segunda-feira, dezembro 05, 2011

INSÓLITA ALIANÇA

O choro do petista,  embora repercuta nas bases locais do partido, não comove a cúpula,   em Brasília. O mesmo pragmatismo que levou a direção nacional a impor, em São Paulo, a candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad, e, dessa forma, abortar no nascedouro a pretensão  de Marta Suplicy  , certamente vai colocar o mineiro rebelde no seu devido lugar, qual seja o de humilde servo do partido.
INSÓLITA ALIANÇA


Em Belo Horizonte, o processo eleitoral segue uma lógica muito particular, aparentemente insólita, que coloca no mesmo barco, PT e PSDB, adversários históricos. A explicação para tão inusitada composição se dá pelo fato de ambos os partidos pleitearem o apoio do PSB nas eleições de 2014. Isso, é claro, se o PSB não tiver planos próprios na próxima disputa presidencial.



O fato é que, em BH, o até então desconhecido Marcio Lacerda, recém filiado ao PSB, foi eleito prefeito da capital mineira, em 2008, graças a um acordo entre o então governador Aécio Neves, do PSDB, e o prefeito petista, Fernando Pimentel. Pelo entendimento, o PT ficaria com a vice-prefeitura, e o PSDB daria apoio informal à chapa.



A aliança foi bem sucedida, Lacerda foi eleito, e o petista Roberto Carvalho assegurou a vice-prefeitura. A administração de Lacerda vem sendo bem avaliada pela opinião pública, o que torna o prefeito uma das forças da política mineira,e, portanto, um candidato quase imbatível à sua própria sucessão. Tudo estaria perfeito se o vice petista não tivesse rompido com Lacerda e colocado uma pedra na reedição da aliança.



Contrariando a cúpula nacional, Carvalho renega as razões que o levaram a apoiar o acordo com os tucanos, em 2008, contesta a reprise da aliança, reivindica que PT tenha o seu próprio candidato, e se coloca “à disposição do partido’, eufemismo para se declarar candidato.



O choro do petista, embora repercuta nas bases locais do partido, não comove a cúpula, em Brasília. O mesmo pragmatismo que levou a direção nacional a impor, em São Paulo, a candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad, e, dessa forma, abortar no nascedouro a pretensão de Marta Suplicy , certamente vai colocar o mineiro rebelde no seu devido lugar, qual seja o de humilde servo do partido.



Tem sido assim, em tempos de PT no poder. A decantada " democracia interna" e a alardeada "consulta as bases", tão prezadas pelos petistas, são teses mortas na cartilha da liderança. Agora, as decisões que envolvam candidaturas e alianças estão centralizadas nas mãos de meia dúzia de caciques, e a palavra final, é evidente, com Lula e José Dirceu. É ingenuidade acreditar no poder de decisão dos diretórios locais, quando o que prevalece são as estratégias da cúpula, motivadas por razões de amplitude nacional.



Dentre essas razões, sobressai o desejo de contar com o apoio do PSB, em 2014. Presidido pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, o PSB aparece como o novo queridinho da política nacional, uma espécie de noiva cobiçada pelo PSDB de Aécio Neves e o PT de Lula, rivais na próxima corrida presidencial.



Portanto, a sucessão de BH, queira ou não Roberto Carvalho, está submetida à estratégia nacional. É essa estratégia que, mandando às favas princípios, programas e idéias, faz com que tucanos e petistas troquem juras de amor em nível local, para trocarem desaforos em nível nacional. Nem Freud explica o que, talvez, Maquiavel venha a explicar melhor.

051211

Um comentário:

Ildo disse...

Nenhuma novidade. isso só prova que PSDB e PT são farinha do mesmo saco. Não temos oposição de verdade nestepaís.