segunda-feira, fevereiro 14, 2011

FUTURO INCERTO

A diversificação da sociedade egípcia, a ampliação da influência da cultura ocidental, a multipicação do acesso à informação por meio da internet, e a própria presença de Barack Obama na presidência dos Estados Unidos, romperam as barreiras impostas pela censura estatal e pela repressão policial, ao mesmo tempo em que denunciaram o arcaísmo da estrutura política do país e colocaram o povo nas ruas , como jamais havia ocorrido.
FUTURO INCERTO NO EGITO
No Egito, os acontecimentos que culminaram com a derrubada da ditadura de Hosni Mubarak representaram um marco na História política do Oriente Médio.O povo egípcio, como os demais dos povos daquela região, jamais conheceu a democracia. E se a atual transição não for bem encaminhada continuará sem conhecê-la.

O autoritarismo, com todas as suas vertentes e mazelas, sempre foi a marca registrada na História do Egito desde o tempo dos faraós. Nas últimas décadas, esteve sob a tutela de três autocratas, sustentados por oligarquias militares e mantidos no poder sob o beneplácito das grandes potências, segundo os interesses políticos hegemônicos em cada ocasião.


Gamal Abdel Nasser, uma espécie de “pai da pátria” egípcia, foi o primeiro desses autocratas. Comandou o país nas décadas de 50 e 60. Com um discurso nacionalista e pan-arabista liderou as principais causas árabes daquele período, e, carismático, granjeou grande apoio popular. Recebeu sustentação econômica e militar da União Soviética na sua política de se contrapor a Israel e aos Estados Unidos. Seus dois sucessores não possuíam o mesmo carisma de Nasser, mudaram o rumo da política externa do Egito e aprofundaram o autoritarismo no país.

Anuar el-Sadat dominou o país na década de 70. Aproximou-se dos Estados Unidos e adotou uma política de conciliação em relação a Israel, fato que aprofundou o ódio dos grupos extremistas contra o seu governo, e levou ao seu assassinato em 1981.


O sucessor de Sadat, Hosni Mubarak, assumiu o compromisso de continuar o processo de aproximação com Israel. Sua política arbitrária e corrupta, e a opressão exercida contra os opositores do regime foram solenemente ignoradas pelas potências ocidentais, enquanto o Egito recebia as benesses financeiras e militares do ocidente, como resposta a sua posição moderada nos conflitos do Oriente Médio. Foi bom enquanto durou.


A diversificação da sociedade egípcia, a ampliação da influência da cultura ocidental, a multipicação do acesso à informação por meio da internet, e a própria presença de Barack Obama na presidência dos Estados Unidos, romperam as barreiras impostas pela censura estatal e pela repressão policial, ao mesmo tempo em que denunciaram o arcaísmo da estrutura política do país e colocaram o povo nas ruas , como jamais havia ocorrido.


Mubarak caiu de podre, mas as arcaicas estruturas que o sustentavam ainda não ruíram. Em grande parte permanecem, agora personificadas no Exército. Os militares assumiram o controle do país, instalaram o autodenominado "Conselho Supremo da Forças Armadas", presidido pelo ministro da Defesa, Mohammed Tantawi, e prometeram uma transição pacífica para a democracia. Porém, não determinaram como e quando isso ocorrerá.


Não existe uma forte e confiável liderança de oposição pronta para ocupar o espaço deixado pelo deposto ditador. O futuro do Egito permanece incerto.
140211

3 comentários:

Folha 13 disse...

Já são dois ditadores árabes derrubados, o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak, nesta revolução democrática árabe que faz cair por terra estúpidos preconceitos ocidentais, como aquele que afirma que o árabe e o muçulmano são totalmente incompatíveis com a democracia. E que demonstra também que as cautelas governamentais do Ocidente não são somente traições aos princípios e valores democráticos, mas também fruto da preguiça intelectual, de não ter feito a lição de casa, de não haver percebido que o grande protagonista do mundo árabe neste século 21 não são os islâmicos, mas sim os jovens, esses mais de 100 milhões de jovens árabes, que desejam liberdade, dignidade e justiça.

Observador Atento disse...

Democracia não se constrói da noite para o dia. Acho que tanto o Egito como a Tunisia vão ter muitas dificuldades para arrumar seus países num sistema de liberdades. Temo que eles saiam de uma ditadura e caiam em outra. O papel dos estados Unidos é muito importente nessa circunstância.

Rosena disse...

As revoltas estão se espalhando pelo mundo arabe. Abaixo os ditadores e viva a democracia!!!