segunda-feira, julho 04, 2011

POLÍTICO DE SORTE

Com certeza, Itamar Franco não foi o exemplo de estadista que tentam nos fazer acreditar, após a sua morte. Mas também não foi um político menor. Contemplado pela generosidade da História, soube fazer bom uso das oportunidades que teve. Não houvesse outros motivos, bastaria o fato da  estabilização da economia para colocá-lo no patamar  dos políticos  mais decisivos das últimas décadas.


O político Itamar Franco foi mais longe do que talvez esperasse o cidadão Itamar Franco. Polêmico, temperamental, instável e teimoso, Itamar teve uma presença na História da República bem maior do que poderia prever o jovem prefeito de Juiz de Fora no final dos anos sessenta. O senador mineiro falecido no último sábado foi, ao longo de sua carreira, generosamente bafejado pela sorte e favorecido pelas circunstâncias políticas.


Sua candidatura ao Senado, em 1974, se deu porque o candidato natural ao cargo, Tancredo Neves, se recusou a sê-lo, pelo temor de desagradar os militares que comandavam o país. Em 1989, foi candidato à vice-presidência porque Fernando Collor precisava de um político de Minas para compor a chapa, e não havia outro disponível. Com a renúncia de Collor, a presidência lhe foi atirada no colo. Felizmente, soube fazer bom uso dela.


Na presidência, após a escolha e a demissão de alguns ministros da Fazenda, acertou na escolha de Fernando Henrique. O país estava mergulhado na hiperinflação, e o novo ministro projetou e gerenciou todo o processo que resultaria no Plano Real. Itamar, pouco versado em economia, teve o mérito de não interferir,e, ao final, dividiu com o seu ministro os méritos da vitória.


Muitas vezes vítima de injusto preconceito, Itamar era visto por parte da mídia, especialmente a de São Paulo, como um político fraco, ingênuo e desinformado. Parte do preconceito se justificava por algumas bizarrices que marcaram o seu estilo. O renascimento do Fusca,em 1993, o flerte com uma modelo sem calcinha no carnaval de 1994, a declaração da moratória da dívida do Estado com a União, e a mobilização da PM mineira para defender Furnas da privatização, quando governador de Minas, foram algumas marcas desse modo atípico de ser e de governar.


Com certeza, Itamar Franco não foi o exemplo de estadista que tentam nos fazer acreditar, após a sua morte. Mas também não foi um político menor. Contemplado pela generosidade da História, soube fazer bom uso das oportunidades que teve. Não houvesse outros motivos, bastaria o fato da estabilização da economia para colocá-lo no patamar dos políticos mais decisivos das últimas décadas.

040711

Um comentário:

Ronald disse...

Itamar pegou um pais devastado, como herança, uma estrutura de corrup-ção no governo criada por Sarney, um quadro politico degra-dado pelas burra-das do Collor, e uma inflação de 1000% ao ano. Lembro-me dele peit-ando o ban-dido ACM, que queria criar instabilidade no país, sem duvida entrou para a história pelas portas da frente!!!