terça-feira, fevereiro 25, 2014

O SLVADOR DA PÁTRIA



Roberto Jefferson é um corrupto com “c” maiúsculo. E assume essa condição com tranquilidade. Durante o julgamento do mensalão,  se manteve  discreto e conformado com a sua sorte, ao contrário dos   condenados  petistas  , a exibir arrogância e fazendo-se de prisioneiros políticos. Mas não devemos negar que, se não fosse Jefferson a denunciar o esquema, os criminosos estariam livres, arrotando soberba, e, pior, continuando a ocupar  altos cargos na República petista.

 Jefferson nos livrou – e isso não é pouco – da quase certa ascensão de José Dirceu à Presidência, na sucessão de Lula. Dirceu não escondia essa ambição, e  aparentemente seria apoiado por Lula. Nesse sentido, observadores suspeitam  de que o mensalão tenha  sido o embrião desse projeto de poder do então Chefe da Casa Civil.

Uma hipotética presidência de Dirceu teria  se constituído  numa tragédia para a democracia, pois  acrescentaria ao populismo assistencialista de Lula uma boa dose de ideologia, autoritarismo e centralização do poder. Se Lula nunca demonstrou apreço por teorias, guiando-se mais pela intuição política, Dirceu sempre  se alimentou  de Marx e seus seguidores, desde o tempo de movimento estudantil.

Ao delatar o esquema, Roberto Jefferson  livrou o país  de  se aprofundar num projeto autoritário  e perigoso. Motivado  por sentimentos pouco nobres , e movido pelo desejo de  pura vingança política ,o então deputado do PTB, inconscientemente, provocou pequena revolução  nos costumes políticos   deste país, e acabou com a regra  de que políticos não vão para a cadeia. Por isso, acabou merecendo a constrangida simpatia de grande parte dos brasileiros.
250214

quarta-feira, fevereiro 19, 2014

O ALVO CERTO DAS MANIFESTAÇÕES



O ALVO DAS MANIFESTAÇÕES
O retorno dos protestos em 2014 é anunciado. As mesmas razões que motivaram milhões às ruas em junho passado são o combustível das manifestações previstas para este ano. Serviços públicos deteriorados,  gastos inúteis e desperdício que se avolumam, violência urbana que se agrava, corrupção que se intensifica, e inflação que ameaça perder o controle.

Portanto, motivos não faltam para uma nova jornada de protestos. O que não podemos esquecer é que esse estado de coisas tem responsáveis. Portanto, já não bastam  protestos contra a negligência , os erros e as mazelas que marcam o nosso governo. Sem que eles venham desacompanhados da  responsabilização dos que nos levaram a essa situação,  ou seja, os agentes públicos responsáveis por ele, a começar plea presidente Dilma Rousseff e seu partido.

As manifestações de 2013 foram veementes em relação aos erros, mas condescendentes em relação aos responsáveis. A presidente Dilma foi preservada de tal forma que se sentiu à  vontade para se declarar  solidária com as reivindicações dos manifestantes. Sua popularidade caiu no auge dos protestos, mas em poucos meses  havia subido novamente.

Portanto, que as manifestações previstas evidenciem que  a luta  não é contra as instituições democráticas e republicanas. Não somos contra o Congresso, a Justiça, ou a imprensa. Somos contra políticos e partidos despudorados e corruptos que, no mínimo há onze anos, têm sido mais competentes em administrar   suas próprias carreiras políticas do que em procurar soluções para os graves problemas que assolam o  país. Que as manifestações  de protesto, se vierem, se tornem uma prévia das eleições de 2014. É no processo eleitoral que decidiremos de fato o nosso futuro.
190214

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

AS RUAS E SUAS CIRCUNSTÂNCIAS

 Triste e perigosa realidade essa que estamos vivendo em todo país, no qual o Poder Executivo quase sempre é a penosa conjugação do cinismo, do equívoco de suas medidas e de uma corrupção horizontal e incontida. De um Legislativo sem propostas e sem projetos, sem apego à oposição e à controvérsia. De um Judiciário que judicializou a vida em sociedade, mas que não responde com presteza e agilidade quando demandado por justiça.




A volta das manifestações nas ruas, Brasil afora, sinaliza que o ano da Copa e das eleições será também o ano da substituição da fala pela violência. A vida urbana está com pressa, não quer esperar e o que estamos vendo nas ruas passou a ser a nova forma de protagonização da cena política. A força como argumento.

O povo cansou de só ver a inércia e o desserviço daqueles que elegera como seus representantes no Executivo e no Legislativo, uma classe política mal-organizada, em partidos mofados, que não entendeu que as demandas atuais, especialmente aquecidas pela fantasia do crédito, das bolsas, da pseudo-casa pseudo-própria, dos diplomas universitários outorgados, muitas vezes aos quilos por faculdades de parca ou nenhuma autonomia intelectual e científica, não fossem mudar as regras do jogo.

Seguiram com seu discurso vazio, amorfo, trancados nos gabinetes e movimentando os balcões de negócios nos quais se transformaram as câmaras municipais, as assembleias legislativas, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, quase sem exceções entre seus membros, em todo país. Não entenderam o momento e agora estão perdidos, longe do povo e das ruas, que os repelem. Brincaram com o fogo e a agora não sabem como sair dele.

Triste e perigosa realidade essa que estamos vivendo em todo país, no qual o Poder Executivo quase sempre é a penosa conjugação do cinismo, do equívoco de suas medidas e de uma corrupção horizontal e incontida. De um Legislativo sem propostas e sem projetos, sem apego à oposição e à controvérsia. De um Judiciário que judicializou a vida em sociedade, mas que não responde com presteza e agilidade quando demandado por justiça.

