terça-feira, abril 26, 2011

CONHECIMENTO E DESENVOLVIMENTO

O crescimento da economia não pode e não deve ser considerado um fim em si mesmo, mas apenas como uma etapa importante na construção do desenvolvimento. O crescimento muitas vezes se deve a fatores circunstanciais , ciclicos e quase sempre ilusórios. O desenvolvimento vai além: é um processo efetivo, consistente e integrado que não se restringe somente ao econômico, mas abarca os setores político,social e cultural , numa simbiose que resulta na verdadeira independência de uma nação.




CONHECIMENTO E DESENVOLVIMENTO

O Brasil parece ter estacionado num economicismo estéril, no qual nossos governantes não vão além dos limites impostos pela alternância entre crescimento e recessão. É verdade que nosso país tem atravesssado um ciclo de crescimento, caracterizado pelo aumento das exportações, crescimento do consumo interno e multiplicação de serviços. Isso é positivo, mas não basta.


O crescimento da economia não pode e não deve ser considerado um fim em si mesmo, mas apenas como uma etapa importante na construção do desenvolvimento. O crescimento muitas vezes se deve a fatores circunstanciais , ciclicos e quase sempre ilusórios. O desenvolvimento vai muito além: é um processo efetivo, consistente e integrado que não se restringe somente ao econômico, mas abarca os setores político,social e cultural , numa simbiose que resulta na verdadeira independência de uma nação.


É é aí que se insere a questão da educação. O desenvolvimento, considerado na sua totalidade, mais do que um simples ciclo de crescimento econômico, demanda quantidade crescente de recursos humanos qualificados - trabalhadores, engenheiros, técnicos , economistas e cientistas - em todas as áreas da produção e da infra-estrutura. A carência de mão de obra especializada já vem sendo sentida mesmo na atual etapa de intensificação da economia.


Além de profissionais, técnicos e cientistas especializados, o desenvolvimento requer uma população que não seja, como agora, constituidas majoritariamente por pessoas desinformadas, doentes, carentes em todos os sentidos e dependentes de esmolas governamentais, mas de cidadãos ativos, altivos, cultos, educados e conhecedores de seus direitos e deveres, e ,portanto, capazes de questionar as mazelas governamentais.


Infelizmente, educação de qualidade é ainda uma miragem. Enquanto os discursos eleitoreiros pregam a necessidade da integração da grande parcela da população ao processo de conhecimento, a prática governamental caminha no sentido contrário. Os recursos destinados à Educação permanecem insuficientes e mal administrados.O atual modelo educacional continua marcado pela irracionalidade dos currículos defasados, professores despreparados e mal remunerados, e escolas desequipadas. Tudo só poderia resultar na péssima qualidade do ensino básico , fundamental e médio.


O governo federal tem o diagnóstico mas não move uma palha para modificar o panorama. Infelizmente, a visão de nossos governantes continua, propositalmente, curta. E essa miopia continua a fazer com que o Brasil permaneça a marcar passo ao sabor de eventuais ciclos de crescimento econômico, que fazem a alegria dos donos do poder, mas não projetam o verdadeiro desenvolvimento.
260411

segunda-feira, abril 18, 2011

LUCIDEZ AMALDIÇOADA

O diagnóstico de Fernando Henrique ,a partir de uma autocrítica ao comportamento do PSDB, longe da demagogia e da simplificação que caracterizam o PT, é sincero e oportuno, dado que no momento em que se inicia o governo de Dilma Rousseff, o PSDB continua a fraquejar , dividido entre o oposicionismo de seus parlamentares no Congresso e o neutralismo de seus oito governadores.
LUCIDEZ AMALDIÇOADA

Alvo de uma saraivada de críticas, o recente artigo de Fernando Henrique Cardoso, “O Papel da oposição”, faz uma análise crítica do comportamento da oposição nos últimos anos e sugere novos caminhos. Por dizer algumas verdades, doeu em muitos políticos - do governo e da oposição -que não têm por hábito a reflexão e a autocrítica.




De fato, nos oito anos do governo Lula da Silva, tucanos e aliados foram tímidos , vacilantes e incapazes de apresentarem um projeto que os identificassem com a grande parcela do eleitorado que rejeita o modo petista de governar. Pior, ao serem pressionados pelos petistas, renegaram o que haviam feito de melhor, e fizeram promessas de continuar o que os petistas haviam feito de pior.




