segunda-feira, abril 15, 2013

LUZ AMARELA ACESA


 É importante salientar  que, além da baixa produção e da conseqüente redução de oferta, da especulação, e de fatores climáticos e ambientais – mecanismos que atuam sobre o mercado promovendo a oscilação dos preços –, o governo, quando mantém um Estado oneroso, perdulário e corrupto, e quando pratica políticas econômicas equivocadas é o responsável maior pela permanência do dragão inflacionário.


ACESA A LUZ AMARELA
O tomate é o vilão da vez. Amanhã, provavelmente será o chuchu; depois, quem sabe, o feijão. O fato é que nos últimos meses o fantasma da inflação vem assombrando o assalariado com índices que ultrapassam as metas do Banco Central. Mais dos que os índices, a população vem se assustando com o contínuo aumento do custo de vida e a conseqüente perda do  poder aquisitivo.

Embora, nos últimos anos, a inflação  tenha se mantido no patamar de um dígito, com taxa média da ordem de 7,4%, e PIB com crescimento de 1,8% - ambos altamente insatisfatórios -, o guru econômico do governo  petista, e especialista em inflação, Delfim Neto, tenta amenizar a culpa do atual governo sobre  o recente pique inflacionário com o argumento de que “no período iniciado com o Plano Real, o país jamais teve uma inflação civilizada, de 2% a 3% ao ano”.

É verdade. Mas é verdade também que na gestão de Fernando Henrique, e mesmo no início do primeiro mandato de  Lula, sob o comando econômico de Antonio Palocci, havia vontade política em  manter os índices inflacionários próximos a níveis “civilizados”, o que não aconteceu no segundo mandato de Lula, e muito menos acontece no atual governo.

Infelizmente, o esforço desenvolvido nos primeiros anos de Plano Real foi negligenciado em razão de uma suposta prioridade ao crescimento econômico. O desprezo pelo controle preferencial da inflação ficou evidente nas palavras da presidente, quando  sinaliza que os gastos e investimentos do governo  “não serão desacelerados”, nem “medidas recessivas” serão adotadas.

Isso pode significar, por exemplo, no aumento de gastos não seletivos com a máquina governamental, na intensificação  das práticas sociais paliativas em detrimento de políticas públicas efetivas, na condescendência com a prática sistemática da corrupção,e no desperdício de recursos públicos em  mega  eventos esportivos que deveriam  estar sendo  bancados por capitais privados.

Nesse contexto, em que a luz  amarela se acende, o   populismo econômico  mais uma vez tenta se sobrepor à racionalidade e ao bom senso.   Os fatores efetivos  da anarquia monetária , quais  sejam  o gigantismo do setor estatal, o descontrole dos gastos, e o endividamento crescente, precisam ser enfrentados, se necessário, com remédios amargos.

Para evitar que a luz amarela se torne vermelha, e que os primeiros sintomas se tornem agudos, e, a partir daí, crônicos,  o  governo tem de agir  de forma imediata no sentido de cortar os gastos desnecessários, reduzir o tamanho da máquina governamental, estancar os aumentos das tarifas públicas, e criar mecanismos de incentivos fiscais para os setores produtivos mais afetados pela onda inflacionária.

 É importante salientar  que, além da baixa produção e da conseqüente redução de oferta, da especulação, e de fatores climáticos e ambientais – mecanismos que atuam sobre o mercado promovendo a oscilação dos preços –, o governo, quando mantém um Estado oneroso, perdulário e corrupto, e quando pratica políticas econômicas equivocadas é o responsável maior pela permanência do dragão inflacionário.

Quem viveu a época da inflação estratosférica e dos planos econômicos mirabolantes e desastrosos tem razão de sobra para temer a volta do dragão inflacionário. Mais do que ninguém, o atual governo deve saber que o custo social do retorno da inflação é impagável. O custo político se refletirá negativamente sobre a hegemonia petista, talvez, já nas próximas eleições. Estará Dilma Rousseff disposta a pagar para ver?
150413

2 comentários:

Sergio disse...

O PT foi contra o plano real.Não me espanta que tente detonar os esforços para co0ntrolar a inflação. Dilma já disse que não faz nada para impedir o crescimento. Ela predere um crescimento de mentira e uma inflação de verdade.

Anônimo disse...

FH controlou o real a custa do desemprego e da recessão.Dilma procura manter o equilibrio e não sacrifica o povão. Os tucanos conservadores neoliberais choram porque perderam a boquinha e não vão voltar tão cedo.