segunda-feira, abril 21, 2014

AUSÊNCIA DE IDÉIAS



AUSÊNCIA DE IDÉIAS


Se o governo do PT não tem feito muito alem de se segurar no poder com unhas e dentes, a oposição – ou oposições, como queiram – pouco tem oferecido que faça o eleitorado se entusiasmar e investir nessa  alternativa de poder. Sobram discursos aos pré-candidatos do PSDB e PSB, mas faltam idéias, objetivos e valores que projetem uma imagem sobre o que seria o país sob o seu governo.

Dilma Rousseff e seus aliados cometem sucessivos equívocos, conduzem o Brasil  de forma claudicante , a um baixo crescimento econômico, agravado por uma crise energética e pelo aumento gradativo da inflação. Como se não bastasse, no plano ético o governo continua a ser questionado pela oposição que ataca pontualmente cada deslize, com insistentes pedidos de CPIs.

Enquanto isso, existe um grande universo de cidadãos que não se sentem representados por nenhum político ou partido na atual ordem política. Esses cidadãos reivindicam a ampliação do ambiente de liberdade econômica, social e política, a diminuição  da máquina estatal, com a conseqüente redução da carga tributária, a priorização dos recursos públicos para setores fundamentais, como educação, saúde, transporte e segurança, e uma urgente reforma política e no judiciário.

Por todos os erros cometidos no gerenciamento da economia, pelos pecados éticos, e pelo cansaço que gerou, o governo do PT parece ter esgotado o seu ciclo de poder. Tem se mantido no topo muito mais pelas práticas assistencialistas, que cria uma dependência eleitoral,  do que por uma ação governamental consistente no plano social.

Os pré-candidatos Aécio Neves, Eduardo Campos ( Marina Silva) têm potencial e experiência política, mas caminham fora de sintonia com a massa crítica, a maioria jovens que tem tomado as ruas a exigir um novo modelo de governo. Se quiserem desbancar o PT, terão que apresentar ao eleitorado um plano de resgate do Brasil e se comprometerem sinceramente com tal projeto.  
210414  

quarta-feira, abril 16, 2014

SOB O ÓDIO DO PT

SOB O ÓDIO DO PT

Joaquim Barbosa tem sido alvo de sistemáticos ataques dos petistas.  O fato de ter sido o principal responsável pela condenação da quadrilha de mensaleiros que chafurdava os cofres públicos, exacerbou nos militantes e asseclas do PT um ódio quase mortal ao presidente do STF. A imprensa chapa-branca, que tem no jornalista Paulo Henrique Amorim uma de suas fulgurantes estrelas, também não engoliu a prisão de José Dirceu e Cia, não poupando críticas  ao ministro, que passou a ser acusado de arrogante, autoritário, despreparado, e à serviço dos interesses tucanos. Só não conseguiram manchar a sua honra.

O PT possuía, ou ainda possui,  um projeto de perpetuação no poder através da apropriação do Estado brasileiro cujo principal mentor era José Dirceu, e cuja ideia central consiste na lógica de que para se alcançar os fins todos os meios são válidos, inclusive a compra de  políticos com dinheiro público. Como se sabe, o plano foi descoberto e os principais envolvidos indiciados junto ao Supremo. O que não estava previsto nos planos do partido era que um ministro nomeado pelo governo petista – “porque é negro e competente”, segundo Lula – acabasse sendo o responsável pela débâcle do projeto petista.

Agora, o PT investe no contra-ataque. O governo Dilma praticamente concluiu o aparelhamento do STF, iniciado por Lula. Barbosa, mesmo na presidência, encontra-se isolado e suas decisões vão de encontro à dos demais. Tem sido divulgado nas redes sociais que é iminente a sua saída do STF  para aderir  ao  mundo da política partidária. Se será mais útil na política  do que foi na magistratura, só o tempo e os fatos dirão.

160414

quinta-feira, abril 03, 2014

50 ANOS



O certo é que nos 50 anos de poder militar, por culpa da ação dos extremistas de esquerda e de direita, o Brasil sofreu. Ficamos refém de duas forças ideológicas aparentemente antagônicas, mas que, paradoxalmente, compartilhavam a mesma fé no autoritarismo político e o mesmo desprezo pela liberdade: na extrema esquerda, lutava-se pela implantação da ordem socialista ao custo da eliminação da democracia e da liberdade; na extrema direita, defendia-se o ameaçado sistema capitalista, também ao preço da eliminação da democracia e das liberdades. Nesta luta entre os extremos, perderam os liberais, perderam os democratas, perdeu o país. E até hoje pagamos o alto custo desta aventura.




Rememoramos o golpe militar de 1964, que completa 50 anos. Fruto da irracionalidade e do extremismo político que marcaram aquele período, o povo brasileiro pagou com 21 anos sob ditadura militar, e mais 22 anos sob uma democracia instável e repleta de erros. A lembrança da data assumiu um caráter muito mais atual num momento em que muitos dos atuais membros do atual governo e mesmo alguns da atual oposição  eram militantes de grupos de esquerda e combatiam, até com armas,  os donos do poder de então. 

