sexta-feira, dezembro 14, 2012

O ELO QUE FALTAVA



A demonização do acusador e a santificação do acusado são reações de quem se sente acuado, e revela, sobretudo, o desespero de um partido que vê sob ameaça a sua principal referência. A ira que tomou os partidários do PT, nesse sentido, é justificável. O partido parece não saber viver sem o seu líder e inspirador. E a defesa desse “patrimônio“ é a luta pela sobrevivência do próprio partido. O que não pode, nessa altura, são  as instituições responsáveis pela guarda da democracia e da República se deixarem  influenciar pelo choro dessa gente.


O ELO QUE FALTAVA
Finalmente o elo entre o ex-presidente Lula da Silva e o restante da quadrilha do mensalão está sendo estabelecido. Desde a revelação do escândalo, ficou no ar a indagação sobre o  peso e  o tamanho   da participação  de Lula no esquema criminoso. Ficava difícil acreditar na inocência do presidente diante das evidências levantadas pela CPMI dos Correios. Entretanto, quis o destino e a indecisão da oposição que ele sobrevivesse, fosse reeleito e fizesse de Dilma a sua sucessora.Sete anos depois,  Marcos Valério, o operador do esquema abre o bico, e diz com todas as letras que Lula sabia de tudo e era partícipe do esquema.

As declarações de Valério abalaram os alicerces do PT e provocaram confusão mental e reação irada dos eternos áulicos de Lula. A tentativa de desqualificar o depoimento prestado ao MP, sob o pretexto da atual ficha criminal do acusador chega a ser ridícula. E contraditória: Valério é tão criminoso quanto os líderes petistas condenados no mesmo julgamento que condenou o empresário.
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Menos merecedor de crédito do que Valério era o deputado Roberto Jefferson, de quem partiram as denúncias, todas comprovadas na investigação, sobre o submundo do governo Lula . Não se esperava, assim como se espera agora, que esse tipo revelação partisse do arcebispo da Lituânia; tinha que vir de alguém metido na lama. Portanto, ao contrário do que querem os sectários do PT, ninguém melhor  qualificado do que Valério para contar o  que sabe, não importando, agora, o que o motivou a tomar essa decisão.

A demonização do acusador e a santificação do acusado são reações de quem se sente acuado, e revela, sobretudo, o desespero de um partido que vê sob ameaça a sua principal referência. A ira que tomou os partidários do PT, nesse sentido, é justificável. O partido parece não saber viver sem o seu líder e inspirador. E a defesa desse “patrimônio“ é a luta pela sobrevivência do próprio partido. O que não pode, nessa altura, são  as instituições responsáveis pela guarda da democracia e da República se deixarem  influenciar pelo choro dessa gente.

O que importa é que o depoimento de Valério  foi límpido, cristalino, coerente, e veio acompanhado por nomes, endereços e impressões digitais: Lula sabia de tudo; autorizou os  empréstimos; foi beneficiado com cerca de R$100 mil depositados na conta de laranja; pediu a Portugal Telecon o repasse de R$7 milhões para a conta do PT. Lula precisa ser investigado a fundo. Com a palavra, o Ministério Público, a Polícia federal, o STF, o Congresso e a imprensa.
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