Quando não se produzem lideranças capazes de penetrar com suas ideias e suas propostas na alma da sociedade civil o que nos resta é a liderança mascarada dos black blocs, dos arruaceiros, a serviço de nada e de tudo, inclusive, agora se suspeita, do crime organizado.

Que produção política pobre essa vinda de uma sociedade já tão sofrida. Mas o que esperar? Quando luta por saúde, dão-lhe como resposta o improviso e o despreparo de médicos cubanos, de cuja formação, recursos científicos e procedência ninguém sabe ou explica. Sobre esses, nem como são recrutados, contratados e remunerados o governo divulga, mas se deduz da deserção que estamos agora assistindo.

Quando essa mesma sociedade pede educação para seus filhos, a solução está na escola privada porque a educação pública é uma atividade de abnegados. Nossos políticos deveriam ter vergonha de falar sobre nossas estatísticas na educação. Somos em Minas, registre-se, pela sétima vez campeões da olimpíada da matemática.

Nos quesitos português, ciências, biologia, geografia, história, asseio, qualidade das instalações das escolas, ementa das disciplinas, saúde dos alunos, oferta de merenda escolar, remuneração, programas de treinamento e carreira dos professores não estamos concorrendo. Segurança, sistema prisional, aplicação da lei, justiça, mobilidade, infraestrutura, qualificação para o trabalho, ocupação urbana.

Há, certamente, os oportunistas que se beneficiam e ganham com tais movimentos. O crime organizado certamente neles está infiltrado, o que torna o momento mais grave ainda. Mas quem vai interpretar as demandas das ruas? Como e quando atendê-las, para não ficar tarde e além da conta? Que nação queremos? Essa, difusa, incerta e mascarada das ruas?

Luiz Tito

segunda-feira, fevereiro 10, 2014

TIRANDO A MÁSCARA
A certeza de impunidade  tem levado a situações cotidianas em que imperam o desrespeito, a desordem e a barbárie. Pode ser constatada tanto pela  corrupção sistemática na política,  quanto pela  violência urbana que pesa sobre as  pessoas de bem. Esse sentimento de impunidade tem agora contaminado os protestos, e transformado  justas manifestações de   contra as mazelas governamentais em atos de pura violência e de vandalismo, que culminaram, na última semana,  com a perda da vida de um cinegrafista da TV Bandeirantes, no Rio de Janeiro.


Neste caso, a suspeita recai sobre ativistas dos autodenominados “black blocs”, cujos métodos  agressivos  têm  levado os que protestam  de forma ordeira  e democrática a pensar se vale a pena  ir a ruas e correr o risco de ter a cabeça detonada, como aconteceu com o jornalista. E , ao final,faz a alegria dos governantes, pois desmobiliza a oposição.

Afinal, o que querem os mascarados? Estariam  a serviço de quais interesses políticos , de quais ideologias? Seriam parte de um pensamento político consistente ou simplesmente arruaceiros sem causa?

Costumam se auto definir  “anarquistas”.  São antidemocráticos  e se juntam para confrontar a polícia, bem como atacar e destruir propriedades privadas que representem “a opressão gerada pelo capital”. Seus métodos de ação muitas vezes os afastam das teorias clássicas do Anarquismo e os aproximam dos métodos de ação nazi-fascistas. As investigações a respeito do assassinato do jornalista talvez tragam alguma luz e ajudem a , literalmente, desmascarar essa gente.

100214

terça-feira, fevereiro 04, 2014

O MENSALINHO NO MENSALÃO

O MENSALINHO NO MENSALÃO
A reação do Partido dos Trabalhadores á condenação dos mensaleiros pela Justiça pode ter causado surpresa  a muitos, mas não a quem acompanha amiúde os usos e costumes do partido. A solidariedade expressa por políticos e militantes, que foi da hostilidade aberta ao ministro Joaquim Barbosa  à  arrecadação, em tempo surpreendentemente recorde, de fundos para o pagamento das multas impostas aos criminosos, revelam um pouco da verdadeira face do partido. Mais importante do que a honra, o corporativismo.
Quem esperava que   com a  condenação o partido  se distanciasse  de seus antigos líderes, se decepcionou. Mais surpreso deve  ter ficado com a rapidez e eficiência com que se deu a arrecadação de uma quantia volumosa de dinheiro, fato que está a merecer uma investigação urgente do Ministério Público, da Polícia Federal ou de quem de direito. Afinal, tais recursos são provenientes de sindicatos, partidos políticos, municípios administrados pelo partido, ou realmente saíram do bolso de cada militante?
Se não houver investigação, como querem alguns líderes da oposição, ficará no ar a suspeita de que tenha ocorrido uma espécie de “mensalinho no mensalão”, ou seja, recursos públicos para “ajudar” criminosos  condenados por desvio de recursos públicos.

040214

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

MOEDA DE TROCA



MOEDA DE TROCA
Em tese, ministérios deveriam ser chefiados por políticos ou administradores competentes, conhecedores das atribuições e problemas  específicos de cada área ou setor para os quais foram nomeados.
Isso pode ser comum em  países politicamente organizados , mas, no Brasil, não acontece assim. Aqui, ministros são   representantes políticos de partidos na administração federal, e muitos deles  mal conhecem  as particularidades das áreas a eles atribuídas.

Na presente reforma ministerial, por exemplo, a presidente Dilma promove uma acomodação de partidos aliados no primeiro escalão, não com o nobre propósito de tornar mais eficiente  a administração, mas sim com o objetivo de conseguir maior espaço no horário eleitoral do rádio e da TV. Nesse caso, os ministérios passam a ser usados  como moedas de troca no jogo político e eleitoral. 

Não deveria ser assim, mas no governo do PT e seus aliados, ávidos por parcelas e migalhas do poder, a coisa funciona exatamente dessa forma.
030214