Personagem principal desta história, o presidente João Goulart ( Jango ) era um típico populista dos anos 50/60. Herdeiro direto de Getúlio Vargas, não tinha  a força nem o carisma de seu mestre. Assumiu o poder em 1961 após a renúncia de Jânio Quadros, com intensa  oposição da direita e dos militares. Teve que engolir, durante algum tempo, um regime parlamentarista que lhe foi imposto numa tentativa de restringir seu poder. Quando reassumiu totalmente seus poderes presidenciais, por força de um plebiscito, viu os conflitos sociais se exacerbarem, com grupos, organizações e movimentos de esquerda disputando influência sobre o seu governo. E muitos conseguindo exercer tal  influência.

Comunistas, nacionalistas, trabalhistas, movimentos sindicais, estudantes da UNE, ligas camponesas, cada um a seu modo, pressionavam o governo a realizar as chamadas reformas de base. O Brasil se tornou  um laboratório para todo o tipo de experiência da esquerda. O governo não tinha controle sobre esses grupos, o que reforçava a sensação de anarquia no país. O mundo, marcado pela “guerra fria”, se radicalizava entre os defensores do sistema capitalista a todo custo, e os partidários do socialismo, segundo o modelo soviético ou chinês. Não havia muito espaço para a racionalidade, para a moderação e o bom-senso.   O liberalismo e a democracia pareciam temas fora de moda, especialmente nos países ao sul do equador.


Na década de 1960, era ainda recente a inserção do Brasil no processo e industrialização O governo de JK havia deixado uma herança de modernização que se traduzia na melhoria da infra-estrutura, no apoio ao transporte rodoviário, nos investimentos na indústria de base e no fortalecimento da indústria de bens de consumo. Este novo estágio econômico se refletiu nas novas condições da sociedade urbana, com a proletarização da sociedade das grandes cidades e o conseqüente crescimento das reivindicações da classe trabalhadora. Colocando em segundo plano as reivindicações exclusivamente trabalhistas – melhores condições de trabalho e maiores salários - , e fortemente influenciados pela ideologia  marxista , setores da classe trabalhadora passaram a contestar a própria ordem capitalista como um todo.


O extremismo de esquerda teve a reação imediata da extrema direita. Nesta luta de extremos, o governo parecia não compreender bem a situação. Fraco, indeciso e inábil, se tornou alvo fácil da manipulação de grupos extremados. Isto conduziu a um estado de alerta dos militares. A gota d’água foi o clima de insubordinação criado dentro das próprias Forças Armadas, levando à quebra da hierarquia, que teve o apoio explícito de Jango , fato inconcebível para os chefes militares.

A revolta de sargentos, cabos e fuzileiros navais foi a gota d’água para a eclosão do golpe. A determinação das Forças Armadas e o apoio de importantes lideranças civis, como os governadores da Guanabara e de Minas   foram fundamentais para  a deposição de Jango. As instituições democráticas , que já vinham sofrendo um processo de corrosão no governo Jango foram definitivamente golpeadas e um governo militar instalado. Jango caiu vitimado tanto pelos próprios erros, como pela força de uma conjuntura que ele próprio parecia não entender.

Nesses 50 anos, muita bobagem tem sido dita e escrita a respeito do período janguista. Setores da esquerda, até hoje, a ele se referem como o de uma espécie de “era pré -revolucionária”, na qual os trabalhadores, graças a sua “ intensa mobilização”, estiveram a um passo do “paraíso socialista”. Nada disto. A esquerda não era tão forte nem tão mobilizada como se fazia  crer. Estava dividida em grupos  heterogêneos,   desestruturada, sem unidade de propósito, e carecia de lideranças e apoio externo capazes de conduzi-la ao almejado “paraíso”. Além disso, a sua negação dos  princípios democráticos e o seu apego ao totalitarismo, inerente ao sistema que defendia, tirava dela qualquer apoio por parte da maioria da população, em especial da classe média. Ausência de apoio que foi decisiva para a derrocada do governo, deposto sem que ninguém movesse um dedo pela a sua permanência..

Por seu turno, a direita costuma tecer loas não só à ação “revolucionária” de 31 de março – ou 1º de abril – ,como também à permanência dos militares no poder por longos anos. Referem-se a esta ação como uma revolução da “liberdade e da democracia”, que afastou o país do fantasma do “totalitarismo.” Segundo os defensores do golpe, o prolongamento da tutela militar por longos anos foi uma necessidade para livrar completamente o país da subversão . Não é bem assim. Alguns dos participantes e apoiadores do movimento provavelmente estavam imbuídos de nobres ideais, e talvez depois tenham até se arrependido dos rumos tomados pelo regime militar. Mas o núcleo que comandou o golpe e que tomou o poder, certamente tinha na volta da democracia o último dos seus propósitos. O problema foi que ao livrar o país do fantasma do totalitarismo comunista, conduziram-no ao autoritarismo de direita, com todas as suas consequências nefastas:  censura, prisões arbitrárias, exílio, cassação de mandatos, tortura e morte.
 030414