segunda-feira, outubro 24, 2011

A BOLA DA VEZ

Muito além de  um caso  envolvendo mais um ministro de Estado acusado de corrupção, o episódio  revela  as relações promíscuas entre   governo,  ONGs e  partidos políticos. Essas organizações, ditas "não governamentais", paradoxalmente sustentadas   com dinheiro público, transformaram-se em instrumentos fáceis  para a captação de recursos que, entre outras destinações  ilícitas  e duvidosas, vão alimentar os caixas  de partidos e campanhas políticas, e enriquecer  políticos e pessoas diretamente envolvidas na manipulação desses   recursos.
A BOLA DA VEZ
Existe ministro honesto no atual governo? É o que se pergunta o cidadão brasileiro a cada nova denúncia envolvendo ministros do governo Dilma Rousseff. Praticamente uma a cada mês. A bola da vez é Orlando Silva, ministro do Esporte. Não que o estejamos prejulgando, mas as acusações feitas a ele são contundentes e as explicações dadas foram, até agora, inconsistentes.
  
As denúncias relacionam o ministro com um esquema de desvio de dinheiro público do ministério do Esporte para empresas  de fachada. O destino final dos valores  seria os cofre  do Partido Comunista do Brasil ( PC do B), ao qual Silva está filiado. O esquema de captação ilegal de recursos teria começado na gestão de seu antecessor na pasta, Agnelo Queiroz, e prosseguido na administração  do atual ministro.

Muito além de  um caso  envolvendo mais um ministro de Estado acusado de corrupção, o episódio  revela  as relações promíscuas entre   governo,  ONGs e  partidos políticos. A oposição, no seu papel limitado, centra o foco na demissão do ministro, o que fatalmente ocorrerá pela  falta de sustentação política, mas desconsidera o fato de que o afastamento de um ministro deveria ser  o primeiro passo no sentido de se provocar uma  reforma estrutural  no sentido de extinguir os buracos negros   da malversação do dinheiro público. A começar pela atuação das ONGs.

Essas organizações, ditas "não governamentais", paradoxalmente sustentadas   com dinheiro público, transformaram-se em instrumentos fáceis  para a captação de recursos que, entre outras destinações  ilícitas  e duvidosas, vão alimentar os caixas  de partidos e campanhas políticas, e enriquecer  políticos e pessoas diretamente envolvidas na manipulação desses   recursos.

Entre 2004 e 2010, entidades sem fins lucrativos receberam R$ 23, 3 bilhões do Governo Federal. Parte desse montante teve destinação correta, mas outra parte  se perdeu em contratos firmados por governos e ONGs, sem nenhuma fiscalização  ou controle sobre a aplicação dos valores.

Na outra ponta dessa pouco edificante história, estão os partidos políticos, que não se satisfazem com as generosas verbas do Fundo Partidário, que a legislação brasileira lhes possibilita, e inventam outras  maneiras de se apropriar de fatias maiores do bolo orçamentário, e, assim, sangrar mais ainda o contribuinte.

Um dos atores principais do atual imbróglio, o Partido Comunista do Brasil ( PcdoB) há muito mandou  às  favas a aura ideológica que em décadas passadas o fazia seguidor das estultices emanadas pelo camarada Mao Tse-Tung da China e admirador do modelo econômico imposto à Albânia   pelo camarada  Enver Hoxha. Como se sabe, dois totalitarismos  responsáveis pela morte de milhões de pessoas.

Do velho Partido Comunista do Brasil, hoje resta o anacrônico nome, nenhum resquício ideológico, mas a mesma vontade de se alimentar dos cofres do Estado  com a pragmática intenção de fortalecer a sigla e  enriquecer os seus correligionários. Atrelado ao PT, a sigla cresceu, apareceu e se acomodou no poder. Nos oito anos e meio da administração petista, multiplicou o número de parlamentares e de prefeitos, adquiriu nacos do poder federal,  e hoje  parece  longe do partido que, antes da ascensão de Lula, se limitava a controlar algumas entidades estudantis e meia dúzia de sindicatos.

A presidente Dilma Rousseff, que nos episódios anteriores envolvendo as pastas da Agricultura, dos Transportes e do Turismo, parecia não compactuar com a corrupção, no caso presente  não demonstra  a mesma disposição. Mas o simples afastamento de Orlando Silva, embora necessário, pouco significado terá  se não vier acompanhados de decisões estruturais que coloquem um fim na  sangria dos cofres públicos, provocada por gestores fraudulentos. Será  preciso, portanto, ir muito além. Para começar, que partidos políticos e ONGs, por exemplo, sobrevivam com seus próprios recursos e não com dinheiro tomado dos contribuintes.
24/10/11

4 comentários:

Anônimo disse...

Não é possível que os deputados de brasília ficam fazendo luzes nas cameras de televisão e recusem á votar leis duras para corruptos! será que todo congresso esta podre em corrupção, dó DEUS tem piedade dessas criaturas! VIVA O BRASIL !!!

Rosena disse...

Muitos podres desse minisro vão aparecer. Qto mais tempo ele ficar mais sujeiras vao aoarecer.D Dilma que se cuide, ela não tem o santo forte do sapo barbudo. O melhor para ela e demitir o mnistro sujo antes que elea tb se suje,

Zola disse...

A presidenta Dilma tem que demitir o ministro dos esportes o mais rápido possível, por que novas denúncias virão e com isso o seu governo ficará prejudicado no tocante a sua popularidade.O novo ministro dos esportes deve ser alguem do ramo de esportes para inibir a corrupção como Pelé,Zico e outros.Se botar politico vai trocar seis por meia duzia.

Aquino disse...

Demorou muito no poder esse Orlando Silva.depois daquela história dos cartões corporativos já devia estar no olho da rua há muito tempo, mas o Lula resolveu segurar mais um…Agora que Lula não manda mais nada…
Sds