segunda-feira, junho 06, 2011

FAZENDO POUCO DE NOSSA INTELIGÊNCIA

A razão para tal comportamento é a cultura da impunidade que impera no Brasil. Aliado à ignorância e à má fé de muitos eleitores, possibilita que criminosos e corruptos que infestam a atividade pública permaneçam impunes, e , mais do que isso, voltem à cena pública  com força igual ou maior do que a passagem anterior.



O ministro Antonio Palocci faz pouco de nossa inteligência. Com exceção dos bajuladores de sempre, dos sectários e dos inocentes úteis que o elegeram deputado federal , mesmo após as denúncias de tráfico de influência e quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo, não existe quem tenha acreditado na explicação que ele deu ao Jornal Nacional, na tentativa de justificar o seu fenomenal enriquecimento em quatro anos.A única atitude aceitável teria sido a abertura dos contratos ,o detalhamento das atividades exercidas, dos clientes que o contrataram, e do valor de cada contrato. Nada menos do que isso.

Mas o ministro preferiu tergiversar sobre o fato de que tal multiplicação se deu em virtude do encerramento das atividades de sua empresa de consultoria, no final de 2010. Seus clientes teriam antecipado o pagamento dos serviços prestados, e a conta bancária do sortudo ministro ficou abarrotada. Tudo assim: simples e fácil.

E falso. A se acreditar na declaração de Palocci, ele é uma das raríssimas pessoas a ter clientes tão prestimosos, a antecipar dívidas que somente venceriam dois ou três anos adiante: no Brasil real, a maioria dos credores sua a camisa para ter seus créditos quitados com presteza.

Mais ainda, é inusitado que um consultor tão eficiente tenha decidido retornar ao serviço público onde os salários , comparados aos rendimentos obtidos pelo ministro na iniciativa privada são infinitamente inferiores. Os ganhos legais, bem entendido.Terá sido por uma extraordinária vocação à causa pública? Ou por um incontrolável sentimento de amor aos pobres e desvalidos? Quem quiser que acredite nessa balela.

O fato é que, entra ano, sai ano, e políticos são denunciados por toda sorte de malfeitorias. A primeira reação é fingir que não é com eles; a segunda, é se fazerem de vítimas de perseguição política; a terceira, é se aferrarem ao cargo como se fosse propriedade sua. Quando a situação fica insuportável, renunciam se afastam temporariamente da cena política, mas voltam depois como se nada de grave houvesse ocorrido. José Sarney, Renan Calheiros, Fernando Collor, José Genoino, Paulo Maluf, o próprio Antonio Palocci estão aí, arrotando poder, e não me deixam mentir.

A razão para tal comportamento é a cultura da impunidade que impera no Brasil. Aliado à ignorância e à má fé de muitos eleitores, possibilita que criminosos e corruptos que infestam a atividade pública permaneçam impunes, e , mais do que isso, voltem à cena pública com força igual ou maior do que a passagem anterior. Palocci deixou o ministério da Fazenda por mau comportamento, e, quatro anos depois, retornou ao governo num cargo menos visível - a chefia da Casa Civil - ,porém, politicamente mais estratégico.

Dilma e Lula talvez estejam estudando uma saída honrosa para o amigo de fé e irmão camarada. Mas tal saída não existe. Palocci deve ser imediatamente afastado e responder na Justiça pelos pecados cometidos nessa miscelânea entre interesses privados e públicos. Quanto mais demorar no cargo, menores as possibilidades de Dilma Rousseff exercer as atribuições da presidência, sem estar refém das chantagens do PMDB e sob a tutela de Lula. Um péssimo começo para uma governante que pretende ficar, no mínimo, mais 43 meses no cargo.

060511

6 comentários:

Zilda disse...

Vc tem razão, eles zombam da nossa inteligência. Esse país precisa de políticos com mais v.ergonha na cara ! No Japão uma simples suspeita, leve o politico em questão a cometer o s.uici.dio. Aqui deixam a poeira baixar e voltam a fazer parte do governo. O lobo perde o pelo mas não perde o vício". Sábias palavras.

Chora Tucano disse...

O PGR arquivou o processo contra Palocci. Os tucanos e os demos estão procurando chifre em cabeça de cavalo e não vão encontrar.

Anônimo disse...

PROCURADOR SOB SUSPEITA
O PSDB vai pedir que o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) declare a suspeição do procurador-geral Roberto Gurgel, que arquivou o pedido de investigação do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. O partido alega que, como Gurgel aguarda ser reconduzido ao cargo pela presidente Dilma Rousseff para um novo período de dois anos no cargo, há um interesse direto do procurador em poupar o principal ministro do governo, cujo patrimônio cresceu de forma suspeita nos últimos cinco anos. O mandato atual de Gurgel se encerra em 22 de julho.VEJA ON LINE

Paulo disse...

É evidente que deram uma pressão nesse Gurgel. Procurador Gerla da república ser nomeado pelo presidente o torna imparcial. Gurgel fez o que o governo esperava dele.

Sidney disse...

Estamos vivendo um Pais de mentira, o judiciario onde tinhamos que confiar nossas esperanças. perdeu sua finalidade sao todos comprados, aonde vamos nos agarar para nos livrar mos desta gente do PT

Rosena disse...

Olá Fernando, esta eu pesquei no blog do Reinaldo Azevedo. Ele resumen bem essa decisão do Procurador.
"Se a negativa do procurador-geral de investigar uma determinada questão passa a funcionar como atestado de bons costumes e prática saudável, não tardará, e serão os próprios governistas — de qualquer governo — a recorrer céleres à Procuradoria com representações um tanto ligeiras para receber um “nada consta” e sair exibindo por aí.

Nessa hipótese, a procurador-geral da República se transforma no inocentador-geral da República. E será sempre um estranho atestado de inocência: “Fulano é inocente daquilo que não foi investiga"