sexta-feira, novembro 30, 2012

NA ESSÊNCIA DO PT


A segunda tarefa a que se propôs foi a cooptação, a qualquer preço, de parlamentares não petistas.  Aqui,  a  corrupção  assumiu a forma de instrumento fundamental para a perpetuação do partido no poder. Para que tal ocorresse, seria necessário  a  aprovação de medidas de fortalecimento  do Executivo, no mesmo sentido  em que se trabalhava para enfraquecer e  desmoralizar os  demais poderes e instituições, em especial o Congresso e a imprensa.  Parlamentares  formados na escola do toma lá, dá cá foram os alvos preferidos do ataque petista.
NA ESSÊNCIA DO PT
Em 2003, Lula e sua turma  assumiram  o poder  imbuídos do  propósito de nele permanecer por   longo período. Ao contrário dos partidos tradicionais, tão achincalhados pelos petistas, o Partido dos Trabalhadores  sempre se orgulhou do seu perfil ideológico, no campo do  socialismo, e da sua influência sobre o  sindicalismo  e os movimentos sociais.

A primeira tarefa a que se dedicou foi o aparelhamento da máquina estatal com quadros do partido. Segundo a ótica de Lula e José Dirceu, tal se fazia necessário porque os quadros herdados das administrações anteriores não seriam merecedores de confiança. Assim, o preenchimento de cargos  de direção e de execução em órgãos da administração direta, autarquias , estatais, e agências reguladoras, se fez muito mais por critérios de amizade, de militância no partido, e de fidelidade cega ao líder  e menos em razão  da competência, da qualificação profissional e da ética.

O resultado de tal processo, muitas vezes, foi a destituição de técnicos competentes e dedicados à causa pública, substituídos por pessoas desqualificadas, oportunistas, deslumbradas com o poder recém adquirido, e carentes de virtudes cívicas e de honradez pessoal.

A segunda tarefa a que se propôs foi a cooptação, a qualquer preço, de parlamentares não petistas.  Aqui,  a  corrupção  assumiu a forma de instrumento fundamental para a perpetuação do partido no poder. Para que tal ocorresse, seria necessário  a  aprovação de medidas de fortalecimento  do Executivo, no mesmo sentido  em que se trabalhava para enfraquecer e  desmoralizar os  demais poderes e instituições, em especial o Congresso e a imprensa.  Parlamentares  formados na escola do toma lá, dá cá foram os alvos preferidos do ataque petista.

A corrupção no governo petista tem, pois, duas vertentes  derivadas  do projeto de instalação de um poder autoritário: uma, como instrumento para  a construção  de uma base parlamentar submissa no Congresso, da qual  resultado visível foi o Mensalão, agora em  julgamento  no STF;  a  outra, resultante de uma prática de apropriação do Estado, a se  manifestar rotineiramente em  escândalos, tráfico de influência , corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outras mazelas. O episódio envolvendo a chefe do gabinete da Presidência em SP, e outros altos funcionários da administração petista, é mais um  é mais um a demonstrar os malefícios dessa prática para o estado democrático.

Embora os petistas argumentem   que a corrupção agora praticada seja parte de um mesmo processo  que se iniciou com a chegada das caravelas portuguesas,  o fato é que a corrupção   se tornou sistêmica neste governo.   É, portanto,cada vez mais evidente que  a corrupção está na essência do partido desde  a sua ascensão ao poder .
301112 

quarta-feira, novembro 28, 2012

DIGITAIS DO LULA


Ao mesmo tempo em que afasta e demite funcionários do governo indiciados na operação Porto Seguro, da Polícia Federal, Dilma Rousseff  orienta a sua  base aliada no sentido de  impedir a convocação dos envolvidos nos crimes, para que façam no Congresso  os esclarecimentos devidos. Assim, com uma mão ela tenta satisfazer a opinião pública, com a outra,  agrada o seu padrinho político.
 DIGITAIS DO LULA
Marcado pela continuidade de escândalos herdados da administração de seu antecessor, o governo da presidente Dilma Rousseff  fez o  que   julgou correto para se livrar da herança maldita  deixada por Lula da Silva. Mas não foi suficiente para criar uma nova ordem e marcar um estilo que convença a todos de que caminha na direção da moralização dos costumes políticos. Pela simples razão de que é cada vez mais evidente a sua submissão   ao  antigo, e ainda poderoso, chefe.

