quarta-feira, julho 03, 2013

RECADO MAL ENTENDIDO

A presidente Dilma Rousseff, da altura da sua soberba e incompetência, não entendeu o recado das ruas.  Ou fez que não entendeu. Concluir que o clamor popular foi, prioritariamente, no sentido de uma reforma política é distorcer os fatos, ofuscar o real significado dos protestos, e fazer pouco da inteligência alheia. Ficou evidente que a reforma política não estava entre as prioridades dos manifestantes, que exigiam, muito mais, uma reforma nos políticos.
 RECADO MAL ENTENDIDO

A presidente Dilma Rousseff, da altura da sua soberba e incompetência, não entendeu o recado das ruas.  Ou fez que não entendeu. Concluir que o clamor popular foi, prioritariamente, no sentido de uma reforma política é distorcer os fatos, ofuscar o real significado dos protestos, e fazer pouco da inteligência alheia. Ficou evidente que a reforma política não estava entre as prioridades dos manifestantes, que exigiam, muito mais, uma reforma nos políticos.

Não que uma reforma política não seja necessária. Mas que seja uma reforma que atenda, sobretudo, às reivindicações  da sociedade, e não apenas aos interesses dos políticos. Poderia se começar, por exemplo, com a colocação em pauta, no Congresso, da PEC 280, de autoria do falecido deputado Clodovil Hernandes, que propõe a redução de 513 para 250 o número máximo de parlamentares  que  integram a Câmara dos Deputados.

Também poderiam ser pautadas propostas que obrigassem senadores e deputados a  efetivamente exercerem as suas obrigações, no plenário e nas comissões, ao longo de toda a semana, e não somente  durante três dias, como  é comum. Seria um bom começo, igualmente,  a abolição do voto secreto em todas as deliberações do Congresso.

A reforma constitucional anunciada  por Dilma, no calor dos protestos,foi bombardeada por constitucionalistas e oposicionistas, que logo perceberam uma  intenção autoritária contida nas entrelinhas da proposta. Nesse contexto, o que a oposição temia   é que, sob o pretexto de atender aos anseios populares, o Planalto  estivesse,de fato,  a preparar  terreno   no sentido do autoritarismo, embora nos últimos dias o governo venha  se comportado como barata tonta.

A proposta foi substituída por uma indefinida intenção de “reforma política”, antecedida de plebiscito, o que tem gerado mais controvérsias. De fato, ainda aturdido pelo fato de a classe média finalmente ter deixado o comodismo e ido às ruas para protestar contra o desgoverno, a gastança, a corrupção, a falta de política públicas, Dilma Rousseff tenta reverter o jogo, a seu estilo,  pensando em 2014.

É  interessante  observar que, embora  intensos, os protestos  foram difusos, reivindicatórios e não contestatórios. Ou seja, embora tenha ficado óbvio  que o estado de coisas que levaram milhões às ruas foram alimentados  pelos dez anos de governo petista, as manifestações  não foram  especificamente direcionadas contra o  governo Dilma Rousseff,. E é sobre essa particularidade  que o governo tenta encontrar forças para  restaurar a sua suposta autoridade e alegada popularidade ,  impor a sua própria agenda, e alardear  que atende às reivindicações expostas nas manifestações.

Enquanto o governo negocia com o Congresso a possibilidade da reforma política, o ex-presidente Lula, sem conseguir esconder a evidência de que quer voltar à presidência, continua a agir nas sombras. Sobre os escombros do declínio de  Dilma Rousseff, conclama  a sua tropa   – sindicalistas, militantes do partido, movimentos sociais – a saírem às ruas para   se contraporem aos manifestantes de junho. O ex-presidente, como de resto todo o PT, está perdendo o bonde da história e não perceberam que o Brasil começou a mudar.
030713



Um comentário:

Anônimo disse...

Os manifestantes pegaram leve com dilma.O seu governo é lastimável.O movimento que era sério virou bagunça. A bagunça se generalizou. Protestam por qualquer motivo e fecham estradas. O governo não age. Por tudo isso digo FORA DILMA! DILMA RENUNCIE!