quarta-feira, abril 10, 2013

BRINCANDO COM FOGO




A Coréia do Norte  é extremamente militarizada,  totalmente fechada,  dominada por práticas stalinistas, e  comandada por  uma elite militar e burocrática. Tomada pela paranoia de uma suposta permanente ameaça da Coréia do Sul, Estados Unidos e Japão, o governo comunista  investe a maior parte de seus parcos recursos em  armamentos e tecnologia militar.

BRINCANDO COM FOGO
As recentes sanções impostas à Coréia do Norte, em razão da violação, em fevereiro, da proibição de testes nucleares, e o aumento da tensão com a Coréia do Sul, radicalizaram  a retórica  do governo comunista de Pyongyang, fato que aumentou a preocupação das principais potências mundiais,  e colocou novamente em pauta a ameaça de um conflito nuclear.

Para muitos observadores, Pyongyang estaria blefando, e suas ameaças nucleares   não passam de bravatas destinadas a conseguir a revisão das  imposições  que pesam sobre o país, e que tem aumentado   dramaticamente  suas carências   econômicas.  Teria também o propósito de reforçar a unidade interna e manter mobilizada e sob controle uma população que,  em áreas recônditas  do território norte-coreano, já estaria sentindo os efeitos da fome.

Visaria também impor  a autoridade do jovem e inexperiente  Kim Jong-um, que estaria sendo alvo de  velada contestação   do establishment  militar , além  do desconhecimento da população. A afirmação de  Kim Jong-un  como comandante militar e líder político, capaz de  continuar a “obra” do pai e do avô, consolidaria a  sua liderança e forçaria a  unidade do exército. Mas o preço  a pagar, caso a guerra seja desencadeada, poderia ser a própria destruição do país.

Como se sabe, a Coréia do Norte é uma espécie de aleijão na comunidade internacional.  Extremamente militarizada,  totalmente fechada,  dominada por práticas stalinistas,a Coréia do Norte  é e  comandada, de facto, por  uma elite militar e burocrática. Tomada pela paranoia de uma suposta permanente ameaça da Coréia do Sul, Estados Unidos e Japão, o governo comunista  investe a maior parte de seus parcos recursos em  armamentos e tecnologia militarem especial no uso  militar da energia atômica. E é aí que reside o perigo, já que o governo de Pyongyang se recusa a qualquer tipo de fiscalização e  controle por parte da AIEA, da qual se retirou em 2002. 

Nada surpreendente num país tão misterioso e obsoleto. Resultado da divisão do mundo em dois blocos antagônicos após a Segunda Guerra.Após o conflito armado contra a Coréia do Sul (1950-1953), o país adotou uma política de radical  isolamento em relação aos demais, e de extrema repressão sobre   sua própria população.

 O  isolamento internacional e a política repressiva  se acentuaram  após a débâcle do comunismo no final dos anos 80, e da morte do líder supremo Kim Il- Sung, em 1994. Hoje, Pyongyang mantém a China como único canal  de contato  com o mundo exterior, mas não como aliado para todas as horas. O governo norte coreano tem incomodado Beijing, cujo pragmatismo econômico  há muito superou o arcaico comunismo praticado na Coréia do Norte. Portanto, a China  não estaria disposto a se envolver num conflito  que só lhe traria problemas.

Ao contrário do que aconteceu em relação ao Afeganistão e ao Iraque - países sem qualquer força militar, e com população dividida  – , os Estados Unidos tem mantido  compreensível cautela   em relação às atitudes provocativas dos norte coreanos. Como os canais institucionais  de negociação com Pyongyang  se encontram fechados , os norte-americanos, caso optem pelo endurecimento militar,  não sabem que tipo de reação se pode esperar de um governo   isolado, amparado numa ideologia anacrônica e tomado por um extremado espírito bélico. Esta reação poderia ir desde um recuo de sua atual atitude de provocativa  a uma reação extremamente agressiva o que conduziria a consequências  imprevisíveis.

O fato é que, governado por um regime que pratica  sistematicamente lavagem cerebral coletiva e    desenvolve na população o temor permanente pela suposta ameaça de invasão estrangeira,   a Coréia do Norte merece atenção e cuidado. A  presença de um estado totalitário  assumidamente fora-da- lei na comunidade internacional é preocupante , pois representa um perigo concreto e iminente à paz mundial.
100413

Um comentário:

Reinaldo disse...

Sem chance. Se o ditadorzinho quiser iniciar uma guerra nuclear vai virar pó. É suicidio puro.Mas achoque esse perigo não existe.A CN é totalmente dependente da China que quer distância de confusão.