E quais foram os pontos fortes do governo FHC? A estabilização monetária, os ajustes na máquina do Estado, a responsabilidade fiscal e as privatizações. Sem esquecer que as práticas sociais de caráter urgente, como os programas Bolsa Escola e Comunidade Solidária. Lula, inclusive, deu continuidade à política monetária, graças a qual pode assistir, no segundo mandato, ao surto de crescimento econômico. Mas transformou os programas emergenciais em gigantescas fontes de clientelismo eleitoral, e rejeitou, com veemência, as reformas administrativas e as privatizações do governo anterior.




Sorte do PT é que o PSDB nunca soube fazer a defesa das suas melhores obras. Nas campanhas presidenciais de 2006 e 2010, ficou calado enquanto o PT insistia na tese os tucanos haviam "destruído" o setor público, e "entregado" o nosso patrimônio à ganância da iniciativa privada. Um discurso oportunista e mentiroso, mas que tocou os mais ingênuos e fez o eleitorado descarregar os votos no candidato petista.




A mesma esperteza, Lula e sua turma usam, agora, para satanizar o artigo de Fernando Henrique e martelar ad infinitum que ele não gosta do "povão". O diagnóstico de Fernando Henrique ,a partir de uma autocrítica ao comportamento do PSDB, longe da demagogia e da simplificação que caracterizam o PT, é sincero e oportuno, dado que no momento em que se inicia o governo de Dilma Rousseff, o PSDB continua a fraquejar , dividido entre o oposicionismo de seus parlamentares no Congresso e o neutralismo de seus oito governadores.




Paradoxalmente, o trecho mais lúcido do artigo foi o alvo das maiores críticas, não só dos petistas, mas também de correligionários do autor. Quando o ex-presidente sugere que o PSDB invista numa nova parcela da sociedade, mais dinâmica e independente - a nova classe média – ele está corretíssimo. Quando adverte sobre a inutilidade de se disputar com o PT o seu eleitorado cativo, está coberto de razão.




Milhões de brasileiros foram arrastados ao curral petista pelos movimentos sociais e pela farta distribuição de bolsas e cotas financiadas com dinheiro público. E insistir nesse eleitorado, em curto e médio prazos, é uma causa perdida. Como no Brasil a lucidez é quase sempre castigada, Fernando Henrique vem sendo amaldiçoado por ter dito algumas verdades em seu artigo.

180411

segunda-feira, abril 11, 2011

REFORMA E PRECONCEITO


REFORMA POLÍTICA OU REFORMA NOS POLÍTICOS?


Muito mais do que uma reforma política, estamos precisando de uma reforma nos políticos. A Comissão Especial da Reforma Política do Senado aprovou algumas alterações que, a rigor, pouco acrescentarão no sentido de melhorar o atual padrão de nossa organização política e partidária.


Poucos pontos aprovados representam algum avanço: o fim das coligações e a adoção do voto na legenda para deputado e vereador, por exemplo, são medidas positivas no sentido de se fortalecer os partidos, embora muitos temam que venha fortalecer o caciquismo. A adoção do financiamento público exclusivo das campanhas eleitorais é uma proposta, no mínimo, controversa. A diminuição do número de suplentes, a alteração na data da posse dos eleitos, a extinção da reeleição, e a mudança na duração dos mandatos para os executivos foram alterações cosméticas e insignificantes, que parecem atender apenas às conveniências dos senadores da comissão.


Para o eleitor, nada vai alterar, pois o voto continua a ser obrigatório, em que pese uma parcela significativa da sociedade preferir o voto facultativo. Por tudo, é ingenuidade esperar que terminada a reforma, os políticos brasileiros serão tomados pelas virtudes da ética , da honradez, e do trabalho sério e determinado


A IGNORÂNCIA É LIVRE

Jair Bolsonaro provavelmente não esperava que seus quinze minutos de fama durassem muito mais. Isso por conta da soma de preconceito e ignorância, verbalizados num quadro do programa CQC. Mas também devido à reação exagerada de movimentos que se pretendem defensores dos direitos dos negros e dos homossexuais, que por pouco não levou o deputado à fogueira de uma nova inquisição.  


