um anseio social, não fosse a sua implementação  exigir grande esforço financeiro.  É o caso  do candidato do PV, Eduardo Jorge, que defende a adoção do imposto único; de Luciana Genro,  que promete  a universalização do acesso aos serviços de saneamento; ou de Dilma Rousseff, que anuncia  o mesmo, em relação aos  serviços de internet.

Os candidatos em campanha lançam no ar as suas promessas, mas não dizem como pretendem viabilizá-las, dentro da realidade atual do Tesouro, sem que fossem necessários o aumento da carga tributária, ou a captação de recursos financeiros no mercado internacional. O que de qualquer forma seria impactante na  economia, como um todo.

Geralmente, quando as campanhas se encerram, os vencedores voltam à realidade e jogam no lixo os seus programas eleitorais. Entram num novo ciclo, onde as promessas ficam esquecidas e os números do orçamento falam mais alto.
220914



quinta-feira, setembro 18, 2014

TEMAS DESPROPOSITADOS



 Mais um pleito presidencial, e as discussões sobre o aborto, direitos civis dos casais homossexuais ( “casamento gay” ), e legalização da maconha  voltam ao cenário da disputa . Existem candidatos - Luciana Genro, Pastor Everaldo e Eduardo Jorge -  quase  exclusivamente dedicados a esses temas, embora os três principais disputantes – Aécio, Marina e Dilma – tentem evitá-los a todo custo, por polêmicos que são. E com razão,  É  bom que se diga.

 Não que essas questões sejam desimportantes. Mas são, a meu ver,  fora de propósito no contexto de uma disputa presidencial. São questões de foro íntimo, que, por envolver  moral, ética, religião e costumes, e pela carga emocional que carregam, independem  da convicção pessoal do presidente, ou de uma decisão arbitrária do Executivo. Devem ser amadurecidas em  uma ampla e profunda discussão na sociedade  e no Congresso, e decididas através de referendo ou plebiscito.

O fato é que a cada disputa presidencial, o lobby das igrejas católica e evangélicas,   dos movimentos pela liberação das drogas,  pró-aborto,  e pelo direito civis dos gays, ficam mais atuantes  e tentam impor ao debate   os seus  pontos de vista  e as suas reivindicações. O problema é que  , muitas vezes, ofuscam  temas   que realmente interessam sociedade. E o que a sociedade quer é saber  o que cada candidato pretende  a respeito de educação, saúde, transporte, segurança e economia.

Que as questões de conteúdo ético e/ou religioso sejam discutidas a seu tempo e em  fóruns apropriados, a partir do próximo mandato presidencial, independentemente  da visão pessoal que o futuro governante tenha sobre o assunto.
180914

segunda-feira, setembro 15, 2014

MARINA E OS TUCANOS




Existe a possibilidade de que, num eventual governo Marina Silva, o PSDB venha a se constituir  na principal força de apoio político e técnico à presidente.Tudo em nome da chamada governabilidade.

Marina não terá muita escolha. O partido a  que esta filiada, é fraco, e a candidata não se sente à vontade nele. O seu real partido, Rede Sustentabilidade,  crescerá muito com a ascensão de sua líder, mas, por outro lado,será alvo da cobiça de políticos oportunistas e fisiológicos. Além disso, a sua consolidação como partido forte e influente não se fará de um momento para o outro.

Quanto aos dois partidos atualmente hegemônicos – PT e PSDB -, os ataques sistemáticos do PT não só ao programa da candidata, mas também à pessoa de Marina Silva, são indicativos  muito fortes de que, derrotado nas urnas, se colocará em  oposição  ao governo.  A não ser, é claro, que Lula, por um suposto apreço a Marina , ou por conveniência política, decida o contrário.

Resta o PSDB. Apesar de Aécio Neves ter afirmado que os tucanos serão oposição, por “decisão das urnas”, é certo que alguns caciques  do partido, inclusive Fernando Henrique, vêem com simpatia a hipótese de colaborar informalmente, ou mesmo apoiar institucionalmente o provável  governo de Marina.

