segunda-feira, junho 20, 2011

O PREÇO DO CIRCO

O Brasil tem passado pelo constrangimento de assistir aos mandatários da FIFA censurar o ritmo das obras, cobrar celeridade e opinar sobre a péssima situação dos aeroportos, vias de acesso e meios  de comunicação e de transporte, sob o silêncio subalterno do governo brasileiro, representado pelo ministro dos Esportes, Orlando Dias. A soberania brasileira duramente conquistada no século XIX parece de repente posta em dúvida por meia dúzia de dirigentes de reputação duvidosa, conforme atestam as denúncias da imprensa européia a respeito do presidente da FIFA, Joseph Blatter.

O PREÇO DO CIRCO


O governo brasileiro jamais deveria ter se responsabilizado pela promoção dos dois maiores eventos esportivos mundiais. Não se sabe se motivado por uma incontrolável vaidade pessoal do presidente, pela vontade de mostrar que o Brasil pode se ombrear com as maiores potências, pelo desejo de angariar a gratidão eleitoral das massas, que adoram eventos desse tipo, ou se por todos esses motivos, o fato é que Lula fez o Brasil assumir o risco.



E que risco! Não bastassem as imensas carências no plano social, e a infra-estrutura precária, não solucionadas nos dois sucessivos mandatos de Lula, o governo se dispôs a jogar milhões do nosso orçamento na construção de estádios, sistemas viários e hoteleiros, que, ao fim e ao cabo,pouca serventia terão nos anos subseqüentes aos da realização dos jogos.



Tivesse o nosso país tradição em planejamento, organização e cumprimento de metas, poderíamos realizar as duas gigantescas tarefas com o mínimo de prejuízo para o erário ,mas sem o temor de um vexame de proporções mundiais. Mas o que se anuncia é justamente o inverso: todos os projetos de construção e reforma de estádios, obras de infra-estrutura, ampliação dos aeroportos, construção de hotéis e modernização do sistema de transportes estão incrivelmente atrasados, levando a crer que, ao final de tudo, o Brasil terá que atestar a sua incompetência para a promoção de eventos desse porte.E uma incompetência de alto custo.



Ao anunciar, entre salva de fogos, que o Brasil havia conquistado o direito de sediar o Mundial de Futebol, para a qual nenhum outro país se dispôs a candidatar, foi anunciado que a iniciativa privada bancaria o evento e nenhum centavo de dinheiro público seria empregado, exceto na remodelação de estádios públicos, como o do Maracanã, por exemplo. Os críticos do governo foram tratados com desprezo digno aos traidores da pátria. Passada a euforia inicial, a realidade cada vez mais dá razão aos que se colocaram contra a decisão de Lula e sua turma.



O Brasil tem passado pelo constrangimento de assistir aos mandatários da FIFA censurar o ritmo das obras, cobrar celeridade e opinar sobre a péssima situação dos aeroportos, vias de acesso e meios de comunicação e de transporte, sob o silêncio subalterno do governo brasileiro, representado pelo ministro dos Esportes, Orlando Dias. A soberania brasileira duramente conquistada no século XIX parece de repente posta em dúvida por meia dúzia de dirigentes de reputação duvidosa, conforme atestam as denúncias da imprensa européia a respeito do presidente da FIFA, Joseph Blatter.



Incapazes de promover o grande espetáculo de forma digna, transparente e correta, nossos governantes resolveram aderir subalternamente aos ditames da FIFA e da CBF, e, dessa forma, começam a promover um ataque aos cofres públicos da forma mais desavergonhada possível. Nesse sentido, a construção do estádio do Corinthians - o "Itaquerão" -, que possibilitaria à cidade de São Paulo sediar a abertura da Copa, é emblemático.



Inicialmente, o estádio do Morumbi havia sido anunciado como a sede da abertura da Copa. Uma alteração nos valores para a reforma do estádio e uma briga entre o presidente do São Paulo e da CBF tiraram o estádio do páreo, e o Corinthians se ofereceu para construir o "seu"estádio com recursos...públicos. O prefeito de São Paulo e o governador Alckmin se pontificaram a ajudar o clube paulista com dinheiro do contribuinte e promoveram uma inusitada isenção fiscal que até o momento não conseguiu fazer com que as obras fossem além da terraplanagem.



No plano federal, a lentidão das obras moveu a presidente Dilma Rousseff a editar uma medida provisória, aprovada na semana passada pela Câmara dos Deputados, que torna mais "célere" e menos transparente as licitações. A MP permite que os orçamentos das licitações para a realização de obras não sejam publicados , o que é uma autorização expressa para que a farra com recursos públicos se faça livre, secreta e impunemente.



A presidente nega, os ministros , governadores e prefeitos envolvidos desmentem, mas o fato é que o Brasil está a caminho de praticar um dos maiores absurdos de sua História, onde não faltarão desvio de recursos, superfaturamento, corrupção, quebra dos padrões legais de financiamento e investimento, resultando em obras inacabadas ou de qualidade duvidosa.



Tudo por culpa da vaidade sem limites de um governante megalomaníaco.Se JK entrou na História pela construção de Brasília, e os governos militares quiseram ser lembrados pelas obras faraônicas construídas no período ditatorial, Lula quis ficar marcado como o presidente que "deu" ao "seu"povo dois megaeventos esportivos. E nós vamos pagar o altíssimo custo de todo esse circo.

200611

2 comentários:

Reinaldo disse...

Amigo Fernando, não se preocupe. Aqui o Ministério Público é atuante, o Congresso é fiscalizador, a Justiça é ativa, o povo está atento. Dizer que vai haver roubalheira na preparação da Copa é muito pessimismo.

Anônimo disse...

Meu Caro Fernando,
Se compararamos a integridade moral dos dirigentes da FIFA à dos governates do Brasil,tudo é possível. O circo está armado e povo só serve mesmo para aplaudir.