segunda-feira, outubro 10, 2011

AUXÍLIO INJUSTIÇA

Foi grande a repercussão em torno do discurso que o senador de Rondônia Reditario Cassol (PP), pai e suplente de Ivo Cassol, fez contra os benefícios legais concedidos pelo governo brasileiro aos familiares de criminosos recolhidos no sistema prisional em todo o país.



O auxílio-reclusão, alvo de sua crítica, prevê uma mensalidade no valor de R$ 862,60 para a família de quem cumpre pena sob regime fechado ou semiaberto.


Deixando de lado a forma rude e até destemperada com que o político tratou do tema e a falha em recomendar o chicote em vez do benefício governamental para o preso, o momento é mais do que oportuno para que a sociedade rediscuta o assunto e questione se esse desembolso de dinheiro público é mesmo justificável diante dos cidadãos que levam a vida se pautando em conceitos de honestidade.



A mudança do Código Penal proposta por Cassol deve, sim, ser tratada com mais seriedade pelos representantes da sociedade, afinal, imagino que seja incompreensível para um trabalhador que nunca teve o nome sujo na praça e que leva uma vida se preocupando com a dignidade (dele e das pessoas que o cercam) chegar ao fim do mês com um salário menor do que a "ajuda" garantida à mulher de um assassino.


Entidades de representação dos direitos humanos podem até apresentar inúmeras justificativas para a concessão do tal benefício, aliás, para não desafiar o politicamente correto, talvez seja até melhor para os políticos manter tudo como está, mas, na prática, qual é a compensação para as vítimas desses mesmos criminosos? Algum benefício como o auxílio-reclusão é concedido para o filho de uma vítima de um impiedoso homicida?


Há, sem dúvida, uma inversão no campo ético. Quem mata, rouba, estupra ou trafica acaba sendo beneficiado pelo atual sistema.


A discussão é bem mais complexa do que possa parecer. É preciso levar em conta a vida de milhares de crianças afetadas pela prisão do pai, o estado de miséria da maioria dos parentes de criminosos brasileiros e a possibilidade de milhares de outras pessoas, afetadas pelo comportamento inadequado de um parente, também mergulharem no mundo do crime.


Porém, pagar R$ 540 para um trabalhador e mais de R$ 800 para um criminoso é inadmissível. O bom senso deve predominar. A família do infeliz que colocou tudo a perder deve ser amparada mais por projetos de inserção social e de qualificação profissional do que pelo dinheiro vivo, sem esforço e suor. É preciso que a criança que está crescendo nesse ambiente não conclua que o crime que seu pai cometeu irá lhe garantir a esmola no fim do mês. Do jeito que a coisa está, o que prevalece é o sentimento de que o crime, seja ele de que modalidade for, acaba compensando.


Heron Guimarães

3 comentários:

Suely disse...

Estou curiosa em saber se também os dependentes da vítima, que caso tenha vindo a falecer ou tenha ficado inválida, também teria direito a algum tipo de auxilio por parte do INSS.

Se alguem puder me responder agradeço.

Anônimo disse...

ROUBAR E MATAR JAMAIS PODERIA SER REQUISITO PRA RECEBER QUALQUER BENEFÍCIO QUE SEJA.
NÃO FOI UM ACIDENTE OU A IDADE AVANÇADA QUE IMPOSSIBILITOU O CRÁPULA DE TRABALHAR, FOI O CRIME COMETIDO QUE FEZ COM QUE ELE NÃO TIVESSE MAIS CONDIÇÕES DE TRABALHAR.
ENQUANTO O BRASIL CONTINUAR TRATANDO BANDIDOS COMO SE FOSSEM COITADINHOS E AINDA DAR DINHEIRO PRA ELES, PODE TER CERTEZA QUE SEREMOS UM PAÍS DE 3º MUNDO PRA SEMPRE.

Aderleth disse...

A solução realmente é a inserção social e qualificação profissional, pois como no Brasil não existe prisão perpetua, muito menos pena de morte...Um dia este indivíduo volta para a sociedade...