O deputado Bolsonaro, como muitos brasileiros, demonstra preconceito contra homossexuais e contra negros. Preconceito é subjetivo: o sujeito gosta ou não gosta, tem ou não tem aversão a um determinado tipo de pessoa. É ignorância e só pode ser combatido com doses cavalares de convencimento e muita educação.  


O preconceito é a porta de entrada da discriminação, que vem a ser o ato de cercear o exercício de um direito em razão de raça, nacionalidade, credo, gênero, aspecto físico ou tendência sexual. Neste caso, é crime.


Por mais absurdas e preconceituosa que sejam as opiniões de Bolsonaro,deve lhe ser garantido o direito de expressão. No dia em que passar do pensamento preconceituoso à ação discriminatória, aí sim deve ser castigado.

110411

segunda-feira, abril 04, 2011

A SERVIÇO DO REI

A presidente Dilma organiza uma equipe de governo pouco afeita a programas e políticas públicas e mais interessada em abrir espaços políticos para os seus partidários.O resultado imediato desse comportamento pode ser a perda do controle presidencial sobre a estrutura governamental e a consequente multiplicação de casos de ineficiência e de corrupção.

A SERVIÇO DO REI
O governo existe para servir à sociedade, ou a sociedade deve estar a serviço do governo? Para a maioria das pessoas, a resposta parece óbvia. Mas o PT não se convence disso. Desde a ascensão de Lula e sua turma, temos assistido ao crescimento desordenado e irracional do setor público. Dilma Rousseff nada tem feito para demonstrar o contrário.


O novo governo tem reforçado a convicção petista de que os interesses do partido e do governo estão muito acima dos interesses da sociedade. Prova disso é a criação de novos ministérios , a multiplicação de cargos e o empreguismo, o que leva forçosamente ao aumento das despesas com salários , custeio da máquina pública e com a rotina do governo. Com sobrecarga para o setor produtivo e para a sociedade em geral, que pagam a conta da orgia governamental.


No primeiro trimestre deste ano, o executivo gastou com pessoal e custeio R$ 10bilhões a mais em relação ao mesmo período do ano passado.Em contrapartida,desmentindo promessa de campanha, o início do novo governo vem sendo marcado por cortes nos investimentos.


Na campanha eleitoral, ao mesmo tempo em que anunciava cortes nos gastos públicos, a candidata petista prometia que os investimentos não seriam afetados.Os dados do primeiro trimestre mostram que aconteceu justamente o contrário. Os investimentos caíram pouco mais de R$ 300 milhões na comparação com o mesmo período de 2010, e, segundo dados do Siafi, dos 8,2 bilhões destinados a investimentos no primeiro trimestre deste ano, R$ 7,9 bilhões se referem a pagamentos de contas herdadas do governo passado.


Durante a montagem de seu governo, Dilma repete os velhos vícios de seu antecessor, que sob o pretexto de garantir uma maioria no Congresso, alimentava a fome dos aliados com generosa distribuição de cargos e benesses. A presidente organiza uma equipe de governo pouco afeita a programas e políticas públicas e mais interessada em abrir espaços políticos para os seus partidários.O resultado imediato desse comportamento pode ser a perda do controle presidencial sobre a estrutura governamental e a consequente multiplicação de casos de ineficiência e de corrupção.


O aumento dos gastos na área federal vem norteando a atuação da oposição tucana , que andava perdida e desmoralizada . Reunidos em Belo Horizonte no último sábado, os principais caciques do PSDB centraram suas críticas no modelo de gestão petista, embora muitos governos tucanos nos Estados não sejam exatamente um modelo de gestão.


A questão das contas públicas tem levado à justa preocupação com o crescimento lento e contínuo da inflação. A falta de um plano de austeridade e o descompromisso com as reformas administrativas e tributária demonstram o pouco interesse do governo em mantê-la em níveis baixos. O descontrole das contas públicas , como se sabe, é o maior alimentador da inflação, e, nesse sentido, podemos estar a um passo da volta lenta, contínua e gradual do monstro que aterrorizou o país na década de oitenta.


Por mais que a propaganda tente construir uma imagem positiva dos primeiros meses do novo governo, e isso seja repercutido nas pesquisas, a realidade nos conduz para uma visão preocupante do futuro próximo. 040411