quinta-feira, dezembro 18, 2014

O FICHA LIMPA MALUF






O Brasil é um país onde leis existem numa quantidade exorbitante, para todos os gostos. O problema é quando essas leis têm que ser aplicadas e obedecidas. Acabam sendo solenemente ignoradas, desobedecidas, burladas ou ironizadas, o que, afinal, dá no mesmo.

Há alguns anos foi criada a tal  Lei da ficha Limpa, que barrava a candidatura ou a posse de políticos julgados e condenados  por algum crime. A mídia repercutiu à exaustão, e  a sociedade aplaudiu. Parecia que finalmente o Brasil havia entrado na era da moralidade pública. Ledo engano.

A impunidade continua a reinar, como se viu, agora, com a permissão, pelo TSE, que Paulo Maluf, o símbolo maior  da corrupção brasileira possa tomar posse do cargo de deputado federal, ancorado nos 250 mil votos que parte do eleitorado paulista lhe concedeu.

Paulo Maluf foi condenado pelo TJ-SP em 4 de novembro de 2013, pela prática de improbidade administrativa na construção do túnel Ayrton Senna, quando era prefeito da capital paulista, em 1996. Na defesa de Maluf junto ao TSE, os advogados de Maluf argumentaram que Maluf ao praticar o tal desvio, “não teve a intenção de causar danos ao erário”. Se ele não tinha, que nesse país teve?    Zombam da sociedade com todo o  cinismo e hipocrisia, que lhes são característicos.
181214

segunda-feira, novembro 17, 2014

A PIOR DEMOCRACIA E A MELHOR DITADURA



Não tem cabimento, num país que 21 anos sufocado pelo autoritarismo militar, que ao menor sinal de crise  numa democracia que ainda está sendo construída, saiam bradando pela volta dos  militares ao poder. Ditadura não resolve nada  e acrescenta novos e graves problemas, entre os quais a censura, a tortura , as prisões e os assassinatos.





Na onda do resultado das eleições, que apresentou um país ideologicamente dividido, começaram as manifestações pelo impeachment da presidente Dilma, quando alguns clamaram pela intervenção militar no governo.

Vamos separar as duas coisas. O impeachment é um instrumento legal, previsto na Constituição, para ser aplicado nos casos de abuso de poder, comportamento imoral e antiético, prática de corrupção, ou incompetência do mandatário. Portanto, desde que existam provas consistentes contra a presidente ,  ficam estabelecidas as condições para que se iniciem os processos político e judiciário pelo seu afastamento.

Isso é uma coisa. Outra coisa, é  a estapafúrdia exigência de uma “intervenção militar”. Esse desejo  revela ignorância do que seja uma ditadura, ou  a convicção  autoritária  de uma parcela da população, que agora se manifesta.

Não tem cabimento, num país que 21 anos sufocado pelo autoritarismo militar, que ao menor sinal de crise  numa democracia que ainda está sendo construída, saiam bradando pela volta dos  militares ao poder. Ditadura não resolve nada  e acrescenta novos e graves problemas, entre os quais a censura, a tortura , as prisões e os assassinatos.

O argumento mais forte usado pelos defensores dos militares no poder é  o de que o governo comandado pelo PT já é de fato uma ditadura de esquerda.Não é, ou, pelo menos, ainda não é. Os sucessivos governos do PT tentaram compuscar  essa democracia, mas não conseguiram. Estamos numa democracia claudicante, mas ainda uma democracia. Bem ou mal, as instituições democráticas estão funcionando. Embora tenhamos  um Congresso corrupto,  partidos políticos fisiológicos, e um Judiciário lento , corporativo e com decisões muitas vezes injustas,  temos também uma imprensa livre, um movimento social ativo, e eleições regulares, com ampla liberdade de voto.

O risco de o Brasil, sob o PT, vir a ser a Venezuela, ou algo pior, existe, não nego. Mas a melhor maneira de se consolidar a democracia  é pela prática contínua e sistemática, procurando aperfeiçoá-la pelos instrumentos  que temos, ou seja, lutando por uma imprensa cada vez mais livre, um Congresso menos corrupto, um Judiciário menos ineficiente.