Em defesa dessa opção, argumentam que as idéias econômicas da candidata, principalmente a da autonomia do Banco Central, estão muito próximas ao que os tucanos sempre defenderam. Portanto a  possibilidade existe. É esperar para ver. Mas, para isso, as urnas terão que confirmar o que as últimas pesquisas  vêm anunciando.
150914

quinta-feira, setembro 04, 2014

HIPOCRISIA TEM LIMITE




A imprensa gaúcha conta que Patrícia Moreira,   a moça flagrada chamando  o goleiro do Santos da “macaco” está passando horrores em Porto Alegre. Perdeu o emprego, teve a casa apedrejada, e tem sido execrada  por onde passa.  Ela de fato cometeu grave erro e merece alguma forma de punição dentro da lei. O que não pode é ser execrada por uma parcela  da sociedade que guarda seus próprios preconceitos no armário para se  arvorar em juiz dos demais, em praça pública.  

Sim, porque muitos dos que condenam a moça à fogueira do inferno são também preconceituosos. Afinal, culturalmente o Brasil carrega a marca do preconceito. Não só contra os negros. Aqui, o preconceito é generalizado contra pretos,  deficientes,   homossexuais,   índios, pobres,   nordestinos,  orientais, e por aí vai.

Muitos dos que atiram pedra na moça e escrevem posts indignados  nas redes sociais têm muitos  desses preconceitos. Não que eu queira equiparar o racismo aos  demais tipos de preconceito, pois sei da carga histórica de escravidão, colonialismo, perseguição, ódio e sofrimento que essa atitude envolve. Mas o que vem ao caso  é que pessoas preconceituosas   se arvorem em juízes do preconceito de outros.

É inegável que a moça  deve ser julgada pelo crime de injúria racial. Quanto à execração pública  só teria sentido se seus algozes se livrassem   de seus próprios preconceitos. Aqui vale a velha máxima   “quem não tem algum preconceito, que atire a primeira pedra”. Hipocrisia tem limite.
020914

segunda-feira, setembro 01, 2014

A NOVA POLÍTICA DE MARINA



 Na verdade, não precisamos  de uma nova ordem política porque no Brasil não se pratica a velha política. Institucionalmente, o país vive sob uma Constituição democrática, regime presidencialista, eleições regulares e livres, Congresso  e as demais instituições republicanas funcionando normalmente.  O que o Brasil precisa é de boas práticas políticas, ou seja, que as instituições funcionem bem, e que o Congresso, por exemplo seja um palco de acordos e negociações e não de conchavos e negociatas.


Marina Silva propõe uma nova política, mas não define exatamente o que isso vem a ser. Critica a dicotomia PT x PSDB como se isso fosse um mal em si, e se coloca como uma terceira via, sem precisar, contudo,   o que   diferenciaria as suas propostas da prática atual. Seus críticos vêem traços de autoritarismo nessas propostas. E com boa dose de razão. Afinal, é bom lembrar que Mussolini, na Itália, e Hitler, na Alemanha chegaram   ao poder por meios democráticos, mas  depois agrediram e liquidaram a democracia em seus países.
                           
Outros críticos alertam para  o perigo de um governo sem uma base partidária consistente conduzir o país ao caos político. E relembram os governos de Jânio Quadros e de Fernando Collor, que, sem apoio político no Congresso, não conseguiram terminar os seus mandatos. É claro que grande parte dos críticos de Marina se encontra  no PT e no PSDB, que, por razões óbvias, procuram alimentar o medo. Mas o discurso de Marina pregando a tal nova política também alimenta esse temor.

Na verdade, não precisamos  de uma nova ordem política porque no Brasil não se pratica a velha política. Institucionalmente, o país vive sob uma Constituição democrática, regime presidencialista, eleições regulares e livres, Congresso  e as demais instituições republicanas funcionando normalmente.  O que o Brasil precisa é de boas práticas políticas, ou seja, que as instituições funcionem bem, e que o Congresso, por exemplo seja um palco de acordos e negociações e não de conchavos e negociatas.

Marina Silva se ilude ou tenta iludir o seu eleitorado de que será capaz de governar sem o apoio institucional de uma aliança de partidos políticos, contando apenas com o apoio dos melhores de cada partido. Isso não existe. Não é assim que se governa numa democracia. Só funciona sob o autoritarismo. E a história de vida de Marina, embora ela tenha crescido politicamente num partido que tem apreço por ditaduras de esquerda, não leva a crer que ela tenha alguma aversão pela democracia. Pode ser que estejamos enganados. Nesse caso não é bom pagar para ver. Por isso, são totalmente válidas as críticas que a candidata vem recebendo.
01/09/14