terça-feira, junho 17, 2014

FARSA NO CONGRESSO



FARSA NO CONGRESSO

Enquanto nos estádios, praças e ruas do Brasil milhões de brasileiros, sob os holofotes da mídia, vibram com as jogadas e os gols de Neymar & Cia e festejam a seleção da CBF, no Congresso Nacional, senadores e deputados, sob menos holofotes, dão prosseguimento à farsa que se convencionou chamar de CPI da Petrobras. Feita para não investigar as falcatruas que vem vitimando a maior estatal brasileira. E que não se culpe exclusivamente os parlamentares do governo  por esse jogo de cena. Os da oposição têm uma significativa parcela de responsabilidade pela pizza que vem sendo preparada, enquanto os brasileiros se ocupam do futebol.

Logo que vieram a público as revelações sobre a grande negociata que foi a compra da refinaria de Pasadena, os senadores da oposição levantaram a voz pela instalação de uma CPI no Senado. Mas dela desistiram de maneira bisonha assim que “constataram” que ela seria totalmente controlada pelos governistas. Partiram então para uma CPI mista – Senado e Câmara - porque supunham  que teriam maior poder de fogo, com eventual apoio de governistas dissidentes, na Câmara, o que de fato não aconteceu.

Ambas as CPIs foram instaladas e têm funcionado sob total controle do Planalto, com os trabalhos direcionados no sentido de não avançar um milímetro além do que já é conhecido pelas investigações da Polícia Federal, e  presidida por um mesmo parlamentar –o senador Vital do Rego(PMDB. A oposição  contribuí  para esse jogo de cena quando não se afirma de modo contundente nas reuniões, ou quando se ausenta.

O fato é que num ano eleitoral, nem governistas nem oposicionistas querem por a mão nesse vespeiro. Se houvesse seriedade e compromisso nas investigações, essas  acabariam por atingir muitas empresas prestadoras de serviço à Petrobras, grande parte financiadoras de campanhas eleitorais de parlamentares. Enquanto a população, fantasiada de verde e amarelo,  se extasia com a caminhada da seleção da CBF rumo ao hexa , o Congresso volta a marcar um gol contra os interesses do Brasil.
170614

sexta-feira, junho 13, 2014

COPA vs FUTEBOL

Adoro futebol. Principalmente quando jogado entre clubes, com   torcidas, cores,  bandeiras e gritos de guerra. Mas  futebol jogado entre  seleções nacionais não me empolga.  Copa do Mundo, menos ainda. Aqui a paixão clubística é substituída por uma espécie de   “paixão nacional”,   que nos bastidores se manifesta em  gigantescos  interesses   de empresas e entidades voltadas para a promoção desses  grandes eventos esportivos..

De fato, o futebol é uma paixão, mas também um grande negócio.  Ao se vestirem de verde-amarelo, milhões de brasileiros, colocam nos pés dos onze jogadores a defesa da honra da pátria = a tal “pátria de chuteiras” =, mal constatando que aqueles onze estão, de fato, menos a  serviço da nação e mais de uma entidade privada com fins lucrativos, pois na realidade, a seleção “canarinho” é um time da CBF.

Enquanto milhões de  torcedores incorporam  o tal  “espírito verde-amarelo” , jogadores, técnicos e funcionários reforçam as suas contas bancárias, com salários , prêmios e contratos de publicidade.Para eles, a Copa do Mundo é sobretudo uma oportunidade de ouro  para avançarem em suas carreiras.

Há muito, seleções de futebol deixaram de representar nações. Os times sequer são constituídos de jogadores nacionais. O exemplo de Diego Costa, brasileiro que defende as cores da Espanha, é sintomático desse novo padrão que se repete em várias outras seleções. A Copa é também uma excelente ocasião para que políticos de todos os matizes se dediquem com esmero ao exercício demagógico de patriotismo.

O Mundial, portanto,  tem uma série de envolvimentos  e interesses de caráter político, econômico   e publicitário que fazem a esportividade do evento ficar em plano secundário. Como aprecio o  futebol na sua essência, tenho um pé atrás com relação à  Copa do Mundo.
130614