Ao mesmo tempo em que afasta e demite funcionários do governo indiciados na operação Porto Seguro, da Polícia Federal, Dilma Rousseff  orienta a sua  base aliada no sentido de  impedir a convocação dos envolvidos nos crimes, para que façam no Congresso  os esclarecimentos devidos. Assim, com uma mão ela tenta satisfazer a opinião pública, com a outra,  agrada o seu padrinho político.

No imbróglio  da vez, a ex-chefe de gabinete da Presidência em SP, Rosemary Noronha,   seus comparsas da Anac  e ANA, os irmãos Paulo e Rubens Vieira, mais o ex-advogado geral adjunto da União, José Weber, foram indiciados pela participação num esquema de tráfico de influência e corrupção, na linha do “criar dificuldades para vender facilidade”. Mais uma vez, o exército de sectários do PT se prontificou, com a ajuda da tropa fisiológica, a blindar a figura de Lula e varrer para debaixo do tapete a sujeira ainda visível.

O motivo alegado para  esconder Rosemary é o temor de que a instabilidade emocional da indiciada leve-a a dar com a língua nos dentes falar o que “não deveria”, segundo um parlamentares governistas. Justificativa risível se não fosse preocupante. Afinal, o quê de tão grave ela não pode falar?

O fato é que  mais uma quadrilha emerge dos subterrâneos do petismo,e, mais uma vez, aparecem as digitais do ex-presidente. Na rotina de escândalos  que marcam as administrações petistas, somos defrontados com mais um, cujos personagens principais eram amigos íntimos do ex-presidente, freqüentavam os gabinetes do Planalto, as salas de estar do Alvorada, e agiam de forma criminosa sob as barbas de Lula.
291112

segunda-feira, novembro 26, 2012

ATENTADO À DEMOCRACIA


O Ministério Público tem desempenhado, nas últimas décadas, papel decisivo na consolidação da democracia como guardião dos direitos do cidadão, tornando-se  de fato uma espécie de Ouvidoria da sociedade brasileira. Irregularidades e práticas criminosas contra o patrimônio público são investigadas e denunciadas por procuradores do MP, que, devido à sua autonomia institucional, atua com maior desembaraço, livre das injunções políticas e partidárias. 

Graças ao MP, a quadrilha do mensalão foi investigada e levada a julgamento no STF, ao fim de um processo que teve como ponto de partida a denúncia formulada pelo procurador geral da República, Antonio Fernando  , e reforçada pelo sucessor Roberto Gurgel (Foto). Em contrapartida, a condenação de réus influentes no atual governo  deve ter assustado uma parte do Congresso – os corruptos de sempre –, e despertado a ira  em outra parte – as viúvas dos mensaleiros.

Não existe outra explicação plausível para a rapidez com que foi aprovada, em Comissão Especial da Câmara,  o Projeto de Emenda Constitucional,  PEC 37, que retira do Ministério Público  o poder de investigação. Segundo os defensores dessa castração do MP, o poder de investigar e o de denunciar é  algo “equivocado”, pelo fato de  não poder existir “concentração de poder”. Argumento frágil para uma agressão tão grave.

Para entrar em vigor, o texto precisa passar pela aprovação dos plenários da Câmara e do Senado, até quando se espera que  manifestações contrárias da opinião pública aliada  ao bom senso de lideranças partidárias sejam suficientes para  evitar mais esse atentado à democracia.
261112

sexta-feira, novembro 16, 2012

REAÇÃO ESTAPAFÚRDIA

Externando um incontido sentimento autoritário e demonstrando total ausência de autocrítica ou de arrependimento pelos pecados cometidos, autoridades do PT e do governo vieram a público a manifestar todo o seu rancor contra o Supremo Tribunal Federal e contra a Imprensa, após a definição das penas de José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares.




O país dos sonhos do PT é algo parecido com a China atual, qual seja um país sob governo de partido único, com Congresso, Imprensa e Judiciário submissos ou amordaçados. Pelo menos, é o que se deduz das manifestações desesperadas de lideranças petistas , ao término do julgamento do mensalão.


Externando um incontido sentimento autoritário  e demonstrando total ausência de autocrítica ou de arrependimento pelos pecados cometidos, autoridades do PT e do governo vieram a público a manifestar todo o seu rancor contra o Supremo Tribunal Federal e contra a Imprensa, após a definição das penas de José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares.

Não que as penas impostas aos três líderes políticos da quadrilha tenham sido superdimensionadas pelos julgadores – pelo contrário, foram brandas, diante da dimensão dos crimes praticados - , mas tão somente pelo fato de a indigência mental dos sectários não admitir tamanha afronta a um líder tão admirado e querido como José Dirceu.

