segunda-feira, fevereiro 13, 2012

NAS MÃOS DE DILMA

Sob o ponto de vista legal, serviços públicos essenciais - educação, saúde e segurança - não podem ser vítimas de paralisações. Se tais acontecem, é porque os governantes tratam esses setores como se essenciais não fossem. Se professores, policiais e agentes de saúde tivessem remunerações condizentes com a importância de suas funções,  provavelmente não assistiríamos ao festival de ilegalidades, muitas vezes movido  à chantagem, promovido  pelos sindicatos dessas categorias
NAS MÃOS DE DILMA


O governador da Bahia, Jacques Wagner, sofre na carne os efeitos da doença do grevismo radical e inconsequente, que ajudou a disseminar quando militava na oposição. Nas últimas semanas, teve que lidar com a insubordinação da PM do Estado, que colocou em risco a segurança dos cidadãos e sob ameaça a maior festa popular da Bahia.



Os policiais da Bahia erram feio na forma de manifestar a sua insatisfação, mas estão absolutamente certos quanto ao mérito das suas reivindicaçoes. Afinal, é impossível que um militar exerça as suas funções com correção, probidade,e, sobretudo, dignidade recebendo algo em torno de mil reais.



Sob o ponto de vista legal, serviços públicos essenciais - educação, saúde e segurança - não podem ser vítimas de paralisações. Se tais acontecem, é porque os governantes tratam esses setores como se essenciais não fossem. Se professores, policiais e agentes de saúde tivessem remunerações condizentes com a importância de suas funções, provavelmente não assistiríamos ao festival de ilegalidades, muitas vezes movido à chantagem, promovido pelos sindicatos dessas categorias.



Apontada como solução para o problema, a PEC 300, aprovada pelo Congresso, criou o piso salarial da categoria, mas a regulamentação da Emenda, que fixaria o valor da referência, foi abortada pelo Executivo, sob razões de ordem fiscal , uma vez que a complementação das folhas salariais dos estados se faria pelo Caixa da União.



As sanções disciplinares aplicadas pelos governos da Bahia e do Rio de Janeiro parece ter arrefecido momentaneamente os ânimos dos grevistas, mas não ter encerrado a questão. Pelo contrário, a tendência é que nos próximos meses, com a aproximação dos grandes eventos futebolísticos programados para o Brasil - Copa das Confederações, em 2013; Copa do Mundo, em 2014 -, os movimentos se intensifiquem e se disseminem pelo Brasil afora.



Embora finja que não é com ela, está nas mãos da presidente Dilma a solução para o grave problema que o seu antecessor, por incapacidade ou desídia, não quis ou não soube resolver. A presidente terá que priorizar as questões sociais, não na direção do mero assistencialismo e do populismo, como fez Lula, mas no sentido de devolver ao cidadão, na forma de qualidade dos serviços essenciais, nos quais se inclui a segurança, o valor que lhe é retirado sob a forma de impostos. Simples assim.

130212

Um comentário:

José Carlos Fontoura disse...

Enquanto continuarem a acontecer os enormes desvios de dinheiro por causa da corrupção não haverá recursos para saude , educação e segurança.Nesse contexto, mais recursos para a segurança significa mais impostos sobre o povo.