segunda-feira, novembro 28, 2011

COMO SE LIVRAR DA HERANÇA MALDITA

A pretendida  reforma ministerial, por si, não bastará para dar uma fisionomia ética ao governo se não vier acompanhada de uma mudança radical nos atuais critérios  de escolha dos ministros. A receita da boa governança está dada: redução drástica no numero de ministérios e seleção dos ministros pelos  requisitos da competência , da integridade de caráter, sem desconsiderar , é claro, critérios de ordem política.
 
COMO SE LIVRAR DA HERANÇA MALDITA
Comenta-se a urgência  de uma reforma ministerial. A equipe herdada por Dilma Rousseff provou  ser da pior qualidade, e os sucessivos escândalos paralisaram o governo no primeiro ano de mandato da presidente. As injunções que a conduziram ao cargo mais alto da República também a fizeram refém de Lula. Sua incapacidade de romper  a estrutura montada pelo padrinho impede  que o seu governo ganhe corpo e tenha fisionomia política própria.
  
É  falso  afirmar que as demissões ocorridas estão  a  provar a firme   determinação da presidente em moralizar o governo herdado, bem como a sua   autonomia em relação ao  antecessor. O afastamento de ministros acusados de malfeitos somente ocorreu por causa da firme atuação  da imprensa independente,  e da evidente desmoralização dos acusados, com a consequente perda de sustentação política que os mantinham nos cargos.Dilma não teve outra alternativa que não a   demissão dos suspeitos.

É tão evidente a má vontade da presidente em promover a faxina, que o falastrão Carlos Lupi , ministro do Trabalho consegue se manter na cadeira mesmo após uma enxurrada de denúncias que o envolve  a favorecimento de entidades ligadas ao seu partido, cobrança de propinas no ministério, uso indevido de avião de ONG favorecida, e recebimento indevido de salários como assessor fantasma na Câmara dos Deputados.

É claro que chegará o momento em que Carlos Lupi será afastado, como certamente cairá o ministro das Cidades Mário Negromonte, o mais recente denunciado por falcatrua no governo. Mas isso em nada alterará  o fato de que o ministério de Dilma mais se assemelha  a um bando de malfeitores do que a uma equipe de governo. Também não eliminará o sentimento de que a presidente   vem sendo pautada  muito pelas denúncias da imprensa e pouco por uma   determinação pessoal de ordem moral .

A pretendida  reforma ministerial, por si, não bastará para dar uma fisionomia ética ao governo se não vier acompanhada de uma mudança radical nos atuais critérios  de escolha dos ministros. A receita da boa governança está dada: redução drástica no numero de ministérios e seleção dos ministros pelos  requisitos da competência , da integridade de caráter, sem desconsiderar , é claro, critérios de ordem política.

Ministros precisam de sustentação política, mas devem ser frutos da livre escolha do chefe de governo, e não da vontade exclusiva de partidos políticos,  o que, ao final, os tornam subalternos dos   interesses, muitas vezes, escusos, dessas siglas, e não executores  dos projetos do governo,  como constitucionalmente deveriam ser. Ao mesmo tempo, é inaceitável que qualquer governo que se pretenda eficiente tenha  um número tão grande de ministérios. Se fossem reduzidos a metade, ainda seriam muitos.

Se Dilma Rousseff quiser de fato se livrar da herança maldita deixada por Lula e dar ao seu governo uma fisionomia própria, a receita está dada. Se não o fizer, estará condenada a passar os próximos anos sob as amarras de Lula , que, mesmo doente, continua a projetar  sua sombra sobre o principal gabinete do Planalto.
281111

Um comentário:

Política Livre disse...

A alta administração pública no Brasil está virando uma piada. E de extremo mau gosto.

A continuar na mesma toada já já teremos um caso inédito no mundo: um governo no qual todos os ministros foram derrubados pela mídia. Resultado: a presidenta vai empalmar todas os ministérios. Assim teremos DIlma Roussef: Presidenta da República, ministra da Fazenda, dos Transportes, do Trabalho, da Defesa.....................

Pensado bem, seria uma bruta economia que faríamos, não? A não ser(acode-me agora outra idéia) que a presidenta convoque o Globo, a VEJA, a FSP, a Época, Estadão, para auxiliá-la. Legal a sugestão?

Aí alcançaríamos o nirvana em termos de lisura, ética e moralidade. Adeus, adeus, cinco lágrimas que choram...não, desculpem, adeus corrupção, dossiês e que tais.&