segunda-feira, fevereiro 17, 2014

AS RUAS E SUAS CIRCUNSTÂNCIAS

 Triste e perigosa realidade essa que estamos vivendo em todo país, no qual o Poder Executivo quase sempre é a penosa conjugação do cinismo, do equívoco de suas medidas e de uma corrupção horizontal e incontida. De um Legislativo sem propostas e sem projetos, sem apego à oposição e à controvérsia. De um Judiciário que judicializou a vida em sociedade, mas que não responde com presteza e agilidade quando demandado por justiça.




A volta das manifestações nas ruas, Brasil afora, sinaliza que o ano da Copa e das eleições será também o ano da substituição da fala pela violência. A vida urbana está com pressa, não quer esperar e o que estamos vendo nas ruas passou a ser a nova forma de protagonização da cena política. A força como argumento.

O povo cansou de só ver a inércia e o desserviço daqueles que elegera como seus representantes no Executivo e no Legislativo, uma classe política mal-organizada, em partidos mofados, que não entendeu que as demandas atuais, especialmente aquecidas pela fantasia do crédito, das bolsas, da pseudo-casa pseudo-própria, dos diplomas universitários outorgados, muitas vezes aos quilos por faculdades de parca ou nenhuma autonomia intelectual e científica, não fossem mudar as regras do jogo.

Seguiram com seu discurso vazio, amorfo, trancados nos gabinetes e movimentando os balcões de negócios nos quais se transformaram as câmaras municipais, as assembleias legislativas, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, quase sem exceções entre seus membros, em todo país. Não entenderam o momento e agora estão perdidos, longe do povo e das ruas, que os repelem. Brincaram com o fogo e a agora não sabem como sair dele.

Triste e perigosa realidade essa que estamos vivendo em todo país, no qual o Poder Executivo quase sempre é a penosa conjugação do cinismo, do equívoco de suas medidas e de uma corrupção horizontal e incontida. De um Legislativo sem propostas e sem projetos, sem apego à oposição e à controvérsia. De um Judiciário que judicializou a vida em sociedade, mas que não responde com presteza e agilidade quando demandado por justiça.

Quando não se produzem lideranças capazes de penetrar com suas ideias e suas propostas na alma da sociedade civil o que nos resta é a liderança mascarada dos black blocs, dos arruaceiros, a serviço de nada e de tudo, inclusive, agora se suspeita, do crime organizado.

Que produção política pobre essa vinda de uma sociedade já tão sofrida. Mas o que esperar? Quando luta por saúde, dão-lhe como resposta o improviso e o despreparo de médicos cubanos, de cuja formação, recursos científicos e procedência ninguém sabe ou explica. Sobre esses, nem como são recrutados, contratados e remunerados o governo divulga, mas se deduz da deserção que estamos agora assistindo.

Quando essa mesma sociedade pede educação para seus filhos, a solução está na escola privada porque a educação pública é uma atividade de abnegados. Nossos políticos deveriam ter vergonha de falar sobre nossas estatísticas na educação. Somos em Minas, registre-se, pela sétima vez campeões da olimpíada da matemática.

Nos quesitos português, ciências, biologia, geografia, história, asseio, qualidade das instalações das escolas, ementa das disciplinas, saúde dos alunos, oferta de merenda escolar, remuneração, programas de treinamento e carreira dos professores não estamos concorrendo. Segurança, sistema prisional, aplicação da lei, justiça, mobilidade, infraestrutura, qualificação para o trabalho, ocupação urbana.

Há, certamente, os oportunistas que se beneficiam e ganham com tais movimentos. O crime organizado certamente neles está infiltrado, o que torna o momento mais grave ainda. Mas quem vai interpretar as demandas das ruas? Como e quando atendê-las, para não ficar tarde e além da conta? Que nação queremos? Essa, difusa, incerta e mascarada das ruas?

Luiz Tito

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