segunda-feira, setembro 26, 2011

O CAMINHO MAIS FÁCIL

Ao apelar para a criação de mais um imposto, o governo do PT revela a sua indisposição em  cortar na própria carne, e, dessa forma, contrariar um dogma que faz parte da  essência do partido: o de que governar é tomar dinheiro dos que produzem, para alimentar um número cada vez maior de parasitas do Estado. 
O CAMINHO MAIS FÁCIL
O fato de o PT ter votado pela criação de um imposto específico para financiar a Saúde não surpreende aqueles   que acompanham a história do partido de  Lula. Esses não desconhecem o fato de que o partido  sempre fez do   aumento de impostos , sob o pretexto de resolver as graves questões sociais,  uma bandeira de governo. Por isso, não causa estranheza o fato de que o governo petista recorra ao caminho mais fácil quando o quadro da saúde pública se mostra cada vez mais caótico.

O PT está há  quase uma década no poder, e teve tempo e recursos suficientes para implementar um choque de gestão no setor. Se não o fez, ou foi por incompetência, ou porque não quis. É bom lembrar que  a extinta CPMF abarrotou  os cofres do governo com a mesma alegada intenção.Entretanto, a população  que enfrenta filas nas portas dos hospitais e postos de saúde não viu a suposta destinação dos recursos se concretizar  em melhor qualidade no atendimento hospitalar.

Ao apelar para a criação de mais um imposto, o governo do PT revela a sua indisposição em  cortar na própria carne, e, dessa forma, contrariar um dogma que faz parte da  essência do partido: o de que governar é tomar dinheiro dos que produzem, para alimentar um número cada vez maior de parasitas do Estado. A carga tributária - beirando os 40% do PIB - é uma das mais altas e injustas do mundo, pois que não reverte em benefícios para a sociedade.

Não por acaso, quanto mais reclama da falta de recursos para financiar a Saúde, mais difícil se torna explicar ao  grande público o fato de como um país tão carente   num setor tão vital  pode torrar bilhões de reais na promoção de um torneio de futebol.

Recursos para a Saúde não faltariam se o Orçamento da União fosse mais bem administrado. Para isso, estariam os parlamentares dispostos a abrir mão de suas emendas eleitoreiras?Estaria o governo disposto a combater os focos de corrupção, a fechar os ralos do desperdício, e acabar com o empreguismo no setor público? Quem sabe  depois de fazer o dever de casa, tivesse moral para argumentar a favor de um novo imposto.
260911

terça-feira, setembro 20, 2011

A FAXINA É UM MITO

Embora não se deva responsabilizar  exclusivamente o atual governo e o que o antecedeu pela prática do fisiologismo na formação do ministério, pode-se culpá-los por ter levado a tal prática ao extremo do suportável.  O resultado tem sido a escolha de políticos sem o mínimo conhecimento técnico da área governamental que ficará sob a sua responsabilidade.
A FAXINA É UM MITO
Não passa de mito a propalada  faxina que a presidente Dilma Rousseff estaria executando no seu governo. O mito ganhou força tendo em vista as  sucessivas  demissões de ministros por suspeita de envolvimento com esquemas de corrupção e falta de ética. A saída de alguns ministros se deu muito mais pela pressão da mídia e da opinião pública do que por uma ação deliberada da presidente. O principal ator  a provocar o governo nesse sentido  tem sido a imprensa, em especial a revista Veja e o jornal Folha de S Paulo. Com suas seguidas denúncias - todas elas confirmadas -,  tem forçado  a presidente a  agir, sob pena da desmoralização de um governo que mal começou.

É sintomático que a própria Dilma Rousseff tenha se apressado em afastar de si a aura de  paladina da moralidade pública, quando afirmou que o combate à corrupção não é  o objetivo central do seu governo. E de fato não é. Pelo menos enquanto persistir o critério de se entregar aos líderes dos partidos a competência para escolher ministros. A presidente reserva para si os ministérios considerados estratégicos e loteia os demais entre os partidos da base que lhe dá sustentação no Congresso. Quando a disputa se torna acirrada, cria-se do nada um novo ministério para aplacar a fome de algum aliado insatisfeito com a distribuição dos cargos.O resultado desse método tem sido desastroso para o país.

