quinta-feira, dezembro 20, 2012

SEM PUDOR



Lula e sua turma corrompem parlamentares, chantageiam  ministros do Supremo, recebem propinas para favorecer negócios escusos, desviam recursos públicos ,tentam calar a mídia, atacam o Ministério Público, e, no final, a revista Veja é que é acusada de golpista.


SEM PUDOR
O resultado do julgamento do mensalão  e as declarações de Marcos Valério incriminando Lula mexeram com os nervos de petistas e aliados . Nas últimas semanas, se prestaram a um verdadeiro show de declarações e manifestações despudoradas que expuseram, sobretudo,  o desrespeito à ética e às instituições democráticas.

E elas não partiram apenas de militantes fanáticos, naturalmente limitados a se deixarem levar pela paixão irracional, mas também, e, sobretudo, de pessoas que, pela importância dos cargos que ocupam, deveriam se impor um mínimo de equilíbrio e racionalidade nas declarações. Entretanto, o bom senso passou longe dos presidentes da Câmara e do Senado, de alguns governadores de Estado, e da própria  presidente Dilma Rousseff, que  não se acanharam em assumir as dores de José Dirceu e de Lula.

No caso específico das graves acusações feitas ao ex-presidente, muito antes do principal interessado se manifestar em sua  defesa, quem sabe   abrindo  um processo por calúnia e difamação contra Valério, seus vassalos partiram para o ataque.  Não sobrou para ninguém  que, na visão sectária  dessa gente, representasse  alguma forma de perigo à hegemonia do PT, e à liderança de Lula.

Ou seja, querendo desviar o foco da questão,  a turma de Lula abriu  artilharia contra a oposição, a imprensa, o STF,  e o Ministério Público, acusando-os de estarem a serviço do golpismo. Trocando em miúdos: Lula e sua turma corrompem parlamentares, chantageiam  ministros do Supremo, recebem propinas para favorecer negócios escusos, desviam recursos públicos ,tentam calar a mídia, atacam o Ministério Público, e, no final, a revista Veja é que é acusada de golpista.

A saída honrosa, qual  seja  o reconhecimento  dos erros e dos crimes,  e o início da reconstrução do partido,   foi evitada  pelo PT. Ao invés disso,  os partidários de Lula e Dilma aplaudem  cidadãos  condenados pela Justiça e tentam politizar  os fatos que , todos sabem , são   estritamente da esfera criminal. Agressão à lógica é isso.
201212

sexta-feira, dezembro 14, 2012

O ELO QUE FALTAVA



A demonização do acusador e a santificação do acusado são reações de quem se sente acuado, e revela, sobretudo, o desespero de um partido que vê sob ameaça a sua principal referência. A ira que tomou os partidários do PT, nesse sentido, é justificável. O partido parece não saber viver sem o seu líder e inspirador. E a defesa desse “patrimônio“ é a luta pela sobrevivência do próprio partido. O que não pode, nessa altura, são  as instituições responsáveis pela guarda da democracia e da República se deixarem  influenciar pelo choro dessa gente.


O ELO QUE FALTAVA
Finalmente o elo entre o ex-presidente Lula da Silva e o restante da quadrilha do mensalão está sendo estabelecido. Desde a revelação do escândalo, ficou no ar a indagação sobre o  peso e  o tamanho   da participação  de Lula no esquema criminoso. Ficava difícil acreditar na inocência do presidente diante das evidências levantadas pela CPMI dos Correios. Entretanto, quis o destino e a indecisão da oposição que ele sobrevivesse, fosse reeleito e fizesse de Dilma a sua sucessora.Sete anos depois,  Marcos Valério, o operador do esquema abre o bico, e diz com todas as letras que Lula sabia de tudo e era partícipe do esquema.

