segunda-feira, dezembro 03, 2012

O CONGRESSO AFUNDA


O Congresso não tem sido muito mais de um órgão ratificador. E poucos parlamentares manifestam lucidez  para perceber que o legislativo se deteriora  a cada momento em que negligencia as suas funções básicas. Para a maioria,  a manutenção dessa ordem  é o que possibilita  a   sobrevivência política . É o que  a única ação  política a que se dedicam: votar cegamente com o governo e receber as  migalhas do orçamento e nacos do poder.


O CONGRESSO  AFUNDA
No atual governo, o  Congresso Nacional tem mantido, em relação ao Executivo,  a mesma posição de subserviência e de dependência  em que permaneceu nas últimas décadas. Esse status quo, que José Sarney instituiu, na década de oitenta, Fernando Henrique aperfeiçoou, nos anos noventa, e Lula consolidou, neste início de século, tem levado o Congresso ao descrédito porque  impede que ele exerça, minimamente, as suas obrigações constitucionais.

O Congresso praticamente não legisla. Essa  essa tem sido uma tarefa assumida  pelo Executivo, através  de medidas provisórias. O Congresso não fiscaliza, pois as gritantes irregularidades praticadas nos altos escalões do governo têm passado ao largo da investigação parlamentar, o que levou   as CPIs, instrumentos fundamentais para a unção fiscalizadora do Legislativo,  ao completo descrédito.

O Congresso tem sido pouco além do  que  um mero  homologador das decisões do Executivo.. E poucos parlamentares manifestam lucidez  para perceber que o legislativo se deteriora  a cada momento que negligencia as suas funções básicas.

A maioria tenta usufruir da manutenção dessa ordem, pois é o lhe que possibilita  a   sobrevivência política . E assim, a única ação  política a que se dedicam com esmero é votar cegamente com o governo e, como retribuição, receber as  migalhas do orçamento e nacos do poder, com os quais esperam garantir  a fidelidade dos currais eleitorais, que, ao final, sustentarão  a continuidade de suas medíocres carreiras. Política, para essa gente, é isso.

Enquanto isso  oposição parlamentar, quando também não se deixa corromper,e  em que pese o seu reduzido número, faz o que pode, mas, as vezes,  se comporta  de maneira pífia,   como se estivesse a pedir desculpas ao governo pela sua atuação.

A subserviência cega  da maioria governista fica patente quando assistimos, como agora, ministros e parlamentares se apressarem, despudoradamente,  a proteger uma  amiga íntima do Lula e seus comparsas, envolvidos em graves irregularidades, impedindo-os de prestarem os esclarecimentos devidos aos, em tese,  representantes do povo.

Nesse e em outros episódios recentes, fica claro que a cumplicidade   entre membros graduados do governo federal e malfeitores do setor público contamina  o  parlamento,  e   leva  parlamentares a se comportarem como cães de guarda de ações espúrias. Com tal comportamento, deputados e senadores acentuam a seu desapreço pelo pudor e pela ética, e    afundam  de vez o  Congresso.
031212  

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