Embora não se deva responsabilizar  exclusivamente o atual governo e o que o antecedeu pela prática do fisiologismo na formação do ministério, pode-se culpá-los por ter levado a tal prática ao extremo do suportável. É fato conhecido que desde a redemocratização do país, em meados dos anos oitenta, o critério que privilegia a competência do escolhido para o cargo  passou a ser irrelevante  na hora da escolha dos membros do primeiro escalão. O resultado tem sido a escolha de políticos sem o mínimo conhecimento técnico da área governamental que ficará sob a sua responsabilidade.

Esse desconhecimento técnico somado ao total desconhecimento pessoal da presidente em relação aos escolhidos, geram uma equipe ministerial sem nenhuma unidade, de baixíssima  qualidade, e com ministros muito mais propensos a prestar vassalagem ao   cacique  que o  indicou para o cargo, do que prestar contas à chefe do executivo. Pode  ser esse o caso do novo ministro do Turismo Gastão Vieira em relação a José Sarney, seu chefe político.

O fato é que por mais que os governistas insistam na existência de certo "espírito republicano" a nortear as ações do atual governo, a prática tem  demonstrado o contrário: a corrupção prolifera e  a presidente reage com timidez apenas quando os fatos extrapolam o limite do suportável.

Se quiser de fato realizar uma faxina e tornar o governo menos volúvel aos desvios de conduta, a presidente tem à disposição a receita que é fornecida por qualquer manual de boa governança: para começar, reduzir drasticamente a quantidade de ministérios e estabelecer o equilíbrio entre os critérios técnico, político e ético na escolha de cada ministro.
200911

terça-feira, setembro 13, 2011

CORRUPÇÃO E CIDADANIA

Manifestações contra a corrupção e pela moralidade pública são bem vindas, mesmo quando marcadas pela falta de objetividade e por  certo grau de ingenuidade, como as que ocorreram na semana passada. Afinal, corrupção no Brasil tem rosto, nome e endereço conhecidos, embora os manifestantes a tenham tratado de modo muito genérico. Ou seja,  ao evitar de  dar nomes aos bois, livrou a cara de notórios malfeitores públicos  e de governos que praticam as malfeitorias.

Neste país, a corrupção pode ser considerada fruto tanto da existência de muita gente disposta a corromper e ser corrompida, quanto de um sistema político e estatal feito sob medida para a  prática da roubalheira generalizada.O Estado brasileiro, como sabemos , sofre de gigantismo  crônico e por isso é extremamente burocratizado, oneroso e gastador. Um convite para que os atos de improbidade se multipliquem longe do alcance da fiscalização.

O nosso sistema político, sustentado na troca de favores entre o governo e os partidos, ou entre o Executivo e o Congresso, é um campo fértil para  o fisiologismo e suas práticas danosas que envolvem propinas e  mensalões, como cansamos de assistir no governo Lula  Mas todo esse quadro seria menos  ruim não fosse a ineficiência do Judiciário, a nos garantir a certeza da impunidade.

Entretanto, nem tudo está perdido. Existe luz no fim do túnel a sugerir que o mal  será reduzido significativamente na medida em que a sociedade se mobilize. Será preciso que a corrupção seja alvo de um choque de cidadania. Para isso, é fundamental que a sociedade se mobilize a forçar a redução do tamanho do estado e fazê-lo agir no sentido de atender às necessidades básicas da população.

A escolha de representantes mais qualificados nos legislativos e nos executivos é outro passo fundamental para reverter o atual quadro de deterioração moral do sistema público. É um trabalho árduo, a ser praticado de maneira lenta, gradual e contínua, e que requer   acentuada melhoria educacional da população, É uma tarefa difícil, mas  não impossível.
120911