terça-feira, agosto 23, 2011

SURDA DISPUTA POLÍTICA

Portanto, ver nas recentes atitudes "moralizadoras"da presidente uma mudança de rota do governo do PT, no campo da moralidade e da ética é perda de tempo. Melhor seria enxergar os recentes acontecimentos sob o prisma político e compreender que se trata dos primeiros lances de uma surda disputa entre Dilma Rousseff e seu antecessor, visando assegurar papel dominante na disputa presidencial de 2014 
SURDA DISPUTA POLÍTICA
A presidente Dilma esboça uma faxina no seu governo motivada pela necessidade de dar uma fisionomia ética à sua administração, ou para se livrar da carga maldita herdada do governo Lula? Simpatizantes do atual governo e até mesmo membros da oposição afirmam tratar-se de um novo estilo de governo, nada complacente com as mazelas e falcatruas, tão bem toleradas por Lula.

De encontro a essa maneira de avaliar o governo, a faxina ética seria bem vinda se fosse além da simples substituição de ministros notoriamente corruptos por outros sobre os quais existem desconfianças. Seria bem vinda , por exemplo, se tocasse no modo como se sustenta o governo, alicerçado sobre uma aliança de partidos fisiológicos, sobre os quais pesam a total falta de escrúpulos, e muita disposição para a chantagem.

Portanto, ver nas recentes atitudes "moralizadoras"da presidente uma mudança de rota do governo do PT, no campo da moralidade e da ética é perda de tempo. Melhor seria enxergar os recentes acontecimentos sob o prisma político e compreender que se trata dos primeiros lances de uma surda disputa entre Dilma Rousseff e seu antecessor, visando assegurar papel dominante na disputa presidencial de 2014.

Como se sabe, a construção do atual governo foi feita por Lula; a candidata foi imposta por Lula; o ministério de Dilma foi escolhido sob os auspícios de Lula. Isso foi arquitetado de tal forma a fazer que o ex-presidente deixasse o governo sem deixar o poder. Sua influência sobre o PT e sobre grande parte dos partidos aliados permanece enorme, e em que pese  as suas declarações em contrário, fica cada vez mais evidente que ele não desistiu do propósito de retomar a cadeira presidencial. Não é por outro motivo que, nas últimas semanas, tem percorrido o país e se dedicado a costurar alianças partidárias cujo objetivo imediato são as eleições de 2012, mas de olho em 2014.

Dilma assumiu a presidência com plena consciência de que se tratava de um mandato tampão. Ao aceitar a candidatura, ficava implícito que sua função nos próximos quatro anos seria a de guardar lugar para que o líder máximo retornasse em triunfo para o seu terceiro mandato. Uma vez no governo, Dilma deve ter se convencido de que o que não está escrito não precisa ser cumprido. Agora tenta agora traçar a sua própria linha de ação, impor o seu próprio estilo e marcar as diferenças entre ela e o seu padrinho. Nesse sentido, as seguidas denuncias de corrupção num ministério que não é inteiramente de sua responsabilidade vêm a calhar.

Ao criar uma imagem de governante ética, intransigente com a corrupção, e disposta a fazer um governo transparente, Dilma Rousseff mata dois coelhos com uma só cajadada. Primeiro, se diferencia do modo de Lula governar, quando deixa parecer que pretende ser dura com a corrupção, quando Lula foi tão conivente; segundo, tem a grande chance de, ao trazer para o ministério nomes de sua confiança, afastar a influência do antecessor sobre o seu governo, impor o seu próprio estilo de governar e ter controle sobre a sucessão presidencial de 2014.
230811


2 comentários:

Anônimo disse...

Dilma pode estar tramando o pulo do gato e passar rasteira no seu criador. Mas Lula é esperto e ela vai acabar se dando mal.A turminha do Congresso adora o estilo de Lula. liberação de verbas, cargos mil para a companheirada e vista grossa para a corrupção. Se Dilma tentar endurecer não vai longe.

Ildo disse...

Não acho que esteja havendo uma disputa entre Dilma e Lula. Dilma só agiu no caso dos ministros por pressão da op. Por ela os caras continuariam nos seus cargos.