quarta-feira, maio 23, 2012

INVESTIMENTO SEM RETORNO

Em Minas, petistas e tucanos, mesmo trocando  farpas, se aliam em favor  da candidatura de  Márcio Lacerda ( PSB), atual prefeito de BH e candidato à reeleição. Trata-se da reedição revista e ampliada da aliança que em 2008 conduziu o socialista à prefeitura da capital mineira. Naquela ocasião, o então governador Aécio Neves e o prefeito de BH,  Fernando Pimentel, celebraram um acordo, com a concordância de Lula, pelo qual o PT se coligava formalmente com o PSB, e recebia    o apoio informal do PSDB.

Vitorioso, Lacerda realizou uma gestão bem avaliada pela população e se colocou como a noiva cobiçada do próximo processo eleitoral. Tucanos e petistas passaram a ver na reeleição do atual prefeito uma peça importante  na  concretização de seus futuros projetos eleitorais, quais  sejam, as candidaturas de Aécio Neves e Dilma Rousseff, respectivamente. Em que pese a oposição de alguns setores do PT municipal, liderado pelo vice-prefeito Roberto Carvalho , a aliança tal como foi concebida inicialmente se concretizou. Para isso, falou mais alto a voz do comando nacional do PT – entenda-se, Lula.

 Para muitos, fica difícil entender os motivos que levaram  petistas e tucanos a investirem numa aliança  tão paradoxal,  formada por dois   partidos com  posições  aparentemente tão antagônicas. Partidários  do senador Aécio Neves explicam  que o apoio tucano ao PSB  em Belo Horizonte   gera uma dívida a ser paga com juros, em 2014, na forma de um esperado apoio do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, à candidatura de Aécio ao Planalto.

Muito improvável. O PSB é aliado histórico do PT e vem demonstrando fidelidade canina aos governos petistas.  É muito mais correto esperar que a  amizade entre os dois partidos de esquerda continue na próxima campanha presidencial. Caso as circunstâncias futuras levem  ao rompimento da aliança entre os dois, é  mais razoável esperar que  seja   no sentido  de uma candidatura própria do PSB – Eduardo Campos –, do que no do apoio à candidatura tucana. Por isso, para muitos observadores, o namoro de Aécio e correligionários com    os  socialistas em BH não passa de  um investimento sem retorno.
230512

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