Na política, como em qualquer outra atividade humana, não existe milagre, mas sim o esforço contínuo, gradual e racional de construção. A democracia está eivada de defeitos, e a nossa democracia, mais ainda. Mas é sempre bom repetir a máxima de que a pior democracia é sempre  melhor do que a melhor ditadura. Ou, como disse   Winston Churchill: "A democracia é a pior forma de governo, exceto todas as outras que têm sido tentadas de tempos em tempos."
171114

segunda-feira, outubro 27, 2014

VITÓRIA DE PIRRO?



 A metade que optou por Aécio Neves, o fez por acreditar que o Brasil poderia ser diferente e melhor. Por acreditar  na possibilidade de uma  educação de qualidade, uma segurança pública eficiente, e um sistema de saúde decente, tudo isso  garantido por  um crescimento econômico com estabilidade, e inflação sob controle. Mas, sobretudo, por acreditar um governo que acenava com  a união, e não o ódio entre os mais ricos e os mais pobres da sociedade.




As eleições deste ano evidenciaram, como nunca, a divisão social e ideológica da Nação. Durante décadas, o PT fez questão de alimentar  essa dicotomia em discursos e declarações de acentuado radicalismo. Agora, colhe os frutos do que cultivou. De tal forma que Dilma Rousseff, apesar de confirmada nas urnas,  terá que governar com uma herança maldita, deixada não por Fernando Henrique, mas por ela própria e pelo seu antecessor imediato.     

Diante da crise que se anuncia, Dilma pediu, no discurso da vitória,  uma união difícil de obter, diante do estado de animosidade política. Lula e Dilma  intensificaram o ódio entre as classes, e, durante doze anos,  fizeram questão de proclamar  que não governavam para todos os brasileiros, mas apenas para aquela parcela que eles elegeram  merecedores das dádivas do governo, e que, afinal, foram os responsáveis pela vitória apertada de Dilma nesse segundo turno.

Mas grande parte do eleitorado mostrou ao PT que a  Nação não é constituída apenas de cidadãos que esperam   recompensas do governo. A metade que optou por Aécio Neves, o fez por acreditar que o Brasil poderia ser diferente e melhor. Por acreditar  na possibilidade de uma  educação de qualidade, uma segurança pública eficiente, e um sistema de saúde decente, tudo isso  garantido por  um crescimento econômico com estabilidade, e inflação sob controle. Mas, sobretudo, por acreditar um governo que acenava com  a união, e não o ódio entre os mais ricos e os mais pobres da sociedade.

Mas, a outra metade preferiu o continuísmo e a mesmice. Optou pela continuidade da  “política social” petista ,qual seja a pratica sistemática do assistencialismo, sob a forma de bolsas, cotas e casas, que nada mais resultam do que no aumento da dependência governamental dessa população, mas garante preciosos votos que asseguram a permanência do partido no poder, conforme  ficou provado nessas eleições.

Portanto, num Brasil ideologicamente  dividido, Dilma iniciará, a partir de janeiro de 2015, o seu segundo mandato. Encontrará um Congresso multifacetado, uma economia estagnada, e, para agravar, um  gigantesco e ainda mal explicado caso de corrupção no seu governo. O caso Petrobras-Yousseff   ameaça engolir políticos influentes e funcionários graduados, e, se as denúncias publicadas em Veja tiverem fundamento, a própria Dilma e o  ex-presidente Lula terão muito o que explicar.
271014

sexta-feira, outubro 24, 2014

VITÓRIA DA CRISE?





Elegendo Dilma Rousseff, a maioria do eleitorado certamente estará escolhendo a crise. E não será uma crise qualquer. As denúncias  envolvendo o partido e os aliados da candidata   não desaparecerão com a sua vitória. Pelo contrário, findo o período eleitoral, tudo o que vem sendo contado  pelo doleiro Alberto Youssef , e pelo ex-diretor da Petrobras  Paulo Roberto Costa, será exposto ao grande público, e um inquérito, ou vários, hão de ser abertos  para que se apure a participação de todos os partidos políticos  e agentes públicos envolvidos nesse imbróglio, que ameaça ser um dos maiores escândalos da  História República.
As últimas revelações contidas na  revista Veja, envolvendo Dilma e Lula  são de uma gravidade extrema  , e, se comprovadas,poderão levar ao impeachment da presidente. Melhor seria que  essas revelações tivessem vindo à lume mais cedo. Teria sido uma oportunidade para que a campanha tivesse se desenrolado de uma maneira mais limpa e imparcial. Poderemos estar elegendo a pessoa errada.
241014