segunda-feira, outubro 03, 2011

FAZENDO O ELEITOR DE OTÁRIO

Previa-se  que com a vigência da lei, esse mau costume fosse definitivamente extinto de nossa cultura política. Mas no país onde para cada nova lei criada se inventam mil maneiras de burlá-la, não seria essa a primeira a ser respeitada. Não se esperava, entretanto, que o desrespeito tivesse a dimensão capaz de alterar a relação de forças entre governo e oposição, como a provocada pela criação do novo partido, liderado pelo prefeito Gilberto Kassab, de São Paulo.
FAZENDO O ELEITOR DE OTÁRIO
A Lei de Fidelidade Partidária, recentemente aprovada no Congresso, foi instituída com o nobre propósito de evitar a migração injustificada de políticos de um partido para  outro, durante a vigência dos mandatos para o quais  foram eleitos. Chegava às raias da indecência a quantidade de parlamentares que mudava  de partido como se troca de camisa. Alguns não se acanhavam de passar de um partido a outro duas, três e até mais vezes durante o  período de quatro anos, deixando evidente o oportunismo e a irresponsabilidade e o total desprezo em relação ao  eleitor.   

Previa-se  que com a vigência da lei, esse mau costume fosse definitivamente extinto de nossa cultura política. Mas no país onde para cada nova lei criada se inventam mil maneiras de burlá-la, não seria essa a primeira a ser respeitada. Não se esperava, entretanto, que o desrespeito tivesse a dimensão capaz de alterar a relação de forças entre governo e oposição, como a provocada pela criação do novo partido, liderado pelo prefeito Gilberto Kassab, de São Paulo.

Passando acintosamente sobre a Lei de Fidelidade Partidária, e contando com a cegueira da Justiça Eleitoral, o prefeito de São Paulo, eleito pelo DEM, criou o seu próprio partido, sob a suspeita de ter se alicerçado em assinaturas falsas de eleitores fantasmas e pessoas falecidas. Utilizando-se oportunisticamente da histórica sigla PSD, o partido de Kassab, para a alegria de Dilma, Lula, e Zé Dirceu,  provocou um rombo significativo na já enfraquecida oposição, ao lhe subtrair alguns governadores, senadores, deputados e prefeitos. O maior prejudicado foi o Democratas, mas o PSDB também contabilizou algumas baixas. Mas quem mais perdeu, sem dúvida, foi o eleitor.

Nas duas últimas eleições, muitos  eleitores foram às urnas motivados, dentre outros, pela vontade de escolher candidatos  em razão de  seu discurso antigovernista, ou por pertencerem a partidos de  oposição. Esses mesmos eleitores, com justa razão, se sentem agora traídos quando alguns dos  eleitos abandonam os seus partidos e se transferem para a nova sigla,  que se declara "independente" mas  não consegue esconder a sua real  simpatia pelo governo.

A criação do PSD aumentou para 28 o absurdo número de siglas partidárias no Brasil. A maioria delas  sem tradição, sem  vínculo com setores da sociedade e com total carência de programas,valores, princípios ou idéias que as façam parecer um partido político de verdade. Não passam de meros arranjos políticos sob as ordens de meia dúzia de   caciques, e cuja principal ação se resume a negociar cargos e vantagens em troca de subserviência ao governo federal. O PSD de Kassab se apresenta como mais um participante dessa grande negociata. Nessa história, os eleitores mais uma vez fizeram papel de otários.
021011

2 comentários:

Gil disse...

Podem anotar aí: após a primeira eleição que este PSD participar, já estará envolvido em escândalos. É um partido novo com pessoas velhas.

Reinaldo disse...

POis é , Gil.Se o PSD aceitar aliar-se ao governo e apoiadores, receberá, naturalmente um Ministério e algumas estatais. Abre-se o caminho para o partido sentir-se aliado à queles que já se encontram em elevado grau de corrupção.