A certeza da impunidade dos líderes era tão arraigada no PT que o impacto da condenação, provocou manifestações que revelaram sobretudo o enorme desprezo que essa gente dedica às instituições democráticas quando seus interesses ficam contrariados,

O senador Jorge Viana, coronel político do Acre, teve a desfaçatez de afirmar ser “inadmissível” que lideres de um partido sejam condenados por juízes escolhidos pelo governo desse mesmo partido. Na lógica mequetrefe de Viana, ministros do Supremo julgam sob a conveniência do partido no poder, e não sob a Constituição vigente.

Mais grave, porque vinda de uma autoridade da República, foi o “reconhecimento” extemporâneo feito pelo ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, de que o sistema prisional brasileiro é “indigno”, e que preferia “morrer” a ter que cumprir pena numa penitenciária do país. Tardio porque o PT está há dez anos no poder, e se desconhece alguma política no sentido de reverter esse quadro.

A surpreendente declaração do ministro só faz sentido dentro do clima de choradeira geral que acompanhou a definição das penas aos líderes do mensalão. Cardozo agiu mais como um servil defensor dos interesses de Dirceu do que como ministro da Justiça. Deveria se ocupar da questão carcerária de maneira efetiva, e não apenas quando um “companheiro” influente é condenado à prisão.

A sequência de manifestações raivosas do PT se completou, na última terça feira, com uma nota da executiva do partido em que ataca o STF, acusando-o de ter promovido um julgamento imparcial sob pressão de “midia conservadora”. O Partido dos Trabalhadores declarou, ainda, que considerou o julgamento um ato político, por ter sido iniciado às vésperas das eleições municipais.

Choradeira à parte, o fato é que o PT assumiu o governo, em 2003, sob a esperança de milhões que acreditavam na sinceridade do seu discurso em defesa da ética e da democracia. Viu-se, mais tarde, que a ética e a democracia, para o PT, tinham prazo de validade limitado. Para se perpetuar no poder, o PT havia montado um amplo e corrupto projeto de submissão do Congresso. Se bem sucedido, seguiria a censura á imprensa e o controle do Judiciário.

O projeto de construir um populismo autoritário fracassou, por força da imprensa independente, o Ministérios Público e o Supremo Tribunal Federal, muito embora a oposição no Congresso, por medo ou conivência, tenha se omitido. A velha guarda petista vai saindo de cena da pior forma possível.

161112

segunda-feira, novembro 12, 2012

FALTOU RAZÃO, SOBROU EMOÇÃO

O governador do Rio não foi capaz de avaliar que muito antes  do sentimento de gratidão da Presidência a um governador fiel, está a necessidade de garantir intacta a fidelidade da base aliada  no Congresso. Dilma até que tentou falar grosso  ao dizer, num discurso a representantes de municípios, em Brasília, que as os direitos dos estados produtores seriam preservados, e que novas regras somente  valeriam para futuras licitações. Como resposta, ouviu uma sonora vaia.
FALTOU RAZÃO, SOBROU EMOÇÃO


O choro do governador do Rio, Sérgio Cabral, é compreensível, em face das reais perdas do Estado com a aprovação do novo regime de distribuição dos royalties e da participação especial do petróleo, conforme aprovado na última semana na Câmara dos Deputados. Por outro lado, é revelador da total incapacidade do chefe do executivo fluminense em negociar uma solução que não fosse tão danosa ao Estado que governa. Cabral radicalizou a sua posição, e numa tentativa de não perder nada, acabou perdendo muito.



Desde que o presidente Lula, na euforia da descoberta dos reservatórios do pré-sal, propôs uma repartição “mais justa” dos benefícios advindos da exploração do petróleo, Cabral adormeceu acreditando que a sua alegada amizade com o presidente e a sua reconhecida fidelidade ao Planalto seriam suficientes para evitar que a idéia vingasse, ficando preservadas as conquistas dos estados produtores.



O governador do Rio não foi capaz de avaliar que muito antes do sentimento de gratidão da Presidência a um governador fiel, está a necessidade de garantir intacta a fidelidade da base aliada no Congresso. Dilma até que tentou falar grosso ao dizer, num discurso a representantes de municípios, em Brasília, que as os direitos dos estados produtores seriam preservados, e que novas regras somente valeriam para futuras licitações. Como resposta, ouviu uma sonora vaia.



