segunda-feira, agosto 25, 2014

CONTINUIDADE OU NOVA ERA?


E são essas diferenças  que têm encantado uma boa parte da classe média e da juventude. Traduzido  em votos,   esse encantamento pode levar Marina à presidência, criando um novo fenômeno político.  Com uma só cajadada ela teria “matado” os dois partidos que dominaram a cena política nacional nos últimos 20 anos. Vamos aguardar para ver.
A corrida presidencial, após a morte de Eduardo Campos, ganhou uma nova  personagem, mas com  idéias não tão novas assim.Sobre Marina Silva já se disse ter as características de uma  melancia: verde por fora e vermelha por dentro.  

Em relação ao PT de Lula e Dilma, Marina, a se deduzir pelos seus discursos, artigos e entrevistas, tem muitas semelhanças e algumas  diferenças. A mesma velha ideologia do estado que pode muito e do cidadão que pode pouco. A mesma defesa dos altos impostos, da burocracia estatal,  e do assistencialismo social. A mesma   política externa terceiro-mundista. De diferente, Marina se anuncia mais intransigente no campo da ética e da moralidade públicas.

Os eleitores que não morrem de amores pelo jeito petista de governar, não devem se iludir: se vencedora, Marina vai se socorrer da ajuda de antigos companheiros  petistas, em especial os do Acre.  A sua admiração por Lula, embora abalada, não morreu. E  não seria surpreendente que ela  se aproximasse novamente do antigo líder, e este passasse a ter alguma influência no seu governo.  

Mas é preciso ter em mente que apesar do DNA petista,  Marina é, sobretudo,  “marinista”, ou seja, uma personalidade forte, paradoxalmente  mansa e autoritária,  profundamente apegada às suas verdades, que se diz defensora de uma política limpa, sem negociatas, e sem corrupção. E, sobretudo, defensora ardente da sustentabilidade no campo do desenvolvimento.

Esse moralismo político e essa preocupação com as questões ambientais são os diferenciais  de Marina em relação ao seu antigo partido. E são essas diferenças  que têm encantado uma boa parte da classe média e da juventude. Traduzido  em votos,   esse encantamento pode levar Marina à presidência, criando um novo fenômeno político.  Com uma só cajadada ela teria “matado” os dois partidos que dominaram a cena política nacional nos últimos 20 anos. Vamos aguardar para ver.
250814

quinta-feira, agosto 21, 2014

A ARISTOCRACIA DE MARINA


Em entrevista recente ao jornalista Kennedy Alencar,Marina critica a forma como as alianças são feitas no atual governo. Até aí, tudo bem. De fato o fisiologismo, a troca de favores  e distribuição de cargos dominam a nossa política, e impedem uma boa administração pública. Indagada, porém, como conseguiria o apoio necessário para um eventual governo seu, Marina responde que governará com os “melhores de cada partido”. 

Como assim, Marina? Quais os seus critérios para a escolha dos que você chama de “melhores”?   Como se sabe, Aristocracia é o nome atribuído ao "governo dos melhores", na Antiga Grécia . Estaria Marina pensando em estabelecer aqui uma espécie de aristocracia? A Democracia, bem praticada, não bastaria?

quarta-feira, agosto 13, 2014

HIPÓTESES E INTERROGAÇÕES



HIPÓTESES E INTERROGAÇÕES
   
O falecimento trágico de Eduardo Campos  levanta  três hipóteses e muitas interrogações  sobre o futuro da coligação PSB-Rede-PPS e da própria corrida presidencial. A primeira possibilidade  é a retirada, pura e simples, da coligação da disputa presidencial, o que é pouco provável. A segunda, é que um político do PSB ou do PPS suceda a Campos, continuando Marina Silva na vice. A terceira é que Marina Silva assuma a candidatura presidencial, com um vice do PSB.

A primeira hipótese é amplamente favorável à candidatura Dilma. Os votos que seriam dados a Eduardo provavelmente iriam se dividir entre Aécio e Dilma,  diminuindo  as chances de um eventual segundo turno. A segunda vai depender muito do nome escolhido, e do clima que se criará em torno da morte de Campos. A terceira possibilidade é bem mais favorável à ocorrência de um segundo turno, pois, com a presença de Marina e Aécio na disputa, diminuem as chances de Dilma Rousseff. Vamos aguardar para ver.  
130814

segunda-feira, agosto 11, 2014

A VOZ E O VOTO




A campanha eleitoral é , quase sempre, uma via de mão única, do candidato para o eleitor. Recheada de promessas demagógicas, projetos mirabolantes e propostas impraticáveis, sob  a moldura de propagandas sofisticadas, caras e artificiais, elaboradas  por marqueteiros contratados a peso de ouro

Os candidatos deveriam falar menos e ouvir mais. Prometer menos e escutar melhor  as queixas, reivindicações e sugestões de entidades profissionais, economistas, movimentos sociais, empresários, profissionais liberais,operários, artistas e quem mais queira participar de forma ativa do processo eleitoral. Receber do cidadão não apenas o voto, mas também a voz.

O eleitor brasileiro certamente tem muito a dizer sobre a estagnação econômica, a inflação crescente, os altos impostos, a burocracia asfixiante, a péssima qualidade dos serviços básicos, a violência urbana, a ineficiência da justiça, e a corrupção na política.

Mas os políticos não sabem, ou não gostam, de ouvir a voz do eleitor. Suas agendas não são as mesmas do cidadão. Enquanto a sociedade vê a política com instrumento da promoção do bem comum, para muitos dos candidatos  é um meio de aquisição de poder, prestígio e riqueza pessoal. Por isso, os papéis precisam ser invertidos, e a sociedade deve deixar de ser coadjuvante e passar a protagonista, se fazendo  ouvir nesse processo eleitoral.
110814

segunda-feira, agosto 04, 2014

O ELEITOR DE BRASÍLIA E O CANDIDATO FICHA SUJA




A candidatura de José Roberto Arruda ao governo do Distrito Federal e a sua liderança nas pesquisas eleitorais provocam espanto e levam a, pelo menos, duas conclusões.

A primeira se refere   a real efetividade da lei da Ficha Limpa e das demais leis anticorrupção. Fica incompreensível ao grande público que, depois de anunciado aos quatro ventos o caráter moralizador de tal  legislação, seja permitido, por alguma  tecnicalidade  jurídica, que um político comprovadamente corrupto, condenado pelo Tribunal de Justiça do DF, se apresente como candidato.

A segunda conclusão, por óbvio, é que  a uma parcela significativa do eleitorado – pelo menos, do eleitorado do Distrito Federal –  questões como ética na política e honradez pessoal do candidato não são critérios essenciais na escolha de um governante. Caso contrário, como explicar a preferência por José Roberto Arruda, flagrado  e filmado na prática de corrupção e condenado por esse crime? Com a palavra os doutores em Direito, Ciência Política  e Psicologia Social.
040814