terça-feira, julho 26, 2011

MUITO JOIO E POUCO TRIGO


O problema é que Lula deixou muito joio e pouco trigo para Dilma. Os ministérios são como feudos medievais, cada um sobre controle de um partido da base de apoio. Mexer em cada um deles é como pôr a mão em vespeiro. Cada partido se julga proprietário de seu pedaço, e, quando confrontados, partem para a chantagem explícita,  ameaçam aderir à oposição e dificultar a ação do governo no Congresso, como faz agora o PR, que teve 17 pessoas afastadas, no Ministério dos Transportes,no Dnit, e na Valec.

MUITO JOIO E POUCO TRIGO
A presidente Dilma Rousseff herdou do antecessor uma carga muito pesada, da qual encontra dificuldades para se livrar. Ao assumir o governo, ela o fez com uma estrutura político-admisnistrativa arquitetada por Lula, com seus vícios e mazelas. Em nome da continuidade, o então presidente impôs à sua sucessora o continuísmo, ou seja,  a permanência de partidos, políticos e auxiliares nos principais postos da República.

Provavelmente, o que Lula não esperava fosse que seus protegidos mostrassem o lado obscuro de suas vidas públicas tão cedo. Primeiro, foi Antonio Palocci, colocado no palácio como "braço-direito" da nova presidente, mas de fato como homem de confiança de Lula no novo governo. Em pouco tempo na chefia da Casa Civil, foi revelada a sua até então desconhecida vocação como lobista de grandes empresas e multiplicador de patrimônio. Em seguida, o ministro Alfredo Nascimento e toda cúpula do Ministério dos Transportes  tiveram expostas toda a sua habilidade para superfaturar obras e cobrar propinas.Agora, é a vez do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, outra herança do governo Lula, ser cobrado a dar explicações sobre a existência de um propinoduto na Agência Nacional de Petróleo( ANJ).

Muitos especulam que as complicações no governo Dilma, causadas por ministros e auxiliares herdados de Lula , tenha sido o principal motivo de o ex-presidente ter voltado ao palco tão cedo.Como se sabe, o ex-presidente tem aparecido mais do que a própria presidente. Nas últimas semanas, com a desenvoltura de sempre, compareceu nos congressos da UNE, em Goiânia, e da União Geral dos Trabalhadores, em São Paulo. Visitou também os estados de Pernambuco e Bahia, onde manteve rotina parecida com a de um candidato, segundo os jornais. Nessas viagens, entre muitas bobagens ditas, defendeu a permanência do PR no governo, "desde que separado o joio do trigo".

O problema é que Lula deixou muito joio e pouco trigo para Dilma. Os ministérios são como feudos medievais, cada um sobre controle de um partido da base de apoio. Mexer em cada um deles é como pôr a mão em vespeiro. Cada partido se julga proprietário de seu pedaço, e, quando confrontados, partem para a chantagem explícita,  ameaçam aderir à oposição e dificultar a ação do governo no Congresso, como faz agora o PR, que teve 17 pessoas afastadas, no Ministério dos Transportes,no Dnit, e na Valec.

Lula procura a ribalta porque não quer que os fatos negativos do governo Dilma,sobre os quais  tem grande responsabilidade, se sobreponham ao seu alegado carisma.Acredita também que a sua propalada imunidade aos escândalos somente será mantida pela força de sua popularidade, possível somente pela insistente presença sob os holofotes da mídia. Finalmente, Lula não deixa o palco porque não quer que Dilma se afunde tanto que leve consigo o "patrimônio" ,por ele construído em oito anos de mandato, mas também não quer que ela brilhe a ponto de ofuscar o seu próprio brilho e impedi-lo de voltar à presidência em 2014.

Mas Dilma não tem do que reclamar, já que foi um dos principais protagonistas do governo passado e assumiu a candidatura ciente das condições em que se daria o seu governo. Mas terá muito que fazer, se quiser de fato se livrar da carga negativa deixada por Lula e construir um governo com a sua própria cara. A demissão da cúpula do ministério dos Transportes sinaliza positivamente na direção desse propósito. Afinal, o que Dilma não deve temer são as ameaças de partidecos.Eles não sabem viver na oposição; se a cereja do bolo não for alcançável, se contentam com as migalhas.
260711

3 comentários:

Torres - Uberlandia disse...

A elitizinha sem vergonha e arrogante nao se conforma com o sucesso de Lula. Lula melhorou a economia e nao se esqueceu dos pobres com uma série de programas sociais bem sucedidos. Ele tem todo o direito de , como ex presidente participar da política do país. E pelo sucesso de seu governo tem todo o direito de novamente se candidatar. A oposição frustrada inventa uma suposta briga entre Lua e Dilma que nao existe. O que existe é que a oposição vai perderr mais uma vez em 2014.

Clara disse...

Perfeito seu post. Não sei como tem pessoas que ainda bajulam e acreditam no sapo barbudo.Ele deu "migalhas" aos pobres e "milhões" para os banqueiros, para seus filhos,para amigos e para si.

Anônimo disse...

Lula construiu sua popularidade distribuindo bolsas e aumentando crédito à população, que hoje está endividada. A economia do Brasil não suportará qualquer crise econômica. Cadê o nosso petróleo? Hoje a Petrobas não dá conta nem de refinar petróleo para atender o consumo interno e está importando gasolina mais cara que o preço interno. Ofereceu excessivo crédito que girou a economia. Todos faturaram, mas faltou investimento estrutural. Cadê estradas? Cadê portos? Cadê ferrovia? Cadê aeroportos? Nem se que se preocuparam em aumentar o processamento de petróleo ou expandir a produção de álcool para atender a demanda do mercado de veículo. Só roubalheira. É o governo mais corrupto que já vi. Desviam verbas públicas sem qualquer pudor. Cadê aquele PT preocupado com a situação dos pobres trabalhadores? Se estivessem tão preocupados não desviavam tanto recursos públicos. Falta-lhes vergonha na cara. Mas esse sistema não pode durar muito tempo. Não se sustenta. Embora o Lula e seus vão culpar os gringos, como sempre. E o povo? Bem, o povo vai acreditar...