As declarações de Valério abalaram os alicerces do PT e provocaram confusão mental e reação irada dos eternos áulicos de Lula. A tentativa de desqualificar o depoimento prestado ao MP, sob o pretexto da atual ficha criminal do acusador chega a ser ridícula. E contraditória: Valério é tão criminoso quanto os líderes petistas condenados no mesmo julgamento que condenou o empresário.
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Menos merecedor de crédito do que Valério era o deputado Roberto Jefferson, de quem partiram as denúncias, todas comprovadas na investigação, sobre o submundo do governo Lula . Não se esperava, assim como se espera agora, que esse tipo revelação partisse do arcebispo da Lituânia; tinha que vir de alguém metido na lama. Portanto, ao contrário do que querem os sectários do PT, ninguém melhor  qualificado do que Valério para contar o  que sabe, não importando, agora, o que o motivou a tomar essa decisão.

A demonização do acusador e a santificação do acusado são reações de quem se sente acuado, e revela, sobretudo, o desespero de um partido que vê sob ameaça a sua principal referência. A ira que tomou os partidários do PT, nesse sentido, é justificável. O partido parece não saber viver sem o seu líder e inspirador. E a defesa desse “patrimônio“ é a luta pela sobrevivência do próprio partido. O que não pode, nessa altura, são  as instituições responsáveis pela guarda da democracia e da República se deixarem  influenciar pelo choro dessa gente.

O que importa é que o depoimento de Valério  foi límpido, cristalino, coerente, e veio acompanhado por nomes, endereços e impressões digitais: Lula sabia de tudo; autorizou os  empréstimos; foi beneficiado com cerca de R$100 mil depositados na conta de laranja; pediu a Portugal Telecon o repasse de R$7 milhões para a conta do PT. Lula precisa ser investigado a fundo. Com a palavra, o Ministério Público, a Polícia federal, o STF, o Congresso e a imprensa.
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segunda-feira, dezembro 10, 2012

DE VOLTA ÀS RUAS


Um  novo vácuo  no  poder,  a essa altura, seria fatal para a racionalização do  processo, conduzindo o país ao  caos  ou  à guerra civil, colocando por terra as aspirações democráticas da maioria da sociedade. A possibilidade do prolongamento da crise  não interessa aos democratas egípcios e  à comunidade internacional, que projeta na existência de um Egito democrático uma ponte para se alcançar a paz no Oriente Médio.

DE VOLTA ÀS RUAS
Dez meses após a derrocada do regime de Hosni Mubarak,milhares de egípcios voltaram às ruas para exigir a saída de Mohamed Mursi, representante da Irmandade Mulçumana, organização política e religiosa que ocupou o espaço vago gerado pela destituição do ex-ditador. Mursi foi eleito presidente em junho, com a missão de comandar a transição para a democracia.

Pois são justamente os métodos dessa transição o que não tem agradado os partidos e movimentos políticos que se colocaram em permanente vigilância após a assunção da Irmandade ao poder. A maioria das forças oposicionistas identifica no atual  governo os mesmos traços autoritários que levaram à destituição do antecessor.  Suspeita  ainda  que ele tenda a privilegiar  os islâmicos em detrimento dos demais grupos  políticos e religiosos, e em benefício de um suposto futuro estado teocrático.  

Mursi dá razão aos adversários  quando, alegando a necessidade de maior autonomia para dar cabo à transição, e maior autoridade para reformar órgãos e instituições contaminados pelo antigo regime, edita  decreto em que se concede  superpoderes  e o protege de contestações judiciais.

Por seu turno, as oposições se dividem numa multiplicidade de tendências e lideranças que as impossibilitam de chegar a um a um projeto democrático  que seja minimamente consensual.  Por enquanto, o que as motivam é o desejo comum de se livrarem das marcas impostas o país pelos trinta anos da ditadura de Mubarak.

O projeto de Constituição em elaboração tem sido questionado, tanto por atribuir poderes extraordinários ao atual chefe do governo, quanto por conceder privilégios  exclusivos à população islâmica, em desconsideração aos direitos das mulheres, dos trabalhadores e dos cristãos.

