segunda-feira, maio 23, 2011

REINCIDENTE

O que mais compromete o ministro, mais até do que a própria gravidade das denúncias, é o seu insistente e constrangedor silêncio. Isso pode ser fruto da arrogância de quem se acha inatingível, e, portanto, não devedor de satisfações aos pobres mortais, ou de quem tem algo de podre a esconder. Se suas atividades na consultoria eram límpidas, transparentes e honestas, nada mais fácil do que abri-las ao conhecimento do grande público. REINCIDENTE
O ministro Antonio Palocci, ao que tudo indica, é reincidente. Afastado do governo em 2006 por mau comportamento, volta ao noticiário sob a suspeita de enriquecimento ilícito, após a divulgação de que nos últimos quatro anos, período.em que exerceu o cargo de deputado federal, teria multiplicado por 20 o seu patrimônio.

Pressionado pela oposição, e cobrado pela Procuradoria Geral da República, Palocci não se dignou a esclarecer de que maneira conseguiu o milagre da multiplicação do patrimônio, e quais foram as atividades que lhe propiciaram esse milagre.Enquanto o ministro permanece mudo, seus áulicos foram a campo tentar explicar o, até agora , inexplicável. E só conseguiram aumentar a dúvida a respeito da licitude das atividades de Palocci na iniciativa privada.

Sabe-se que na segunda metade do governo Lula, o então poderoso ministro da Fazenda foi forçado a desembarcar do governo no bojo do escândalo de "República de Ribeirão Preto", que culminou com a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo. Fora do governo, Palocci não esteve longe do Poder.

Com trânsito livre nos principais gabinetes da República, o atual ministro da Casa Civil não se furtou a usar de sua influência e de suas informações na área econômica para alavancar a sua empresa de “consultoria”.Através da “Projeto” Palocci fazia lobby e patrocinava interesses de seus poderosos clientes junto ao governo federal.O quão escusos eram esses negócios é o que vem despertando o interesse da opinião pública, da oposição e da Procuradoria.

Ações como as empreendidas por Palocci não são novidade. Sabe-se que o Estado brasileiro, pelo seu gigantismo, complexidade, e, sobretudo, irracionalidade, se esmera em dificultar a vida de cidadãos e empresas com uma infinidade de normas e barreiras burocráticas. Criar dificuldade para "vender" facilidade tornou-se, pois, uma rendosa prática de agentes públicos desonestos.

Políticos de todos os calibres se aprofundam nessa atividade que proporciona a muito deles um enriquecimento inexplicável aos olhos da maioria dos cidadãos, que labutam honestamente, com sacrifício, e sob o peso esmagador da carga tributária. Empresas de consultoria e afins, como a de Palocci, que não vão muito além de despachantes de luxo, se multiplicam, a facilitar empregos, empréstimos, licitações e contratos, num ambiente de explícita promiscuidade entre o público e o privado.

Diante das denúncias, a oposição se movimenta na tentativa de conseguir colher as assinaturas necessárias para a instalação de uma CPI mista no Congresso. Tarefa difícil, quando se sabe que a instalação de uma Comissão de Inquérito requer o apoio de171 deputados e 27 senadores. Os quatro partidos oposicionistas - PSDB, DEM, PPS e PSOL- têm menos de cem deputados, e somente 18 senadores. Nesse caso, somente uma pressão da opinião pública pode fazer os deputados mudarem de idéia.

Mas, o que mais compromete o ministro, mais até do que a própria gravidade das denúncias, é o seu insistente e constrangedor silêncio. Isso pode ser fruto da arrogância de quem se acha inatingível, e, portanto, não devedor de satisfações aos pobres mortais, ou de quem tem algo de podre a esconder. Se suas atividades na consultoria eram límpidas, transparentes e honestas, nada mais fácil do que abri-las ao conhecimento do grande público.

O ministro da Casa Civil permanece calado e, por enquanto, conta com a blindagem governo. Blindagem que, a continuar, vai comprometer parlamentares, ministros e a própria presidente com uma causa duvidosa. Palocci traz para dentro do governo uma crise que certamente nem o mais pessimista dos petistas esperava tão cedo.
230511




3 comentários:

Petralhas voltam a atacar disse...

O pior cego é o que não quer ver, e todas as instituições ligadas a justiça, estão totalmente cegas para atos explicitos de corrupção no Estado brasileiro, praticado por politicos com empresários.

E quando se prontificam a julgar são envolvidos intensionalmente pela burocracia toda que é a mãe da corrupção, que passa a mão na cabeça da corrupção chamando de coitadinha e protegendo a mesma que a burocracia alem de gerar sempre amamentou.

JSA disse...

Como um cara que ganha milhoes na iniciativa privada se sujeita a ser ministro para ganhar uma merreca?A Casa civil sem duvida é o maior balcão de negocios da presidencia dea republica. Esteja la ou só de passagem a fortuna é certa.

Reinaldo disse...

Fernando. Certo está o senador jarbas vasconcelos, qundo afirma em reportagem de Veja que "o caseiro Francenildo dos Santos Costa teve de expor aspecto de sua vida privada para provar a origem legal do dinheiro encontrado na sua conta da Caixa Econômica Federal. E que, agora, resta ao ministro Palocci fazer mesma coisa, se é que isso é possível".