quarta-feira, agosto 21, 2013

GOL CONTRA E GOL DE PLACA




O governo petista marcou mais um gol contra ao conceder aos campeões mundiais das copas de 1958,1962 e 1970,na onda da Lei Geral da Copa, um prêmio pelos “serviços prestados à Nação”.Sob o propósito de “ homenagear” os campeões, e reparar os “descasos do passado”,  cada ex-atleta, titular ou reserva, – e no caso  dos falecidos, as suas respectivas famílias -recebeu  do governo a quantia de R$100 mil. Ademais,a lei prevê um auxílio especial para os ex-atletas que sugere um benefício complementar mensal até o atual teto de INSS, de R$R$4.159.

 Tudo muito bem, não fosse o fato de que tal gentileza tenha custado aos cofres públicos a bagatela de R$3,7 milhões, e que, por mais meritório que fosse o motivo, por questão de justiça, caberia também  a milhões de brasileiros que batalham diariamente, e também contribuem para a construção do país, sendo castigados  com salários aviltantes e impostos escorchantes.

 O fato de haver um ou outro jogador em precária situação financeira e graves problemas de saúde não justificaria  tão generosa caridade com o nosso dinheiro. Pior que isso é a premiação concedida a cidadãos com excelente saúde financeira, como os casos dos ex-craques  Pelé, Leão e Rivelino, para ficar apenas nos casos mais evidentes  Pode parecer coisa menor diante da roubalheira geral que assola o país ,mas não deixa de ser sintomático do desperdício de recursos públicos.

Numa demonstração de bom senso e ética, o ex-jogador Tostão foi a exceção  a se manifestar contra a premiação. Mostrando a mesma elegância e lucidez que marcaram a sua atuação nos gramados  ao longo de sua brilhante carreira, afirmou não ver sentido no premiação, lamentou que  o povo brasileiro tenha que assumir  essa despesa, e chamou à responsabilidade os   clubes e da  CBF, levando-se em conta os serviços prestados pelos jogadores a essas entidades. Gol de placa do craque mineiro.
210813

segunda-feira, agosto 19, 2013

REPRISE COM SABOR DE FARSA

Pode ser fácil  explicar, mas certamente é difícil de convencer, o fato de que apesar de ter passado uma boa parte de 2012 julgando o processo do mensalão, e  este tenha sido dado por  encerrado com a condenação dos acusados,    a impressão final é a de que nada daquilo valeu.Isso  porque  agora estamos a assistir  ao reinício do processo , com os ministros discutindo os recursos  e os  condenados a permanecer livres leves e soltos , alguns deles exercendo mandatos parlamentares, com direito a compor a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

É lamentável que isso venha acontecendo, e mais desanimador  é saber que processos dessa natureza no Brasil tendem a se arrastar  por anos por conta de uma legislação penal propositalmente frouxa em relação aos  cidadãos de primeiro escalão, especialmente  políticos influentes da República. A legislação possibilita aos cidadãos dessa classe uma infinidade de recursos que retardam o  processo, e, ao final suavizam as penas . No presente caso, os recursos atendem pelos nomes de embargos de declaração e infringentes.

E é por conta da análise  desses embargos que o STF se dedica mais uma vez ao tema, passando a impressão de que nada do que foi decidido  anteriormente valeu.Por isso, o destempero  do presidente da Corte, Joaquim Barbosa, ao reagir contra o que considerou “chicana”do colega  Ricardo Lewandowski  é desculpável sob o ângulo dos que consideram que todo esse processo tende a ser  uma grande farsa.
190813