Em que pese a intensificação do movimento de protesto, não é evidente que a tendência pró derrubada de Mursi  resulte inevitavelmente na queda do líder. Ainda existe espaço para o diálogo. No confuso quadro político que se estabeleceu no Egito, a Irmandade Muçulmana é a principal referência para  um futuro diálogo que venha envolver a comunidade internacional.

O mais provável é que se  inicie  um acordo  que inclua  uma maior parcela das forças atualmente insatisfeitas . Porque um novo vácuo  no  poder,  a essa altura, seria fatal para a racionalização do  processo, conduzindo o país ao  caos  ou  à guerra civil, colocando por terra as aspirações democráticas da maioria da sociedade. A possibilidade do prolongamento da crise  não interessa aos democratas  e  à comunidade internacional, que projeta na existência de um Egito democrático uma ponte para se alcançar a paz no Oriente Médio.
101212

segunda-feira, dezembro 03, 2012

O CONGRESSO AFUNDA


O Congresso não tem sido muito mais de um órgão ratificador. E poucos parlamentares manifestam lucidez  para perceber que o legislativo se deteriora  a cada momento em que negligencia as suas funções básicas. Para a maioria,  a manutenção dessa ordem  é o que possibilita  a   sobrevivência política . É o que  a única ação  política a que se dedicam: votar cegamente com o governo e receber as  migalhas do orçamento e nacos do poder.


O CONGRESSO  AFUNDA
No atual governo, o  Congresso Nacional tem mantido, em relação ao Executivo,  a mesma posição de subserviência e de dependência  em que permaneceu nas últimas décadas. Esse status quo, que José Sarney instituiu, na década de oitenta, Fernando Henrique aperfeiçoou, nos anos noventa, e Lula consolidou, neste início de século, tem levado o Congresso ao descrédito porque  impede que ele exerça, minimamente, as suas obrigações constitucionais.

O Congresso praticamente não legisla. Essa  essa tem sido uma tarefa assumida  pelo Executivo, através  de medidas provisórias. O Congresso não fiscaliza, pois as gritantes irregularidades praticadas nos altos escalões do governo têm passado ao largo da investigação parlamentar, o que levou   as CPIs, instrumentos fundamentais para a unção fiscalizadora do Legislativo,  ao completo descrédito.

O Congresso tem sido pouco além do  que  um mero  homologador das decisões do Executivo.. E poucos parlamentares manifestam lucidez  para perceber que o legislativo se deteriora  a cada momento que negligencia as suas funções básicas.

A maioria tenta usufruir da manutenção dessa ordem, pois é o lhe que possibilita  a   sobrevivência política . E assim, a única ação  política a que se dedicam com esmero é votar cegamente com o governo e, como retribuição, receber as  migalhas do orçamento e nacos do poder, com os quais esperam garantir  a fidelidade dos currais eleitorais, que, ao final, sustentarão  a continuidade de suas medíocres carreiras. Política, para essa gente, é isso.

Enquanto isso  oposição parlamentar, quando também não se deixa corromper,e  em que pese o seu reduzido número, faz o que pode, mas, as vezes,  se comporta  de maneira pífia,   como se estivesse a pedir desculpas ao governo pela sua atuação.

A subserviência cega  da maioria governista fica patente quando assistimos, como agora, ministros e parlamentares se apressarem, despudoradamente,  a proteger uma  amiga íntima do Lula e seus comparsas, envolvidos em graves irregularidades, impedindo-os de prestarem os esclarecimentos devidos aos, em tese,  representantes do povo.

Nesse e em outros episódios recentes, fica claro que a cumplicidade   entre membros graduados do governo federal e malfeitores do setor público contamina  o  parlamento,  e   leva  parlamentares a se comportarem como cães de guarda de ações espúrias. Com tal comportamento, deputados e senadores acentuam a seu desapreço pelo pudor e pela ética, e    afundam  de vez o  Congresso.
031212