terça-feira, agosto 30, 2011

DESNORTEADA E ENFRAQUECIDA

Ao longo dos últimos anos, permaneceu a reboque das marchas e contramarchas do governo, e não soube impor  a própria agenda, talvez pelo simples motivo de que ela nunca tenha existido. Em conseqüência, o discurso oposicionista  ficou vazio e nunca conseguiu convencer o grande público, como demonstram os resultados das últimas eleições presidenciais.
Enfraquecida e Desnorteada


A oposição partidária está desnorteada, esvaziada e enfraquecida. Reduzida no Congresso a quatro partidos - PSDB, DEM, PPS e PSOL - não consegue se entender sobre uma pauta unificada de combate às políticas e às mazelas do governo, e se vê sufocada por uma enxurrada de medidas provisórias. Ao longo dos últimos anos, permaneceu a reboque das marchas e contramarchas do governo, e não soube impor a própria agenda, talvez pelo simples motivo de que ela nunca tenha existido. Em conseqüência, o discurso oposicionista ficou vazio e nunca conseguiu convencer o grande público, como demonstram os resultados das últimas eleições presidenciais.

Enquanto isso, o governo petista, partindo da estabilidade econômica herdada dos que agora estão na oposição, abandonou de vez qualquer pudor ideológico, e mergulhou fundo no mais desavergonhado populismo. Pragmáticos, Lula e sua turma fizeram alianças com Deus e o diabo, mitificaram a figura do líder, e empreenderam uma série de práticas de cunho assistencialista, e com enormes doses de oportunismo eleitoral. Tudo ancorado numa intensa propaganda oficial. O resultado foi altamente vantajoso para o projeto de perpetuação do partido no poder, uma vez que caminha para completar o nono ano seguido no governo da República.

Nas duas últimas eleições em que foi derrotada - com Alckmin,em 2006 e com Serra, em 2010 - faltaram aos candidatos oposicionistas o senso de oportunidade e a contundência nas críticas ao jeito petista de governar. Ao assistencialismo social, aparelhamento do Estado e elevada carga tributária, que marcaram os oito anos de Lula, os candidatos tucanos poderiam ter respondido com propostas efetivas de reforma educacional, reforma tributária e reorganização do Estado. Mas permaneceu passiva ante o festival de demagogia eleitoral, e ainda engoliu calada as críticas do PT às privatizações do período tucano.

Paradoxalmente, a arquitetura de poder que agora estrangula a oposição, foi herdada do governo de FHC. Ela se baseia num sistema de alianças em que o partido hegemônico - no caso, o PT - estabelece acordos de caráter predominantemente fisiológico com partidos menores, no sentido de garantir a chamada governabilidade. A governabilidade tanto pode significar o apoio pontual às medidas do governo no Congresso quanto o propósito de perpetuação do poder. Para isso, a moeda de troca são os milhares de cargos federais e os milhões em verbas do orçamento.

Tal sistema é extremamente atrativo para políticos com pouco apreço a idéias, programas e partidos, e extremamente árido para os que insistem em permanecer na oposição. Não por outro motivo, muitos políticos eleitos pela oposição não se envergonham de trair o seu eleitorado e pular a cerca para o lado do governo. Exemplo dessa atitude, foi a criação pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, de um novo partido, cujo único propósito conhecido é o de apoiar o governo federal em troca das conhecidas benesses.

Mas não se deve culpar apenas o rolo compressor governamental pela tibieza da oposição. A ausência de líderes autênticos e a falta de projetos consistentes acentuam ainda mais o seu caráter pouco expressivo.

Os nomes não mudam. Derrotado em duas oportunidades, José Serra se apresenta novamente como pré-candidato às próximas eleições presidenciais. Por seu turno,Aécio Neves acha que agora é a sua vez, e se anuncia como político da renovação. Mas não consegue convencer.

Se o PSDB e os demais oposicionistas não criarem vínculos consistentes com as organizações civis, e não compreenderem os reais anseios de uma sociedade heterogênea que, por um lado, se moderniza cada vez mais e, por outro, continua mergulhada na ignorância e no atraso, fica difícil desbancar o PT e alcançar o poder.

300811

Um comentário:

J Carlos disse...

Qdo era oposição a camarilha petista botava pra quebrar. É só lembrar os tempos das greves infidáveis promovidas pela CUT, das invasões de terras produtivas feitas pelo MST. Tudo sob orientação de Lula, Zé Dirceu e cia. Mas parece que valeu a pena para eles, pois estão no poder. Quando é que os tucanos vão aprender a fazer oposição?