Portanto, fica difícil imaginar que a presidente teria a ousadia política de, vetando o projeto, desagradar a 25 entes federados –incluindo o DF- para agradar a apenas dois, mesmo que os argumentos destes sejam razoáveis, pois baseados no preceito constitucional que assegura aos municípios e estados produtores uma compensação direta por possíveis danos ambientais das empresas exploradoras. Os demais estados entendem que essa compensação deve ser estendida a todos, na mesma proporção.



“Argumentos razoáveis “ foi o que menos prevaleceu nessa autêntica batalha federativa. A perspectiva de abarrotar, já em 2013, os cofres de municípios e de estados com novos e vultuosos recursos, assanhou os deputados.De pronto, a maioria rejeitou o substitutivo do deputado petista Carlos Zarattini, que propunha a transição de modo gradual e destinava 100% dos recursos arrecadados com royalties do petróleo para a educação. Foi aprovado o texto do Senado, draconiano em relação aos municípios e estados produtores, e sem compromisso quanto à aplicação dos recursos em educação.



Uma questão fundamental para o equilíbrio federativo, e que, por isso mesmo, deveria ter sido alvo de exaustivas negociações, sempre sob a liderança e mediação da Presidência , se transformou numa disputa em que prevaleceu a emoção e faltou a razão. Estados e municípios festejarão sobre o choro do Rio de janeiro e do Espírito Santo, Sergio Cabral perde capital político, a presidente Dilma sai desse imbróglio como Pôncio Pilatos, e a federação, certamente, mais enfraquecida.

12112012

segunda-feira, novembro 05, 2012

SOB SUSPEITA

O Supremo Tribunal Federal colocou as coisas nos devidos lugares, condenado quem deveria ser condenado, mas deixando no ar a sensação de que faltava alguém  no banco dos réus. Segundo Marcos Valério, esse alguém é o ex-presidente.
 SOB SUSPEITA
O ex-presidente Lula está sob grave desconfiança. Segundo Marcos Valério, o ex-chefe de governo  teria envolvimento com os esquemas criminosos do mensalão e de Santo André. Os petistas reagem e alegam que o acusador é um desqualificado e, portanto, sem credibilidade. Sem razão, diziam  o mesmo do então deputado Roberto Jefferson, que, por estar mergulhado até o pescoço no mensalão, mais do que ninguém, estava qualificado para contar o que de fato acontecia. Não fosse por ele, e o esquema teria  permanecido ativo no submundo da política petista.

Em que pese Roberto Jefferson ter afirmado que havia relatado o fato ao Presidente,  ainda se discutia, em 2005,  se Lula tinha de fato conhecimento do esquema criminoso que envolvia pessoas bem próximas a ele. Na ocasião,é bom lembrar, Lula se declarou inocente e afirmou que se sentia traído. Os áulicos do presidente blindaram o  chefe, e os próprios mensaleiros assumiram um pacto de silêncio , na convicção de que preservando o chefe, eles estariam se preservando também. Agora, se discute a extensão da participação do então presidente no escândalo.

O Supremo Tribunal Federal colocou as coisas nos devidos lugares, condenado quem deveria ser condenado, mas deixando no ar a sensação de que faltava alguém  no banco dos réus. Segundo Marcos Valério, esse alguém é o ex-presidente. Reivindicando os benefícios da “delação premiada”, o  empresário se diz disposto a detalhar fatos inéditos sobre o valerioduto e suas ramificações. Como aperitivo do que está  por vir, relatou à Procuradoria Geral da República que as práticas ilegais comandadas por Dirceu, e  por ele operadas, tinham o aval de Lula, principal interessado na aprovação  das reformas no Congresso.

Também grave é a revelação, pela revista Veja, de uma suposta ligação entre o valerioduto e o caso Santo André. Marcos Valério teria abastecido o PT de Santo André para conter chantagens a petistas envolvidos no esquema de cobrança de propinas a empresários do setor de  transporte coletivo, na gestão de Celso Daniel, assassinado em 2002. Entre os beneficiários dos desvios, figurariam  Lula  e Gilberto Carvalho, ministro da Secretaria Geral da Presidência.

Pela gravidade dos fatos, é necessário que se apure com urgência a sua veracidade. Que se quebre a barreira de proteção em torno de Lula, e, apurada a culpa, seja levado ao banco dos réus. Somente assim, o trabalho iniciado pelo STF estaria completado, E o Brasil estaria   superando uma etapa pouco digna de sua História.
051112